terça-feira, 29 de dezembro de 2009

The Devil Rides Out (1968)


Foi bom rever The Devil Rides Out. E, o que é mais bizarro, é que o filme não parece de todo desactualizado; podemos facilmente imaginar rituais deste género a ocorrer por aí - a Serra de Sintra, como sabemos, não se livra da fama.

É bom ver Christopher Lee como herói da história, para variar; e ter personagens, num filme da Hammer, que não se comportam como temerários que nunca viram filmes de terror.

domingo, 27 de dezembro de 2009

João Lopes, agora na quadra natalícia, esmerou-se com mais dois fantásticos textos de análise social/mediática:

- Um sobre o vazio em que as pessoas caíram, com o excesso de e-mails e sms's de Boas Festas;

- O outro, que foi publicado no DN, encosta à parede os políticos conservadores que idealizam uma família que nunca existiu, parece mesmo que poucos deles viram o Rebel Without a Cause; bem como critica a parca escolha que temos na TV aos Domingos à noite. Eu até sou capaz de ver os Ídolos, mas Uma Canção para Ti deve ser um dos programas mais estúpidos que se criaram na face da terra.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Rendi-me ao Blu-ray


Há uns poucos anos, fiquei aborrecido com a chegada do DVD - ter que comprar um leitor de um novo formato, quando tinha tantas cassetes com boa qualidade de imagem; não fazia muito o meu género, iria pesar na minha bolsa se o fizesse. Além disso, encontrava diversas vezes (e ainda hoje encontro) edições de filmes mais antigos com uma imagem baça, totalmente vergonhosa, praticamente igual à das cassetes que tenho nas estantes. Mantive-me na minha, indiferente à publicidade exagerada em torno do DVD, e comprei poucos exemplares nesse formato desde então, uns 50 talvez, sendo que muitos me foram oferecidos ou saíram em jornais.

Há poucos dias, tive a oportunidade de dar uma vista de olhos ao Blu-ray de Zulu, um clássico dos 60's com Michael Caine, e devo dizer que o Homevideo quando foi criado há coisa de 30 anos, foi exactamente para se chegar a este ponto - o da perfeição. Esqueçam tudo o que viram para trás noutros formatos pseudo-nítidos. O Blu-Ray veio finalmente trazer justiça ao caos do mercado de DVD - os filmes antigos finalmente têm tão boa qualidade de imagem quanto os modernos. A parte que eu vi do filme, correspondia à de uma batalha com soldados vestidos de vermelho - talvez nunca me tenha sentido tão dentro de um filme desde o Senhor dos Anéis, quando o vi na sala de cinema, e talvez nunca tenha visto casacos vermelhos tão reais, só mesmo ao vivo.

Por falar em Senhor dos Anéis, deslumbrem-se com este clip, da terceira parte da trilogia, O Regresso do Rei. É a espectacular cena em que o Hobbit e Gandalf acendem o farol a pedir ajuda aos reinos vizinhos, ao som da inultrapassável música de Howard Shore. Experimentem mudar o vídeo para HD (carregando no botão junto ao som) e vejam a diferença. Só uma palavra - Wow!

A maratona de filmes portugueses continua...


Tenho aproveitado estes dois dias frios de Natal para me actualizar em termos de Cinema Português:

- Second Life (2009), realizado e criado por Alexandre Valente, não é tão mau quanto a crítica dizia. Está bem que a história não tem nexo nenhum, mas quando é que voltaremos a ter oportunidade de ver Cláudia Vieira, Liliana Santos e Sandra Cóias nuas? Se virmos o filme do ponto de vista da representação, é engraçado ver apresentadores de televisão em pequenos papéis, enquanto os outros actores (como Lúcia Moniz) representam o papel mesmo a sério. É um filme brincadeira para não se levar demasiado a sério, e é injusto os críticos terem pedido mais do que isso.

- Aquele Querido Mês de Agosto (2008), de Miguel Gomes, é um grande filme, no sentido mais ortodoxo do termo; que me surpreendeu por mostrar planos, paisagens, pessoas e sentimentos que eu pensava que nunca na minha vida iria encontrar num filme português. Já não era sem tempo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Algumas opiniões breves sobre 2 filmes portugueses

...que vi nos últimos dias.

Call Girl (2007), de António Pedro Vasconcelos, é um rumo alternativo que o cinema português comercial poderá levar. É cinema de massas e é de qualidade. Não é uma grande obra para pensar sobre as grandes coisas, mas é um filme que tem tempo de deixar a sua mensagem sobre o estado do país. Soraia Chaves arrasa. Não é Ava Gardner, mas também não precisa de o ser.

Odete (2005), de João Pedro Rodrigues, é um filme absolutamente bizarro que tem que ser visto. É bem filmado que se farta - há cenas que considero do melhor que vi ultimamente, como a do cemitério à noite com as velas. O único senão do filme é o mesmo de que padece "Crash" de David Cronenberg - tocar algumas vezes o mau gosto. E Ana Cristina Oliveira parece uma daquelas junkies dos filmes do Pedro Costa. Tsc, tsc.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Crime sem castigo


Match Point, realizado por Woody Allen em 2005, é um filme essencial, mesmo apesar da sua longa duração.

É daqueles filmes que nos põem decididamente a pensar. Recomendação: Não ver numa tarde de domingo solitária.

Imperdível

A discussão em torno do estado da crítica de cinema em Portugal. N' O Homem que Sabia Demasiado.
Eu, apesar da minha opinião não muito favorável (o que não falta aí é tipos a escreverem em jornais com um pensamento cinéfilo que não tem pés nem cabeça), reconheço a sua importância, pois fazem-nos pensar sobre questões que muitas vezes nos esquecemos ao visionarmos os filmes.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O círculo está completo


Será Instinto Fatal o melhor filme da década de 90? É uma forte possibilidade, penso que este thriller sexual justifica e bem a barafunda que o público fez na altura. Finalmente consegui ver o filme por completo, e devo dizer que aqueles críticos que à data da estreia dipensaram o filme com 1 ou 2 estrelas, vão ter vergonha no futuro, pois daqui a 10 anos o filme vai ser considerado uma obra-prima do cinema.

O filme parece ser uma espécie de sequela infernal do Vertigo do Hitchcock, com uma Judy regressada de um túmulo algures em S. Francisco para se vingar do detective; desta vez reencarnada na forma de uma escritora de policiais, predadora sexual, manipuladora e assassina.

O clip que eu meti em cima, pertence à cena mais emblemática do filme - o traçar da perna - mas é só mesmo para ter mais visitas no blog. Vão por mim, o filme é muito mais do que esta cena. A realização de Paul Verhoeven é de mestre e Sharon Stone tem um dos papéis mais sexys e emblemáticos da História.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A descobrir



Total Recall é uma relíquia esquecida do período de transição dos 80's para os 90's, aquela época doida de filmes violentos, tais como Robocop ou Terminator.

Uma premissa fascinante, com um futuro criado pela mente de Philip K. Dick, e uma boa oportunidade de rever Sharon Stone, quando esta era considerada a mais sexy do planeta, lugar esse mais ou menos ocupado hoje por Angelina Jolie.

Texto interessante sobre as dobragens de filmes...

Em belos países que acreditávamos serem civilizados, como a Espanha e a França. Depois disto, só me apetece gritar uma coisa que nunca pensei vir algum dia a fazer: VIVA PORTUGAL!!! N' O Homem Que Sabia Demasiado. Leiam-no.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Um dos melhores filmes da década


OK, pode não ser o protótipo de uma obra-prima "séria" (lugar esse que é reservado muitas vezes para coisas fúnereas, dirigidas por Sokurov), mas Shaun of the Dead é um dos melhores filmes / surpresas que vi desta década. É um filme de zombies assustador e é ainda uma hilariante comédia, escrita e interpretada pelo grande Simon Pegg (virtualmente desconhecido fora de Inglaterra, se compararmos com tipos assépticos dos EUA, como Ben Stiller); que para além de ser um filme que parodia um género e uma sociedade em particular (a working class inglesa), ainda tem tempo de acabar em chave de ouro, parodiando a cultura televisiva e da fama. E fazer isso bem feito é para poucos.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Séries da minha infância, que cada vez que começavam, me faziam desligar a T.V. #1


"O Barco do Amor" era uma delas. Como todos os garotos daquela idade (8/10 anos), simplesmente não tinha pachorra para histórias de amor e, para mim, aquilo era tudo uma pieguice pegada. Quando muito, quando queria ver séries de adultos via "Os Vingadores", que sempre tinha mais estilo, enredos policiais, e personagens excêntricas.

Quando repetiu há pouco tempo na TV Cabo constatei, para choque meu, que aquilo até tinha alguma piada, e uma certa qualidade kitsch muito característica daqueles anos. De certa forma, a série era uma maneira das velhas estrelas de Hollywood arranjarem trabalho - neste episódio aparece Anne Baxter.

domingo, 6 de dezembro de 2009

O texto de João Lopes


João Lopes escreveu mais um texto interessante, desta vez àcerca de Casablanca e da memória das imagens. Compreendo a tonalidade nostálgica dele e até me identifico no geral com o texto e com a sua óbvia mensagem ("Antigamente é que era"), mas há um argumento que ele lança a certa altura e que eu não posso concordar de maneira nenhuma:

"Estamos a falar de um tempo em que as imagens e os sons dos filmes não existiam como matérias de circulação imediata e imediatista."

Acontece que os velhos tempos, para mal de João Lopes e dos nostálgicos, não eram tão bons quanto isso. Na altura, os filmes eram feitos para circulação imediata e não para preservação, eram para consumo imediato e não para ganhar dinheiro passados 50 anos. A prova disso é que a quase totalidade da primeira temporada desta gloriosa série está perdida para sempre - pois na altura, regra geral, deitava-se fora os registos fílmicos logo após a sua primeira exibição.

O melhor filme desta década?


Kill Bill é uma boa possibilidade, se bem que seja difícil dizer se será O MAIOR Tarantino por excelência, depois de títulos tão poderosos como "Death Proof" ou o novinho "Inglorious Basterds".

Mas ao rever hoje o filme (as duas partes), pela primeira vez após a sua estreia no cinema há coisa de 5 anos, e tendo já visto algumas coisitas bacanas em termos de Cinema, posso dizer que isto é o mais próximo que podemos chegar de uma obra-prima absoluta.

A minha noite passada

Esta Sexta-feira tive uma das noites mais transcendentes da minha vida, senão até a melhor noite da minha vida. Inicialmente pensava estar no seio da família Manson, o que me fez ficar um pouco amedrontado; mas depois, e para muito prazer meu, constatei estar na companhia de pessoas com excelente energia positiva, capazes de curar uma pessoa só com o poder da palavra e do olhar. Tudo sob a orientação de uma diva que é ainda uma maravilhosa anfitriã, e também fisicamente parecida com a grande Debbie Harry.
Os meus maiores e mais sinceros agradecimentos ao meu amigo João Franco, por me ter possibilitado um dos serões mais reveladores da minha vida.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Desafiante


Mesmo os filmes que não são considerados os melhores de Cronenberg, são filmes interessantíssimos e que nos põem a pensar. The Dead Zone é um desses filmes. É acerca de um homem com poderes psíquicos, que preve o futuro. Com o seu dom, pode vir a mudar o mundo. A questão que se impõe é se valerá a pena o sacríficio?...

sábado, 21 de novembro de 2009

O que se faz numa tarde de Novembro com mau tempo


Aproveita-se para se ver um filme como "Dead Ringers" de David Cronenberg, um filme que não se limita a dar-nos um murro no estômago, atira-nos impiedosamente contra a parede sem percebermos bem o que fizemos para o merecer. Ficamos a apanhar do ar.

É um filme inclassificável que tem que ser visto para se acreditar. Ultimamente tenho tido a sorte (ou o azar!) de ver muitos filmes que têm abanado a estrutura de valores e de sentimentos que regulam a minha vida, e é bom passar por estes testes. Só questionando as nossas crenças é que verdadeiramente crescemos.

A Vida

Ontem revi "Pulp Fiction", passados vários anos, e confirmei mais uma vez um filme poderosíssimo que retém tanto o seu poder hoje como na altura que estreou. O que eu acho curioso, é que com o passar dos anos, há sempre cenas que me afectam de maneira diferente. Desta vez, a cena que mais me tocou foi esta - a cena em que Uma Thurman liga a aparelhagem ("Girl, You'll be a Woman Soon", a fantástica escolha musical de Tarantino) e começa a dançar numa espécie de transe, enquanto espera por um indeciso Travolta, que está na casa-de-banho a falar com o espelho, e a prometer a si mesmo que não vai para a cama com a mulher do patrão, mesmo sabendo que não vai conseguir resistir. Mas inesperadamente a rapariga tem uma overdose e entra em coma. Isto é um pouco do mistério que é a Vida.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Splendor in the Grass


Splendor in the Grass é um dos filmes mais belos que se fizeram. Pode às vezes andar à deriva, como um adolescente indeciso que nem uma das personagens, mas a história de amor de perdição entre Natalie Wood e Warren Beatty é das coisas mais tocantes que eu já vi/verei na minha vida. Bem como aquele final de arrasar, que nos deixa com sabor amargo.

Um hino ao amor, contra a hipocrisia da sociedade (que prevalece ainda hoje, sob outras formas), o filme que todos os adolescentes deviam ver... para não se tornarem nos adultos que temos hoje.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Doente

Estou com gripe, felizmente não a A, mas não se admirem se eu não escrever um dia ou dois.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Um dos maiores filmes de sempre (e um dos mais esquecidos)


Ver um filme como Él, realizado em 1953, por Luís Buñuel, quando este ainda se encontrava no México; é constatar uma realidade que existia até há bem pouco tempo em Portugal: o poder do homem sobre a mulher, e o silenciar das agressões a mulheres. Existia não... existe ainda. E isso é que é assustador.

Este filme é um case study que devia passar no horário nobre na TV portuguesa, para constatarmos até que ponto pode chegar a paranóia ciumenta de um homem.

sábado, 14 de novembro de 2009

Peeping Tom / A Vítima do Medo


Peeping Tom é do mesmo ano de Psycho de Hitchcock. Apesar de ser realizado de forma mais clássica e menos interessante por parte de Michael Powell, a temática do filme e a psicologia das personagens é tão ou até mais interessante do que o filme de Hitch.
A história é sobre um assistente de câmara serial killer que gosta de filmar as suas vítimas enquanto as trucida com uma navalha escondida no seu tripé, que é também o instrumento do seu trabalho.
A personagem de Mark, com o seu passado terrível, completo com abuso sexual e o facto de haver vivido num constante big brother, é um personagem principal ainda mais complexo que Norman Bates. O facto de ser cinéfilo, desafia-nos a nós, espectador, na nossa impassibilidade e voyeurismo, enquanto estamos complacentemente sentados no escuro assistindo aos assassinatos.

Um dos maiores filmes que já se fizeram e que se farão.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Grande Música de Filmes #2

Hoje deixo aqui uma das minhas músicas favoritas do mestre Bernard Herrmann, o tema de abertura de "Fahrenheit 451", realizado em 1966 por François Truffaut, a única incursão do realizador na língua inglesa.

O tema condensa de forma arrepiante a essência do filme, que se passa num futuro distópico, em que os livros são queimados. É também uma sonoridade muito misteriosa.

domingo, 8 de novembro de 2009

Grande Música de Filmes #1

A banda sonora que vos deixo é a do remake algo desapontante de Vertigo, "Obsession", realizado por Brian de Palma em 1976. Bernard Herrmann é mais uma vez genial, conseguindo fazer música dramática de tão boa qualidade como fez para o filme original em 1958.

O poder da trilha sonora é de suster a respiração. Em baixo, temos a cena em que a mulher e a filha de Cliff Robertson são raptados, e a sequência final no aeroporto em que Robertson reconhece a filha.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Constatação

"Os Ídolos" é um dos programas mais extraordinários que passaram na TV portuguesa e mundial. E digo isto sem qualquer ponta de ironia. É verdade que o júri é cruel, que a montagem favorece a humilhação do concorrente/cromo; mas aquilo é uma das melhores propostas sociológicas que já vi, é um perfeito retrato do mundo em que vivemos (sim, eu disse mundo, não apenas o nosso país), em que a única maneira de se viver feliz, de nos sobressaírmos da multidão, é sendo famoso.

A proposta poderá parecer revoltante para muitos, mas é isso de facto o que nos é alimentado diariamente pela TV e pela Imprensa: se não és famoso, não existes.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Na Cinemateca...


Vim agora do "La Femme d'à Côté", realizado por François Truffaut pouco antes deste falecer de cancro. Achei curiosa a maneira como Truffaut instala um suspense no ar do ínicio até ao fim do filme. Mas este suspense é diferente do Hitchcockiano, em que o herói normalmente se mete em situações extraordinárias, como crimes ou espionagem; o suspense de Truffaut é do quotidiano, da vida conjugal, da expectativa de como a mulher vai reagir se souber da traição do marido, ou a ansiedade de como é que o filme vai acabar, sendo que paira a perene iminicência de uma tragédia no ar.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O brilhantismo de Herrmann


Torn Curtain (The Killing) Bernard Herrmann's cue por konway87
Há bocado, estive a dar uma vista de olhos no "The Encyclopedia of Alfred Hitchcock", e recordei a desavença do realizador com o grande Bernard Herrmann. Este havia composto uma banda-sonora demasiado avant-garde para o filme e Hitch queria algo mais comercial. Quando ouviu a música de Herrmann, despediu o compositor, de forma muito injusta, pondo fim a uma das melhores e mais profícuas parcerias da história do Cinema.

A cena que vos mostro é a morte de Gromek no filme "A Cortina Rasgada", e foi deixada em silêncio no filme. Aqui, vemos o violento momento com acompanhamento da brilhante banda-sonora de Herrmann, como inicialmente estava previsto ser exibido. O resultado é estrondoso - à semelhança da cena do chuveiro em Psycho, o momento da morte de Gromek adquire toda uma nova força.

domingo, 25 de outubro de 2009

Sublime


"O Ladrão de Bagdad", realizado por Michael Powell no ano de 1940, é um daqueles filmes que uma pessoa se admira nunca ter visto. Vê-se que influenciou imenso cinema de Aventura e Fantasia, os filmes de Indiana Jones, Senhor dos Anéis, etc.

É também uma história universal que pode ser mostrado em qualquer parte do mundo, independentemente da política, ultrapassando diferenças entre as pessoas e os povos. A história de Ahmad é um pouco como a história do Aladino em busca da sua princesa, sendo que tem um vilão assustador, interpretado de forma estupenda por Conrad Veidt, equipado com um impressionante guarda-roupa.

Destaque ainda para os excelentes efeitos especiais inovadores e para a portentosa música de Miklos Rozsa.

sábado, 3 de outubro de 2009

Momento de transição

Um antigo mestre disse-me uma vez que, quando as coisas não correrem como eu quero e as coisas derem para o torto, talvez seja a altura certa para fazer mudanças, e tentar coisas ainda não tentadas, ou até tentar coisas que não fazia há anos.

Baralhar e voltar a dar - renovar, é esse o lema!

terça-feira, 29 de setembro de 2009


"O medo pode aprisionar-te.
A esperança liberta-te."

The Shawshank Redemption é um dos filmes mais extraordinários da face da terra, apesar das suas esporádicas falhas. É daqueles filmes que precisamos de ver em alturas de crise mundial, como a que estamos a viver agora, quando o pessimismo e o cinismo reinam, e quando qualquer manifestação de optimismo é escorraçada com um sarcasmo veemente.

Andrew Dufresne (interpretado por Tim Robbins) é um pouco como todos nós - tem de lamber botas, levar porrada, levar no cu, passar 2 meses a fio na solitária, e fazer a sua fuga no meio da merda do esgoto (literalmente), para atingir a liberdade. É extremamente difícil atingi-la, todos na prisão de Shawshank a consideram impossível, mas quem tem esperança sempre alcança.

Andrew Dufresne é uma certeira homenagem à força de vontade dos grandes homens deste mundo, e à capacidade de acreditar num mundo melhor ("I have a dream", Martin Luther King, Abraham Lincoln, Gandhi, etc.), inspirando a nossa vida (a vida das pessoas normais), fazendo-nos acreditar que vale sempre a pena lutar e seguir o seu exemplo.

Talvez pelos obstáculos com que Dufresne se depara se assemelhem muito aos nossos problemas ao longo da vida, The Shawshank Redemption vem em 1º lugar na lista dos filmes mais apreciados pelos espectadores, no imdb. E a isso, eu tiro o meu chapéu, faço uma vénia ao público, pela escolha. The Shawshank Redemption pode não ser o melhor dos filmes, ser algo longo, andar a rondar os clichés na parte inicial(as obrigatórias cenas do refeitório, da integração no grupo, dos sodomitas) e ter um final algo inacreditável em que todo o mal é castigado; mas, se conseguirmos passar à frente desses elementos, temos um filme iluminado, que apela ao melhor que há na nossa alma.

Há uma elite de críticos em Portugal (e no mundo) que gosta de ridicularizar alguns dos gostos da "populaça"; mas acontece que, apesar do povo eleger muitas vezes políticos corruptos, no fundo, somos todos seres que acreditamos no poder do Bem, e acreditamos na capacidade do Homem em se entreajudar para alcançar a Liberdade, bem como na nossa capacidade em influenciar pela positiva todas as pessoas que estão à nossa volta.
Não tenho a certeza se The Shawshank Redemption merece estar em 1º lugar na lista de 250 melhores filmes de sempre, mas uma coisa sei eu - compreendo perfeitamente porque lá está, e porque o público o escolheu para figurar na lista. E isso, agradeço a toda a Humanidade.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Um pouco de nostalgia...


Este era o meu desenho animado favorito no final dos 80's. Era uma adaptação mais ou menos livre do romance de Dumas, com desenho japonês e um cariz adulto. Uma edição em DVD seria bem-vinda, mas dizem que a RTP perdeu as cópias com as dobragens em português, como passou originalmente.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A ver


O novo Almodóvar é um filme imprescindível, apesar das suas muitas falhas. O filme funciona praticamente sem erros de maior (tirando um certo masoquismo incoerente da personagem de Penélope Cruz) até ao momento do pós-acidente de automóvel. A partir daí o filme morre, não tem um final que tenha a força de tudo o que vimos para trás, um filme daqueles necessitava de um final mais sangrento (a promessa de um ajuste de contas com o filho do empresário não é cumprida). Ao fim e ao cabo, quase toda a cor e energia do filme está no flashback.

Adorei as homenagens cinéfilas do realizador (Marylin, Duelo ao Sol, Kiss me Deadly) e cada vez estou mais convencido que Cruz só é uma actriz com A grande em filmes do realizador espanhol.

domingo, 20 de setembro de 2009

João Lopes, quando tem razão, é brilhante

João Lopes, quando não está escrever sobre filmes e quando não lhe dá para o delírio cheerleader, enaltecendo de forma adolescente a última loucura publicitária de Madonna; é um brilhante crítico/filósofo de Televisão. Dos melhores, mesmo. Basta ler o último texto dele, intitulado Eleições 2009: quem asfixia o quê?, em que ele analisa a falsidade do aparelho televisivo no que diz respeito à representação da política, e a desresponsabilização dos jornalistas ao transmitirem imagens e conceitos para o ar, sem se preocuparem em explicá-los devidamente, e muitas vezes manipulando-os de forma pouco subtil e muito parcial (ver o último parágrafo do texto dele).

A malvadez das crianças

Para todos os tolos que pensam que as crianças são um pólo de bondade e dignas da nossa máxima devoção, há uma cena n' "O Terceiro Homem" em que o fedelho da bola incrimina o herói da história, em frente a uma multidão de vizinhos, gritando em voz alta que é ele o assassino do velho porteiro. Os vizinhos, como é óbvio, acreditam na pequena peste, e precipitam-se para linchar o nosso inocente herói, que felizmente consegue fugir a tempo.

Na nossa sociedade em que tão depressa se dá estalos em crianças, como se os reverencia como se fossem deuses, não deixa de ser assustadora a possibilidade de uma criança apontar-nos o dedo denunciando-nos como assassinos, só por antipatizar connosco, e ainda ter a lata de fazer o gesto "vão-te cortar a garganta" com o dedo.

sábado, 19 de setembro de 2009

Passados 60 anos, "O Terceiro Homem" mantém-se no top do imdb, facto que achei peculiar, uma vez que os filmes que se encontram no top 250 do imdb reflectem demasiado os filmes mais recentes e as respectivas receitas de bilheteira, deixando de lado muitos filmes de qualidade e clássicos.

O facto do filme ainda hoje ser conhecido pode (e isto é apenas a minha humilde opinião) ser devido a três factores chave: a música de Anton Karas; Orson Welles; e a atmosfera do filme, filmado num preto e branco prodigioso, bem como aqueles ângulos marados. A película respira uma estranha modernidade para o ano de 49, parecendo antever coisas que iriam só acontecer na década de 60. Ontem como hoje, "The Third Man" parece um filme em que continuamos sempre a descobrir novos pormenores, e em que nunca descobrimos todos os significados. Deixo-vos o espantoso final.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Lição de cinema

"As Noites Brancas", realizado por Luchino Visconti em 1957, é uma lição para todos os aspirantes a realizadores e actores, na forma como se pode fazer um filme tão pequeno de 1 hora e 40 minutos, e mesmo assim haver tantas emoções contidas, tanto sentimento à flor da pele.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Essencial

"The Saga of Anatahan" é um filme essencial. Daqueles filmes em que um grupo de ser humanos se vê colocado numa situação em que as chamadas regras da "civilização" não são aplicáveis.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Não tão bom como Bénard dizia

Uma primeira parte claramente indecisa e desinspirada, com um Farley Granger miscast, que não tem estofo para suster a amálgama de expressões necessárias ao papel. A segunda metade (que começa a partir do momento em que Granger vai ter com Valli ao seu quarto, às escondidas do marido dela) é brilhante, à boa maneira Viscontiana, com uma Verona filmada de forma extasiante, e o tema da decadência tão caro ao realizador a manifestar-se de forma pungente no final.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Bem-Vindos!

Passado anos de "retiro espiritual", voltei, mas desta vez com menos violência e paixão, voltei muito mais sereno. E desta feita, voltei só para os amigos e para os que me querem bem.