sábado, 21 de novembro de 2009

O que se faz numa tarde de Novembro com mau tempo


Aproveita-se para se ver um filme como "Dead Ringers" de David Cronenberg, um filme que não se limita a dar-nos um murro no estômago, atira-nos impiedosamente contra a parede sem percebermos bem o que fizemos para o merecer. Ficamos a apanhar do ar.

É um filme inclassificável que tem que ser visto para se acreditar. Ultimamente tenho tido a sorte (ou o azar!) de ver muitos filmes que têm abanado a estrutura de valores e de sentimentos que regulam a minha vida, e é bom passar por estes testes. Só questionando as nossas crenças é que verdadeiramente crescemos.

A Vida

Ontem revi "Pulp Fiction", passados vários anos, e confirmei mais uma vez um filme poderosíssimo que retém tanto o seu poder hoje como na altura que estreou. O que eu acho curioso, é que com o passar dos anos, há sempre cenas que me afectam de maneira diferente. Desta vez, a cena que mais me tocou foi esta - a cena em que Uma Thurman liga a aparelhagem ("Girl, You'll be a Woman Soon", a fantástica escolha musical de Tarantino) e começa a dançar numa espécie de transe, enquanto espera por um indeciso Travolta, que está na casa-de-banho a falar com o espelho, e a prometer a si mesmo que não vai para a cama com a mulher do patrão, mesmo sabendo que não vai conseguir resistir. Mas inesperadamente a rapariga tem uma overdose e entra em coma. Isto é um pouco do mistério que é a Vida.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Splendor in the Grass


Splendor in the Grass é um dos filmes mais belos que se fizeram. Pode às vezes andar à deriva, como um adolescente indeciso que nem uma das personagens, mas a história de amor de perdição entre Natalie Wood e Warren Beatty é das coisas mais tocantes que eu já vi/verei na minha vida. Bem como aquele final de arrasar, que nos deixa com sabor amargo.

Um hino ao amor, contra a hipocrisia da sociedade (que prevalece ainda hoje, sob outras formas), o filme que todos os adolescentes deviam ver... para não se tornarem nos adultos que temos hoje.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Doente

Estou com gripe, felizmente não a A, mas não se admirem se eu não escrever um dia ou dois.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Um dos maiores filmes de sempre (e um dos mais esquecidos)


Ver um filme como Él, realizado em 1953, por Luís Buñuel, quando este ainda se encontrava no México; é constatar uma realidade que existia até há bem pouco tempo em Portugal: o poder do homem sobre a mulher, e o silenciar das agressões a mulheres. Existia não... existe ainda. E isso é que é assustador.

Este filme é um case study que devia passar no horário nobre na TV portuguesa, para constatarmos até que ponto pode chegar a paranóia ciumenta de um homem.

sábado, 14 de novembro de 2009

Peeping Tom / A Vítima do Medo


Peeping Tom é do mesmo ano de Psycho de Hitchcock. Apesar de ser realizado de forma mais clássica e menos interessante por parte de Michael Powell, a temática do filme e a psicologia das personagens é tão ou até mais interessante do que o filme de Hitch.
A história é sobre um assistente de câmara serial killer que gosta de filmar as suas vítimas enquanto as trucida com uma navalha escondida no seu tripé, que é também o instrumento do seu trabalho.
A personagem de Mark, com o seu passado terrível, completo com abuso sexual e o facto de haver vivido num constante big brother, é um personagem principal ainda mais complexo que Norman Bates. O facto de ser cinéfilo, desafia-nos a nós, espectador, na nossa impassibilidade e voyeurismo, enquanto estamos complacentemente sentados no escuro assistindo aos assassinatos.

Um dos maiores filmes que já se fizeram e que se farão.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Grande Música de Filmes #2

Hoje deixo aqui uma das minhas músicas favoritas do mestre Bernard Herrmann, o tema de abertura de "Fahrenheit 451", realizado em 1966 por François Truffaut, a única incursão do realizador na língua inglesa.

O tema condensa de forma arrepiante a essência do filme, que se passa num futuro distópico, em que os livros são queimados. É também uma sonoridade muito misteriosa.

domingo, 8 de novembro de 2009

Grande Música de Filmes #1

A banda sonora que vos deixo é a do remake algo desapontante de Vertigo, "Obsession", realizado por Brian de Palma em 1976. Bernard Herrmann é mais uma vez genial, conseguindo fazer música dramática de tão boa qualidade como fez para o filme original em 1958.

O poder da trilha sonora é de suster a respiração. Em baixo, temos a cena em que a mulher e a filha de Cliff Robertson são raptados, e a sequência final no aeroporto em que Robertson reconhece a filha.