terça-feira, 29 de setembro de 2009


"O medo pode aprisionar-te.
A esperança liberta-te."

The Shawshank Redemption é um dos filmes mais extraordinários da face da terra, apesar das suas esporádicas falhas. É daqueles filmes que precisamos de ver em alturas de crise mundial, como a que estamos a viver agora, quando o pessimismo e o cinismo reinam, e quando qualquer manifestação de optimismo é escorraçada com um sarcasmo veemente.

Andrew Dufresne (interpretado por Tim Robbins) é um pouco como todos nós - tem de lamber botas, levar porrada, levar no cu, passar 2 meses a fio na solitária, e fazer a sua fuga no meio da merda do esgoto (literalmente), para atingir a liberdade. É extremamente difícil atingi-la, todos na prisão de Shawshank a consideram impossível, mas quem tem esperança sempre alcança.

Andrew Dufresne é uma certeira homenagem à força de vontade dos grandes homens deste mundo, e à capacidade de acreditar num mundo melhor ("I have a dream", Martin Luther King, Abraham Lincoln, Gandhi, etc.), inspirando a nossa vida (a vida das pessoas normais), fazendo-nos acreditar que vale sempre a pena lutar e seguir o seu exemplo.

Talvez pelos obstáculos com que Dufresne se depara se assemelhem muito aos nossos problemas ao longo da vida, The Shawshank Redemption vem em 1º lugar na lista dos filmes mais apreciados pelos espectadores, no imdb. E a isso, eu tiro o meu chapéu, faço uma vénia ao público, pela escolha. The Shawshank Redemption pode não ser o melhor dos filmes, ser algo longo, andar a rondar os clichés na parte inicial(as obrigatórias cenas do refeitório, da integração no grupo, dos sodomitas) e ter um final algo inacreditável em que todo o mal é castigado; mas, se conseguirmos passar à frente desses elementos, temos um filme iluminado, que apela ao melhor que há na nossa alma.

Há uma elite de críticos em Portugal (e no mundo) que gosta de ridicularizar alguns dos gostos da "populaça"; mas acontece que, apesar do povo eleger muitas vezes políticos corruptos, no fundo, somos todos seres que acreditamos no poder do Bem, e acreditamos na capacidade do Homem em se entreajudar para alcançar a Liberdade, bem como na nossa capacidade em influenciar pela positiva todas as pessoas que estão à nossa volta.
Não tenho a certeza se The Shawshank Redemption merece estar em 1º lugar na lista de 250 melhores filmes de sempre, mas uma coisa sei eu - compreendo perfeitamente porque lá está, e porque o público o escolheu para figurar na lista. E isso, agradeço a toda a Humanidade.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Um pouco de nostalgia...


Este era o meu desenho animado favorito no final dos 80's. Era uma adaptação mais ou menos livre do romance de Dumas, com desenho japonês e um cariz adulto. Uma edição em DVD seria bem-vinda, mas dizem que a RTP perdeu as cópias com as dobragens em português, como passou originalmente.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A ver


O novo Almodóvar é um filme imprescindível, apesar das suas muitas falhas. O filme funciona praticamente sem erros de maior (tirando um certo masoquismo incoerente da personagem de Penélope Cruz) até ao momento do pós-acidente de automóvel. A partir daí o filme morre, não tem um final que tenha a força de tudo o que vimos para trás, um filme daqueles necessitava de um final mais sangrento (a promessa de um ajuste de contas com o filho do empresário não é cumprida). Ao fim e ao cabo, quase toda a cor e energia do filme está no flashback.

Adorei as homenagens cinéfilas do realizador (Marylin, Duelo ao Sol, Kiss me Deadly) e cada vez estou mais convencido que Cruz só é uma actriz com A grande em filmes do realizador espanhol.

domingo, 20 de setembro de 2009

João Lopes, quando tem razão, é brilhante

João Lopes, quando não está escrever sobre filmes e quando não lhe dá para o delírio cheerleader, enaltecendo de forma adolescente a última loucura publicitária de Madonna; é um brilhante crítico/filósofo de Televisão. Dos melhores, mesmo. Basta ler o último texto dele, intitulado Eleições 2009: quem asfixia o quê?, em que ele analisa a falsidade do aparelho televisivo no que diz respeito à representação da política, e a desresponsabilização dos jornalistas ao transmitirem imagens e conceitos para o ar, sem se preocuparem em explicá-los devidamente, e muitas vezes manipulando-os de forma pouco subtil e muito parcial (ver o último parágrafo do texto dele).

A malvadez das crianças

Para todos os tolos que pensam que as crianças são um pólo de bondade e dignas da nossa máxima devoção, há uma cena n' "O Terceiro Homem" em que o fedelho da bola incrimina o herói da história, em frente a uma multidão de vizinhos, gritando em voz alta que é ele o assassino do velho porteiro. Os vizinhos, como é óbvio, acreditam na pequena peste, e precipitam-se para linchar o nosso inocente herói, que felizmente consegue fugir a tempo.

Na nossa sociedade em que tão depressa se dá estalos em crianças, como se os reverencia como se fossem deuses, não deixa de ser assustadora a possibilidade de uma criança apontar-nos o dedo denunciando-nos como assassinos, só por antipatizar connosco, e ainda ter a lata de fazer o gesto "vão-te cortar a garganta" com o dedo.

sábado, 19 de setembro de 2009

Passados 60 anos, "O Terceiro Homem" mantém-se no top do imdb, facto que achei peculiar, uma vez que os filmes que se encontram no top 250 do imdb reflectem demasiado os filmes mais recentes e as respectivas receitas de bilheteira, deixando de lado muitos filmes de qualidade e clássicos.

O facto do filme ainda hoje ser conhecido pode (e isto é apenas a minha humilde opinião) ser devido a três factores chave: a música de Anton Karas; Orson Welles; e a atmosfera do filme, filmado num preto e branco prodigioso, bem como aqueles ângulos marados. A película respira uma estranha modernidade para o ano de 49, parecendo antever coisas que iriam só acontecer na década de 60. Ontem como hoje, "The Third Man" parece um filme em que continuamos sempre a descobrir novos pormenores, e em que nunca descobrimos todos os significados. Deixo-vos o espantoso final.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Lição de cinema

"As Noites Brancas", realizado por Luchino Visconti em 1957, é uma lição para todos os aspirantes a realizadores e actores, na forma como se pode fazer um filme tão pequeno de 1 hora e 40 minutos, e mesmo assim haver tantas emoções contidas, tanto sentimento à flor da pele.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Essencial

"The Saga of Anatahan" é um filme essencial. Daqueles filmes em que um grupo de ser humanos se vê colocado numa situação em que as chamadas regras da "civilização" não são aplicáveis.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Não tão bom como Bénard dizia

Uma primeira parte claramente indecisa e desinspirada, com um Farley Granger miscast, que não tem estofo para suster a amálgama de expressões necessárias ao papel. A segunda metade (que começa a partir do momento em que Granger vai ter com Valli ao seu quarto, às escondidas do marido dela) é brilhante, à boa maneira Viscontiana, com uma Verona filmada de forma extasiante, e o tema da decadência tão caro ao realizador a manifestar-se de forma pungente no final.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Bem-Vindos!

Passado anos de "retiro espiritual", voltei, mas desta vez com menos violência e paixão, voltei muito mais sereno. E desta feita, voltei só para os amigos e para os que me querem bem.