quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Constatação

"Os Ídolos" é um dos programas mais extraordinários que passaram na TV portuguesa e mundial. E digo isto sem qualquer ponta de ironia. É verdade que o júri é cruel, que a montagem favorece a humilhação do concorrente/cromo; mas aquilo é uma das melhores propostas sociológicas que já vi, é um perfeito retrato do mundo em que vivemos (sim, eu disse mundo, não apenas o nosso país), em que a única maneira de se viver feliz, de nos sobressaírmos da multidão, é sendo famoso.

A proposta poderá parecer revoltante para muitos, mas é isso de facto o que nos é alimentado diariamente pela TV e pela Imprensa: se não és famoso, não existes.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Na Cinemateca...


Vim agora do "La Femme d'à Côté", realizado por François Truffaut pouco antes deste falecer de cancro. Achei curiosa a maneira como Truffaut instala um suspense no ar do ínicio até ao fim do filme. Mas este suspense é diferente do Hitchcockiano, em que o herói normalmente se mete em situações extraordinárias, como crimes ou espionagem; o suspense de Truffaut é do quotidiano, da vida conjugal, da expectativa de como a mulher vai reagir se souber da traição do marido, ou a ansiedade de como é que o filme vai acabar, sendo que paira a perene iminicência de uma tragédia no ar.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O brilhantismo de Herrmann


Torn Curtain (The Killing) Bernard Herrmann's cue por konway87
Há bocado, estive a dar uma vista de olhos no "The Encyclopedia of Alfred Hitchcock", e recordei a desavença do realizador com o grande Bernard Herrmann. Este havia composto uma banda-sonora demasiado avant-garde para o filme e Hitch queria algo mais comercial. Quando ouviu a música de Herrmann, despediu o compositor, de forma muito injusta, pondo fim a uma das melhores e mais profícuas parcerias da história do Cinema.

A cena que vos mostro é a morte de Gromek no filme "A Cortina Rasgada", e foi deixada em silêncio no filme. Aqui, vemos o violento momento com acompanhamento da brilhante banda-sonora de Herrmann, como inicialmente estava previsto ser exibido. O resultado é estrondoso - à semelhança da cena do chuveiro em Psycho, o momento da morte de Gromek adquire toda uma nova força.

domingo, 25 de outubro de 2009

Sublime


"O Ladrão de Bagdad", realizado por Michael Powell no ano de 1940, é um daqueles filmes que uma pessoa se admira nunca ter visto. Vê-se que influenciou imenso cinema de Aventura e Fantasia, os filmes de Indiana Jones, Senhor dos Anéis, etc.

É também uma história universal que pode ser mostrado em qualquer parte do mundo, independentemente da política, ultrapassando diferenças entre as pessoas e os povos. A história de Ahmad é um pouco como a história do Aladino em busca da sua princesa, sendo que tem um vilão assustador, interpretado de forma estupenda por Conrad Veidt, equipado com um impressionante guarda-roupa.

Destaque ainda para os excelentes efeitos especiais inovadores e para a portentosa música de Miklos Rozsa.

sábado, 3 de outubro de 2009

Momento de transição

Um antigo mestre disse-me uma vez que, quando as coisas não correrem como eu quero e as coisas derem para o torto, talvez seja a altura certa para fazer mudanças, e tentar coisas ainda não tentadas, ou até tentar coisas que não fazia há anos.

Baralhar e voltar a dar - renovar, é esse o lema!