Desta vez, discute a pobreza da discussão cinéfila que é confundida, regra geral, com um rolo de coscuvelhices sobre os actores e actrizes, em lugar do objecto fílmico em si.
A Moscaé sem dúvida um dos maiores filmes dos 80's. O tema da mutação é abordada de forma plausível e assustadora, como nunca antes tinha visto em Cronenberg.
E já que coloquei um clip de Un Chien Andalou há bocadinho, aproveito para deixar outro vídeo em homenagem a um dos meus realizadores de estimação, Luís Buñuel - os primeiros 7 minutos de L'Âge d'Or.
Para os que não estão informados, e para os que pensam que é ilegal se sacarmos o filme da net, permitam-me que vos tranquilize; já não é ilegal, nem na ponta do dedo mindinho - o filme foi realizado no simpático ano de 1930, como tal, passou há muito para o domínio público, podendo ser usufruído como quisermos, e à hora que quisermos.
OK, pode não ser o protótipo de uma obra-prima "séria" (lugar esse que é reservado muitas vezes para coisas fúnereas, dirigidas por François Ozon ou Sokurov), mas Shaun of the Dead é um dos melhores filmes / surpresas que vi desta década. É um filme de zombies assustador e é ainda uma hilariante comédia, escrita e interpretada pelo grande Simon Pegg (virtualmente desconhecido fora de Inglaterra, se compararmos com tipos assépticos dos EUA, como Ben Stiller); que para além de ser um filme que parodia um género e uma sociedade em particular (a working class inglesa), ainda tem tempo de acabar em chave de ouro, parodiando a cultura televisiva e da fama. E fazer isso bem feito é para poucos.
"O Barco do Amor" era uma delas. Como todos os garotos daquela idade (8/10 anos), simplesmente não tinha pachorra para histórias de amor e, para mim, aquilo era tudo uma pieguice pegada. Quando muito, quando queria ver séries de adultos via "Os Vingadores", que sempre tinha mais estilo, enredos policiais, e personagens excêntricas.
Quando repetiu há pouco tempo na TV Cabo constatei, para choque meu, que aquilo até tinha alguma piada, e uma certa qualidade kitsch muito característica daqueles anos. De certa forma, a série era uma maneira das velhas estrelas de Hollywood arranjarem trabalho - neste episódio aparece Anne Baxter.