domingo, 6 de dezembro de 2009

O texto de João Lopes


João Lopes escreveu mais um texto interessante, desta vez àcerca de Casablanca e da memória das imagens. Compreendo a tonalidade nostálgica dele e até me identifico no geral com o texto e com a sua óbvia mensagem ("Antigamente é que era"), mas há um argumento que ele lança a certa altura e que eu não posso concordar de maneira nenhuma:

"Estamos a falar de um tempo em que as imagens e os sons dos filmes não existiam como matérias de circulação imediata e imediatista."

Acontece que os velhos tempos, para mal de João Lopes e dos nostálgicos, não eram tão bons quanto isso. Na altura, os filmes eram feitos para circulação imediata e não para preservação, eram para consumo imediato e não para ganhar dinheiro passados 50 anos. A prova disso é que a quase totalidade da primeira temporada desta gloriosa série está perdida para sempre - pois na altura, regra geral, deitava-se fora os registos fílmicos logo após a sua primeira exibição.

3 comentários:

Victor Afonso disse...

Por acaso também li e achei interessante. Aliás, quase tudo o que Lopes escreve é interessante e pertinente.

Mafalda Azevedo disse...

No meio de tanta presunção e de tanto aborrecimento, é um verdadeiro contentamento encontrar o teu blog, repleto de candidez e de conhecimento cinéfilo.
E já agora: concordo em absoluto com o Kill Bill, com as novelas brasileiras da década de oitenta e até de noventa, e com tantas outras coisas que tens escrito.
Parabéns!

Ricardo Martins disse...

Mafalda,

Obrigado pelos generosos elogios, vou fazendo um blog mais à maneira da minha personalidade hoje em dia.

Estou muito mais sereno do que na altura em que fiz o "Violência e Paixão".

Beijos e vai passando