sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Balanço do blog

Decorrido mais de 1 ano desde a sua criação, nunca pensei que o mantivesse passado este tempo todo. O facto de ter demorado tantos anos a voltar à blogosfera, desacreditou muitos, inclusivé eu próprio, que este estaminé se mantivesse de pé muito tempo.

O que me faltava, afinal de contas, era encontrar uma tonalidade certa para o blog; algo que encontrei neste ano de 2010, um tom adequado - nada de críticas demasiado eruditas de cinema, nada de cair demasiado na auto-complacência, e não fazer disto uma página de novidades acerca do que estou a fazer.

O tom deste blog é pessoal, oral, subjectivo, e longe do big brotheriano facebook. Escrevo quando acho que tenho algo para dizer. Quando não escrevo, ninguém estranha.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Leituras

Mais uma vez, vou contrariar tendências da blogosfera. Ao contrário de muitos, não gosto de fazer listas dos 10 melhores do ano, quer seja em termos de filmes, livros ou de música. Primeiro, porque acho que essa é uma tarefa que não me compete (compete aos críticos e aos jornalistas); segundo porque não domino o suficiente as áreas (tirando Cinema, e mesmo assim, prefiro não o fazer, porque sei que há imensos filmes de cinematografias desconhecidas que nos estão sempre a escapar); e terceiro, pelo facto de não me apetecer estar a ler coisas chatas só para poder fazer listas.

Sou muito preguiçoso para ler, principalmente coisas que eu não me despertam grande interesse. Houve uma fase da minha vida que lia imenso. Lia não, devorava. Houve alturas em que lia romances policiais em dois dias - Agatha Christie, Sherlock Holmes - tal era o prazer em descobrir assassinos em intrigas densas, cheias de personagens suspeitas.

Hoje em dia, continuo a gostar de ler. Mas não tanto como antigamente. Ver um bom filme ou bom programa de televisão acaba por ser mais económico em termos de tempo, e igualmente compensador. Neste momento, estou a ler o livro do Zé Diogo Quintela, Falar é Fácil. Anteontem acabei um livro de terror da colecção Pêndulo da Europa-América, O Comboio Fantasma.
Não são propriamente livros que prenderiam os críticos mais intelectuais, mas também, em termos literários, nunca me considerei um intelectual.

domingo, 26 de dezembro de 2010


New Age e Chillout são dois estilos de música que eu pura e simplesmente adoro, que de vez em quando passam nas rádios, mas só muito raramente - são géneros bastante menosprezados, se formos a comparar com as incessantes e repetitivas playlists de rock e pop que vão sempre para o ar.

Este tema dos Era, por exemplo, é capaz de me transportar para lugares e tempos que nunca vivi, e de uma forma que as músicas mais comerciais nunca conseguem.

domingo, 19 de dezembro de 2010

The stuff that dreams are made of

Revisto Inception hoje, pude observar com mais atenção algumas das layers (uma vez que o filme também é formalmente construído sobre layers) que me tinham escapado da primeira vez no cinema; e acreditem-me, o filme é grande, se nunca o viram, por favor façam o favor de salvar a vossa vida de uma vez, indo buscá-lo ao videoclube mais próximo.

Revendo-o, constatei o quanto cresci desde que o vi há uns meses... mas ao mesmo tempo constatei o quanto ainda tenho de crescer para verdadeiramente me conhecer.

A viagem está longe de terminar.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O passado e o presente

Esta noite, tive insónias (o que é raro) e aproveitei para reler coisas antigas que comprei. Uma delas, é um lançamento de 1996 do Cineclube de Faro, intitulado Os Bons da Fita, com entrevistas feitas a realizadores e produtores importantes da altura.

A maior parte deles mantém-se no activo - Oliveira, Pedro Costa, Teresa Villaverde, etc. Mas o que me chamou particularmente a atenção no livro, apesar de alguns aspectos datados, é a constância do pensamento dos realizadores da altura comparado com hoje em dia. Já em 96, João Mário Grilo se afligia com a ignorância cinéfila dos seus alunos (que nunca haviam visto Chaplin ou Griffith), já então António Pedro Vasconcelos clamava no deserto por uma indústria cinematográfica portuguesa (embora não com a persistência de hoje em dia) - ou seja, o que eles são hoje em dia é um seguimento bastante compreensível daquilo que eram.

O aspecto claramente mais datado no livro, é quando o entrevistador faz a eterna pergunta "Como vê o panorama do cinema português actual? É optimista ou pessimista?". Não só alguns cineastas da altura revelavam um optimismo comovente que nunca esperaríamos deles hoje em dia, como também dizem algumas coisas que hoje seriam politicamente incorrectas, a nível de falta de apoios do instituto de Cinema, acusações naquela altura bastante inócuas, em pleno tempo de vacas gordas.

domingo, 28 de novembro de 2010

O que é ser português? # 2

Cada vez estou mais convencido que ninguém sabe, nem mesmo os portugueses. Como tal, face ao vazio que sentia, resolvi fazer uma breve pesquisa na wiki, para ver o que os de lá fora pensavam de nós. Relembro que a wiki possui não apenas informações da autoria de portugueses, mas também informações escritas por gente estrangeira.

Constato então atónito, que a tão falada crise que todos os dias nos é esfregada na cara pelos noticiários, não tem grande relevo por aqui. Há um artigo específico dedicado aos nossos problemas económicos é verdade, mas essas questões não têm lugar nas primeiras linhas de apresentação do nosso país. Segundo o artigo da wiki, Portugal é o 19º país do mundo com melhor qualidade de vida, e o 13º mais pacífico.

Será que estas qualidades são referenciadas de vez quando nos noticiários? Nem pensar. Porque there's no news like bad news para as agências de informação.

Não há melhor que a wikipedia para nos reencontrarmos de forma objectiva com o nosso próprio país.

sábado, 27 de novembro de 2010

A natureza do mal


Nas recentes prequelas de Star Wars, uma ameaça fantasma paira ao longo dos filmes - é Darth Sidious, que consegue manter a sua identidade secreta de todos, inclusivé dos jedi, que estão desorientados; como tal, vai controlando na obscuridade a República.

Nestes últimos dias, tenho chegado cada vez mais à conclusão que o mal quando se resume a uma figura só, não é o pior dos cenários, pois podemos tentar atacar e matá-lo logo pela raiz.

A meu ver, o mal mais perigoso é quando está escondido por trás de um colectivo, que facilmente se poderá auto-desculpabilizar, se alguma coisa der para o torto. É o mal que persegue os tempos que vivemos, tempos de auto-desresponsabilização, em que estamos a ser controlados que nem rebanhos pela comunicação social, mas as pessoas insistem de forma naive em atirar as culpas para os suspeitos do costume - os governantes.

E assim, as pessoas continuam a perpetuar o eterno retorno.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

No rescaldo da greve...

Anteontem tive um pesadelo estranho. Sonhei que me tinha embebedado em Sintra e não havia comboio de volta para casa. Relembro aos leitores que a vila de Sintra é mesmo ao lado donde eu moro.

Andei que nem um perdido à procura de transporte, mas nada - estava tudo em greve. Até que decidi voltar para casa a pé, pela estrada da Portela de Sintra. Mas estava exausto, e fui caindo ao chão várias vezes, rastejando pelo caminho. Na estrada passavam vários carros, alguns deles com amigos e conhecidos lá dentro, que me acenavam no gozo. Ninguém me dava boleia.

Creio que o significado deste pesadelo é bastante óbvio, e explicativo dos erros que tenho cometido ultimamente, na minha vida.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Nostalgia dos 80s


Ontem tive oportunidade passar uma vista de olhos na Caderneta de Cromos do Nuno Markl, e devo dizer que não admira que aquilo esteja a ser o sucesso que é - dividido em capítulos com temas desde a música à televisão, desde os aparelhos electrónicos até aos hábitos daquela altura, é fórmula mais do que certa para atrair malta dos 30 para cima.

Mas o que é refrescante ali, é aquilo não cair numa nostalgia bafienta. Markl não tem pejo em destronar algumas do que eram vacas sagradas na altura, reduzindo-as ao ridículo que eram.

Eu não tive oportunidade de viver muito os 80s, pois nasci em 83, mas devo dizer que não tenho muitas saudades. Era uma época em que, se queríamos arranjar um filme, era complicado como o caneco, para além de termos de levar com esse flagelo nacional de todos os homens terem um bigode à taxista.

Tenho bem mais saudades dos 30s, que foi uma época que não vivi, e parece-me bem mais elegante.

sábado, 6 de novembro de 2010

It's depressing that the words "secret agent" have become synonymous with "sex maniac."

Sir James Bond

Cada vez estou mais convencido de que a versão de Casino Royale de 67 é uma obra-prima negligenciada. É o que também defende Von Dassanowsky no seu artigo do Bright Lights.

Os fãs de 007 odeiam o filme, os críticos trucidaram-no à data de lançamento, mas o que é certo é que o filme tem um charme discreto que escapa a muitos filmes oficiais da saga do agente secreto - neste filme "bastardo", é cristalizado um período histórico único, com os medos da guerra fria no máximo, e o psicadelismo de uma época bizarra, em que qualquer realizador que filmasse os actores através de um aquário era considerado um grande artista.

Em que outro filme 007 é possível ter um cast destes? - David Niven, Deborah Kerr, Peter Sellers, Woody Allen, William Holden, Charles Boyer, John Huston, Joanna Pettet, Ursula Andress.

Casino Royale é uma loucura de filme, e um filme para gente louca, num mundo louco - atira farpas aos filmes com Connery, bem como ao mundo "moderno" prestes a emergir. Um mundo em que as mulheres adquirem uma dimensão predadora e em que ameaçam suplantar os homens. Mas em que, ao mesmo tempo, tal acontece por os machos terem uma mentalidade passé e estarem completamente desadequados.

Aqui, vemos Sir James Bond enfrentar um grupo de raparigas entre os 16-18 anos num castelo escocês; conhecer uma filha ilegítima, que lhe faz avanços sexuais; uma partida de baccarat que segue fielmente o livro (ou talvez não); vemos o quanto Orson Welles podia ser um pulha, intimidando actores como Peter Sellers para fora do set (esta é para os auteuristas fanáticos que ocasionalmente passam pelo meu blog); e vemos Woody Allen como Dr. Noah. Agora respondam-me - em que outro 007 podem ver isto?

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Inesperadamente...

O debate mais importante da blogosfera cinéfila surgiu aqui. A não perder.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

The Bad and the Beautiful é um dos maiores filmes clássicos de sempre. E consegue sê-lo, dando uma visão negra e cínica da mesma indústria que o produziu. É corajoso a esse ponto.

Lana Turner, Dick Powell e Barry Sullivan são os três traídos pelo bad do título - Kirk Douglas, um produtor impiedoso, que não olha a meios para conseguir que os seus sejam os melhores filmes de Hollywood.

Ontem como hoje, importa (re)ver The Bad and the Beautiful, para desmistificar um bocado a tão falada "magia" do cinema, que é falsamente propagada pelas revistas cor-de-rosa, e entre a malta mais jovem. Trabalhar em Cinema pode ser (acreditem-me) mortífero.

A autoridade


Tou sempre a aprender, com o César Monteiro.

sábado, 23 de outubro de 2010

A minha opinião sobre a revista Visão

Eu já há algum tempo que duvidava da credibilidade jornalística da Visão, mas ia dando o benefício da dúvida, em virtude de ter alguns bons comentadores e algumas capas minimamente credíveis e interessantes.

Porém, quando hoje de manhã peguei aleatoriamente num exemplar da mesma, um exemplar de Junho, tive a certeza daquilo que há muito desconfiava - a Visão está a tentar desesperadamente não perder a clientela para a Internet e a blogosfera, seja a que preço for, mesmo deturpando a realidade.

O exemplar que peguei tinha como capa o título "Quatro dias com a seita do sexo", e eu desconfiei do que se poderiam estar a referir - ao Festival Osho que decorreu no Junho passado. Porém, não acreditei que os jornalistas da Visão tivessem tal lata. Quando abri a revista, vi que era verdade - a reportagem narrava a odisseia de um "lúcido" jornalista infiltrado no festival, para narrar tudo o que encontrasse, mas com enorme relevo para os detalhes mais salivantes.

Até consigo imaginar o jornalista a pensar "O que é que eu posso fazer para conseguir uma capa na Visão? Tem que ser algo bastante porco, a ver com sexo, adicionado com mais alguma coisa bizarra. Que tal a 139ª namorada do Cristiano Ronaldo? Nah, isso tá muito batido. Já sei, bora narrar o que acontece neste festival de hippies maluquinhos, mesmo que deturpe a realidade."

Acontece que, quem conhece minimamente a filosofia de Osho, sabe bem que ele é (sim!) a favor do sexo sem inibições, mas que esse é apenas um aspecto tangente à filosofia de amor dele. Reduzir o Festival Osho a uma "seita de sexo livre e promíscuo", é não apenas alterar o significado de uma componente, é também deturpar todo o conceito do Festival.

Posto isto, duvido que volte a comprar a Visão tão depressa.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A minha opinião sobre a Premiere, 2ª edição

Sinto a falta de Criswell. O preço também subiu, o que com a crise, não ajuda.

Mas, no lado positivo, esta nova Premiere talvez procure mais afincadamente estar perto das pessoas, com a vastidão de artigos sobre os filmes comerciais em cartaz, bem como das séries que povoam o pequeno ecrã (uma concessão inevitável), e tem mais artigos sobre cinema português que a antiga.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ascensão e queda da classe média

Vi o filme ontem, e gostei imenso, foi uma experiência forte assistir a uma face da Inglaterra que muitas vezes procuramos ignorar.

Ao mesmo tempo, sendo realizado no distante ano de 1993, achei-o uma metáfora adequada do buraco em que as classes trabalhadoras se vieram a meter, nestes últimos anos, muitas vezes se calhar, por responsabilidade das mesmas. A maneira como aquele pai rejeita com horror a mera sugestão construtiva do padre em a sua a filha usar um vestido em segunda mão para a primeira comunhão, quando se trata de uma peça que apenas vai ser vestida num único dia da vida; encapsula de forma indelével muitos dos maus hábitos que as classes médias de toda a Europa vieram a desenvolver com o Welfare State. Eu usei roupa em segunda mão na minha primeira comunhão, e não morri por isso.

domingo, 10 de outubro de 2010

Tomada de posição

Uma das principais bandeiras de João Lopes é o facto das classes políticas nada terem a dizer sobre o estado da televisão e das imagens que diariamente interrompem/invadem a nossa vida.

Há quem tenha medo de voltarmos à ditadura, se houver intervenção exterior. Eu não. Eu tenho muito mais medo da ditadura televisiva. Como tal, nesse âmbito, estou com JL.

domingo, 3 de outubro de 2010

Black Narcissus

Estava agora a folhear o livro da Cinemateca dedicado ao Cinema e Pintura, deparei-me com fotogramas de Black Narcissus, e constatei que nunca vi esta obra-prima de Powell e Pressburger no grande ecrã, só na tv e posteriormente em dvd, o que é uma blasfémia, pois o filme é dos meus favoritos.

Aliás, quanto mais séries vejo, mais me dá a sensação que o pequeno ecrã é o palco ideal para elas mesmo, e não tanto para os filmes, cuja magia não é devidamente captada nesse terreno - na minha opinião, só devemos ver os filmes em tv, quando não houver mesmo outra chance de os ver em sala de cinema.

No entanto, vou ver um dia Black Narcissus no grande ecrã, estou certo. Aqueles filmes que eu amo genuinamente, e que apenas consegui ver em casa, costuma dar-me uma sensação de que me faltam segredos latentes nas imagens - por vezes, uma imagem ampliada, se for numa cópia boa e não muito pintalgada com riscos, pode revelar algo que nos escapou à primeira vista.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Não sei, nem quero saber

Não votaram nele? Agora desenmerdem-se. As coisas não estão assim tão más quanto as pessoas dizem - se tivessem, não passavam o tempo nos shoppings e a cortar na casaca do patrão e dos colegas de trabalho.

Os melhores filmes de sempre, segundo o AFI #2


Outra escolha acertada. Os musicais pura e simplesmente estão demasiado esquecidos, hoje em dia.

Os melhores filmes de sempre, segundo o AFI #1


Tá bem, é uma lista muito americana, mas há algumas escolhas bastante acertadas. Como esta para primeiro lugar - Citizen Kane é dos maiores filmes que já vi, se não até o melhor. O tema da ascensão e queda de um self-made man milionário, uma interpretação monumental de Orson Welles, aquela fotografia e a banda sonora arrepiante de Bernard Herrmann... Se nunca viram, não são dignos de se chamarem cinéfilos.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Duas palavras para João Lopes

Acerca deste texto:

1) Boa iniciativa a de elogiar Cintra Ferreira. São raras as vezes que os críticos se elogiam mutuamente, frequentemente parece até que não se dão uns com os outros.
2) Creio que não tem que recear tanto os críticos nascerem como cogumelos na blogosfera, pois o que não falta por aí é gente a cagar postas de pescada. Críticos a sério, como o João, há poucos.
Bom post n' O Homem Que Sabia Demasiado, sobre o tédio.

Também é algo que eu ocasionalmente padeço. E vocês, que fazem para acabar com o tédio?

domingo, 26 de setembro de 2010

O affair rtp 2

Longe vão os tempos em que a rtp 2 fazia serviço público. Disso já não tem nada, neste momento, tanto a rtp 1 como a rtp 2, procuram ter o máximo de audiência com o mínimo de serviço público, como diz e bem Eduardo Cintra Torres.

Entretanto, o Luís Mendonça e o meu amigo Miguel Domingues lançaram uma petição para uma melhoria da programação de cinema no canal, na qual se inscreveram alguns famosos como Inês de Medeiros e Gonçalo Waddington.

Eu fui dos primeiros a inscrever-me, não acreditando muito que o meu minúsculo nome pudesse surtir algum efeito nos programadores do canal. Mas, ao contrário de Cintra Torres, eu fui movido por outro instinto - pela que eu ainda tenho que isto um dia venha tudo a mudar, e a que as pessoas abram os olhos acerca do que andam a fazer com o nosso dinheiro na TV.

Uma televisão que se diz pública não pode usar o nosso dinheiro para comprar filmes como Harry Potter e Homem Aranha, trazendo lixo atrás que é atirado ao calhas pela grelha. Uma televisão que se diz pública deve servir primariamente o povo a quem ela é subordinada - o povo português.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Como é que eu não vi este filme antes?

Enemy at the Gates (2001) nunca me interessou particularmente ver, talvez pelo poster um tanto desinteressante (a lembrar jogos impessoais de pc), talvez pelo desastre que foi o filme mais ou menos seu contemporâneo e também passado na II Guerra, Pearl Harbor, que me desmotivou de ver épicos de guerra tão depressa.

O que é certo é que há dias apanhei uma cena no Canal Hollywood que me chamou a atenção. Tratava-se de uma cena em que Ed Harris está a falar com o miúdo colaborador que tenta jogar nos dois campos, uma cena de tenebrosa tensão no ar, magnificamente representada. A seguir, aparece-me Jude Law e Joseph Fiennes no ecrã, a fazerem não de americanos, não de britânicos, mas sim - pasme-se - de soldados soviéticos. "Tenho que ver isto", pensei eu.

Programei um visionamento para tão depressa quanto pudesse, e senhores, valeu a pena. A crítica portuguesa e estrangeira desancou forte e feio na altura, mas o filme não o mereceu. Está bem, este é protótipo de produções em que a veracidade histórica não é a preocupação primordial, mas isso é assumido logo desde o começo da história. Enquanto valor de entertenimento, um filme de guerra não consegue ser muito melhor do que isto, acreditem.

Creio que um dia, no futuro, o filme será reavaliado para a importância que lhe é devida. Interpretações surpreendentemente convincentes de todos os actores, principalmente de Jude Law, Ed Harris e Rachel Weisz (aqui dando já uma pequena amostra da espantosa actriz que conhecemos).

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Grande, grande João Lopes

Atreve-se a questionar essa autêntica vaca sagrada tuga, os dinheiros para o futebol, bem como o silêncio das classes políticas face às escandalosas quantias movimentadas nesse meio.

E ainda falam em contenção financeira e em crise. Qual crise?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010


Este vídeo já anda há algum tempo no youtube, já o tinha visto, mas não na totalidade. Esta é mais ou menos uma versão feminina do Zézé Camarinha, e a cena pertence ao filme "O que Farei com Esta Espada?", de João César Monteiro.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A futilidade do Ensino #7

O que é ser inteligente?

A Escola está ainda muito baseada na valorização da Inteligência escrita, sendo que quem melhor memoriza os textos para as provas globais, é quem terá melhor nota no final do ano.

Mas corresponderão os critérios escolares à selecção efectiva dos alunos mais inteligentes? Veja-se o célebre caso de Albert Einstein, que era um aluno medíano mesmo a Matemática, e veio a revelar-se o génio da Física.

E Hitchcock por exemplo? Este era um aluno medíano na escola, nunca se interessando em ter melhores notas. Só mais tarde, quando começou a trabalhar nos estúdios de Cinema, começou a revelar talento para o desenho de intertítulos, no Cinema Mudo, e posteriormente tornou-se o Mestre do Suspense no cinema.

Até que ponto o Ensino não terá subvalorizado a inteligência de algumas pessoas e sobrevalorizado outras? Será que o Ensino ainda hoje não assenta demasiado na escrita? Porque não se investe mais em outro tipo de inteligências? Existem pessoas inteligentes que podem não ser dadas à memorização entediante de manuais, e terem talentos pouco explorados, a nível das inteligências visuais, musicais, ou corporais, por exemplo.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A futilidade do Ensino #6

A Filosofia, tal como é dada nas escolas, é maçuda, lenta, pouco concreta, e de utilização prática no dia-a-dia quase nula. Não se favorece o verdadeiro debate, o questionar de forma pertinente, a dúvida - preferem-se as certezas de gente que morreu há uma data de séculos (como todo o devido respeito a Nietzsche e a outros mestres), sem os professores se darem ao trabalho de contextualizar a época deles, e a importância das teorias dos mesmos.

Não admira que o pensar e o dialogar esteja tão deficitário hoje em dia. Os pais em casa não ajudam, e a escola, em que a Filosofia poderia ser a última chance de muitos compreenderem a vida, é dada de forma vaga e inexplicável, exigindo-se o decorar de textos, no lugar da sua verdadeira compreensão.

Será o Ensino Secundário assim tão importante e fundamental, comparado ao Ensino Preparatório?

A futilidade do Ensino #5


O Ensino Público, como está organizado, favorece a formação de turmas enormes, de 30 ou 40 alunos. Quem é o professor que consegue estabelecer ordem numa turma desse tamanho? Eu só me lembro de 2 ou 3 - mas esses tinham o toque do divino, e estou certo que têm um lugar reservado no céu, pela eloquência e pela capacidade de captar a atenção.

Para além do caos que se instala, as escola públicas são frequentemente palco de tensões sociais, sexismo, racismo, e bullying. Estes são problemas que prevalecem, e que nem mesmo as novas gerações tanto de professores como alunos, conseguiram lidar e solucionar.

Todo o conceito de escola enquanto sítio para estar e para se aprender precisa de ser revisto.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Quando coisas más acontecem a pessoas boas

Pauline Kael dizia que um filme é só para ser visto uma vez na vida. Apesar de ela ser a pessoa que mais gozo me deu a ler sobre Cinema (pelo feitio intratável, mas também por um acutilante sentido crítico), eu discordo dela. Acho que um filme pode ser revisto, se for para nos dar um novo prisma de algo que nos escapou.

Vem esta conversa a propósito de Funny Games, que visionei hoje, a versão original de 97, para ser preciso. Vi o remake protagonizado por Naomi Watts no cinema não há muito tempo, que odiei e não foi pouco - achei um filme sádico, manipulador, de uma frieza desumana da parte do realizador, e saí da sala revoltado com o destino que é dado à família.

No entanto, ao ver a versão original, verifico que esta surpreendentemente resulta, apesar da história ser idêntica. Porquê? Talvez por o filme ser alemão. Talvez por ter actores que não conhecemos tão bem. Talvez por vermos aquele cenário ser mais plausível na Europa? Não, isso também não. Então e o massacre da mulher e dos amigos de Polanski, que sucedeu em 1969? Talvez a principal força no original resida no facto de ser um comentário à sociedade americana, enquanto o remake falado em inglês se anula a si mesmo, por se passar nos EUA, o país visado no primeiro filme.

No original de 97, nem a cena do telecomando, que no remake fez as pessoas gritarem "buh!" de ultraje no cinema, me revoltou. Talvez pelo facto de eu já saber que destino iam ter as personagens, fez-me ver com frieza todo o espectáculo de horror que se passava à minha frente. E então o original fez-me constatar uma série de coisas:
- A nossa sociedade está tão anestesiada na dependência de telefones e telemóveis, bem como nos confortos materialistas, que sem se aperceber, isso irá causar a sua própria auto-destruição;
- Vi o quanto devem ter sofrido os ocupantes da casa de Cielo Drive, nas mãos daqueles monstros, em 1969;
- A complacência com que toleramos certos indivíduos e certos comportamentos agressivos, poderão causar a nossa aniquilação;
- Tentar chegar a uma conversa racional com serial-killers, ou tentar convertê-los à nossa razão (eu não digo à Razão, pois eles têm uma razão própria), poderá causar a nossa morte;
- Quando eu estiver numa situação que me desagrade, tal como acontece com a cena dos ovos, no filme, vou pensar seriamente em agarrar no primeiro objecto contundente que tiver à mão, e matar para não ser morto - o que não falta por aí é psicopatas a estudarem a melhor maneira de nos chacinarem.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Esta noite tive um daqueles sonhos longos e reveladores, de tal forma que assim que acordo, sinto que cresci mais naquelas horas na cama do que em anos de curso universitário.

O sonho teve duas partes. A primeira mais negativa, a segunda geralmente mais positiva. Na primeira via-me numa espécie de espectáculo ou circo, o que eu estava ali a fazer não é muito claro, mas creio que estivesse a fazer qualquer espécie de trabalho. Lembro-me de estar a ser atormentado por um colega, que me custou a livrar dele, mas que consegui após muito esforço. Sinto também muitos olhares em cima de mim.

A segunda parte surge como uma espécie de recompensa ao facto de eu ter passado a primeira parte. Saio desse circo, acompanhado por uma bela rapariga morena (é engraçado como as mulheres-desejo nos meus sonhos costumam ser morenas) em traje de noite, elegante. Ela leva-me pela cidade à noite, por ruas, depois por uma espécie de chafariz enorme, e conduz-me a uns subterrâneos. Sinto que consumamos o nosso amor e tornamo-nos inseparáveis. Ela ensina-me os mistérios da vida. A postura dela em relação a mim é quase protectora, a orientar-me no caminho certo. No entanto, influências nefastas e pessoas venenosas metem-se no nosso caminho. Eu não consigo abaná-las.

Entretanto, o despertador tocou. Este é um daqueles sonos que gostaria de ter continuado.

domingo, 5 de setembro de 2010

Este post é fantástico. É o retrato da Tv portuguesa, tal como ela é.

Só tenha pena do autor não escrever mais.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Regresso à infância (V)

Nunca me habituei muito a B.D's de super-heróis, achando-os um bocado como as telenovelas - prometendo muito mas contando pouco, constantemente adiando maiores emoções para o capítulo seguinte. A minha colecção não chega aos 20, creio, sendo que muitos foram oferecidos por família e amigos.

Não obstante, habituei-me cedo a requisitar albuns de Banda-Desenhada nas Bibliotecas Municipais, como tal cedo me comecei a fascinar por mundos como os de Tintin, Blake & Mortimer, Asterix ou de Lucky Luke.

Mas a B.D. que mais indelevelmente me marcou, enquanto indivíduo, foi a série XIII, editada pela Meribérica-Liber. A trama é baseada nos livros da série Bourne, da autoria de Robert Ludlum: um homem amnésico é acolhido por uma série de pessoas, que subsequentemente acabam assassinadas; e ele vem a descobrir que no passado havia sido um assassino contratado para matar o presidente dos EUA!
A série XIII ainda hoje se lê bem, enquanto adulto: tem um magnífico estilo de desenho, uma intriga excitante e plena de mistério, momentos de acção e de perseguição, e consegue muitas vezes ser mais excitante do que os próprios filmes da série Bourne.

O único senão, é que a editora Meribérica-Liber lançou os livros a uma velocidade de caracol, e acabou por falir em 2004! - o primeiro volume traduzido em português foi lançado em 1988, e apenas foram lançados no nosso mercado 9 volumes dos 19 originais.

Descobri esta pérola num manual antigo de Filosofia

O quadro original de "A Escola de Atenas", pintado por Rafael, no Renascimento.


A sua versão pós-moderna "A Escola de Hollywood", da autoria de Suzanne Albers.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A futilidade do Ensino #4

A meu ver, o Ensino ideal deve incentivar a diversidade e pluralidade, tanto de escolhas, opções de vida, bem como de raças e diferentes costumes.

Foi com alegria que reli um texto no manual da 4ª classe em que se celebravam as diferenças raciais - "É tão bom ser preto como o chocolate / É tão bom ser branco como a neve, etc" - a bem de um mundo mais harmonioso e pacífico.

No entanto, não é sem um enorme desgosto que constato o quanto posteriormente o Ensino tende a preferir a massificação do pensamento, no lugar de continuar a apostar na tolerância à diferença. Começam a dar-se autores sem se explicar porquê (Porque sim!, gritavam os professores connosco), começa-se a dar coisas sem sabermos bem a utilidade que terão no futuro (as equações inenarráveis de Matemática), e o diálogo entre professores e alunos não é promovido, ficando antes uma desconfortável e prejudicial distância no ar. Os conflitos na Escola são muitas vezes varridos para debaixo da carpete, sem se preocuparem em como poderão vir a explodir de forma violenta poucos anos depois.

O Ensino português, a manter-se assim, caminhará (e de forma merecida) na direcção da inevitabilidade. E aí será tarde demais, de nada valerá os professores virem dizer que não tinham culpa, e os Ministros de trazer por casa darem desculpas para a incompetência crassa na gestão das escolas.

A futilidade do Ensino #3

Continuando a minha jornada no passado, e os apontamentos mais ou menos autobiográficos, devo dizer que nem todo o Ensino é fútil em Portugal. o Ensino Primário é bastante bom, estudam-se coisas que devem ser estudadas - Português, que é essencial para falar e escrever; Matemática, porque é imprescíndivel no nosso dia-a-dia; e Estudo do Meio (que creio deveriam ser alargadas as temáticas e carga horária), em que se dá Geografia, um bocado de Ciências, e se dá História, para além de formar um sentido de identidade nacional.

Não obstante, levanto o meu caso contra o Ensino Preparatório, que continua muito rígido, com os mesmos escritores, os mesmos autores dados ao longo das 2 últimas gerações, para além de procurar aprisionar os alunos dentro das suas paredes, sem se preocupar em ocupar de forma útil o tempo útil dos mesmos. Enquanto estão lá dentro fechados, podia-se apostar mais na Educação Cívica, Ética, bem como no Ensino Artístico (constantemente menosprezado) com Música, Dança, Expressão Teatral, etc.

Em vez disso, a maior parte das escolas pura e simplesmente não sabe o que fazer com os alunos, deixando-os na maior parte das vezes entregues a si próprios. Será este um Ensino credível para os nossos dias?

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Dois filmes, as realidades, e os tempos que correm


A visualização de Memento e a revisualização de Matrix, dois filmes pós-modernos completamente imperdíveis, fez-me repensar as questões da Física, as questões da realidade e dos mundos paralelos. Até que ponto conhecemos o mundo? Será que o que vemos corresponde à realidade ou será apenas uma ilusão criado por nós ou pelas pessoas à volta?

O meu amigo JF entretanto enviou-me um link muito interessante em que um físico discute precisamente a hipótese de haver mundos paralelos. Achei os três vídeos imensamente interessantes. No entanto, o autor do Saindo da Matrix acaba por se equivocar ao colocar um post mais abaixo criticando Lady Gaga e Christina Aguilera, mostrando-se chocado com os videoclips mais recentes das mesmas, e beatificando Madonna, em elogios quase orgásmicos não muito diferentes de muitos fanáticos da blogosfera.

O argumento apresentado pelo autor é (pasme-se) o dos videoclips de Gaga e Aguilera apelarem à preversão e à prostituição das jovens. Mas será que as jovens são todas estúpidas e não sabem distinguir onde pára a realidade? E será que Madonna não usava os mesmos meios e artíficios antes de se tornar uma mulher "completa" e "bem resolvida", como o autor a descreve para o presente?

Até que ponto o que nos é mostrado no ecrã não será abertamente uma encenação/erotização de uma artista? Até que ponto, por vezes, não nos tornamos captivos das nossas nostalgias pessoais, e as defendemos cegamente, ignorando que o mundo tem que andar para a frente?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A futilidade do Ensino #2

Continuando a minha jornada no medo... perdão, no passado, reobservo o equívoco mais grave do Ensino - acreditar que se pode medir a qualidade de um aluno, através de testes escritos.

É um erro crasso, pois os testes foram feitos apenas para aqueles alunos que memorizam bem. É verdade que há alguns que memorizam e são excelentes alunos, mas quantas vezes não vemos por aí gente burra licenciada, que a única coisa que fez na vida foi memorizar sem consciência crítica?

E que dizer das inenarráveis provas globais ou dos infames e pomposos Exames Nacionais? Apenas pretextos para os professores assustarem os alunos e fazerem bluff em relação ao que poderia acontecer se não saísse a matéria esperada.

Para quê exames? Para quê tanta formalidade e estupidez pura e simples quando volvidos quase 10 anos de eu deixar o liceu, os alunos transitam mesmo sem saberem? Para que serviu tanta ameaça dos professores?

Sonhos recorrentes

Interrompendo momentaneamente os posts sobre a minha jornada no passado, esta noite tive um sonho que às vezes costumo ter - pelo menos nos mesmos locais e com eventos semelhantes.

O sonho consiste em eu ter uma vista sobre uma espécie de jardim público bem cuidado. Eu estou numa varanda e vejo o jardim por baixo de mim. Do outro lado, encontra-se uma casa grande, elegante. Algo me move a descer ao jardim e ir falar com algumas pessoas que estão lá em baixo. Lá, procuro falar com uma rapariga que sei que tem uma mensagem para me dar. Já me esqueci das palavras - só sei que é algo de muito urgente, e não tem apenas a ver com flirt, parece que há quase uma mensagem político-filosófica por trás.

É essa mensagem que me faz explorar melhor uma casa ao pé de um penhasco, ali perto, que alberga um grupo de gente que procura o domínio do mundo. Explorando melhor a casa, inspeciono as canalizações, que têm imensas falhas e parecem estar divididas em 3 tipos de águas diferentes que são espalhadas pela população.

Não me lembro de mais nada, pois esqueci-me de anotar o sonho quando acordei. Só me lembro que acontecia bem mais do que isto, e que por vezes era quase um pesadelo.

A futilidade do Ensino #1

Folheando os livros da Primária fiquei espantado com a intemporalidade de algumas coisas - Estudo do Meio, estudo das profissões, geografia do país, matérias que adorava - mas fiquei ainda mais atónito com a forma como algumas coisas ficaram rapidamente desactualizadas, como o estudo da Matemática e resolvendo problemas como nada mais nada menos que... os escudos!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Mudar a rotina


Seria fantástico se iniciativas destas também existissem em Portugal, no Metropolitano, por exemplo. A vida já é tão secante e rotineira como é, podia-se fazer algo mais para alterar a ordem das coisas.

sábado, 31 de julho de 2010

Ultimamente, a blogosfera cinéfila (nacional e internacional) tem-me desapontado imenso, perdendo muito do seu potencial para debate e análise, raramente dizendo alguma coisa de novo. Regra geral, a blogosfera cinéfila mantem-se na sua rígida estrutura formal - crítica em que se debitam alguns juízos mais ou menos interessantes, bate-se imenso no ceguinho, mas não se vai muito além disso. Raras vezes há insights luminosos da parte de quem escreve, raras vezes temos vontade de voltar a ler alguma coisa de um autor.

Tal não sucede neste texto do Carlos Natálio, que me surpreendeu muito pela positiva, principalmente porque raras vezes tenho lido textos tão bons sobre a relação do espectador com o filme. E o Carlos fá-lo de forma muito cativante e credível ao mesmo tempo.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Morte aos feios! (ou: Breve análise dos tempos que correm)

Na ressaca da morte de António Feio e depois de ver a entrevista ontem a um grande mestre da representação em Portugal, Nicolau Breyner, em que este defendia a utilização de caras bonitas na TV, lembrei-me a forma como a gente feia é injustamente ostracizada nos tempos que correm.

Se hoje em dia, as pessoas olham para o passado com sarcasmo e gozo, face ao fanatismo religioso que havia, em torno da Virgem Maria, e aos tempos de vassalagem da Idade Média como algo completamente grotesco; pergunto-me se daqui a uns séculos não se olhará para os tempos em que vivemos como tempos ridículos, como tempos em que só se valoriza a aparência exterior, em que as aparência valem tudo e o interior vem em segundo plano.

domingo, 25 de julho de 2010

Ascensão e queda (talvez merecida) da MGM


Ontem estava a ler a revista/suplemento do DN, havia lá uma longa reportagem sobre a falência da MGM (se puderem leiam-na) e houve uma frase que me chamou particularmente a atenção - "Se pensarmos no património cinematográfico da MGM, entre elenco, realizadores e títulos, parece muito mais plausível uma bancarrota dos EUA do que da MGM."

E esta frase fez-me lembrar que, por vezes, mesmo os impérios mais sólidos e monopolistas não são eternos. Se Louis B. Mayer soubesse que o que os especuladores e executivos fariam ao seu estúdio, estou certo que ele se meteria numa máquina do tempo para lhes vir cá dar uma lição.

Como é possível que um estúdio que produziu alguns das maiores obras-primas do Cinema, chegue ao fim?

sábado, 17 de julho de 2010

O "melhor" da televisão portuguesa #3


A série Caixa Alta, que não deixa saudades. As cenas de acção e de perseguição chegam a ser surreais, de tão mal feitas que são.

O "melhor" da televisão portuguesa #2


Os Gato Fedorento satirizam aqui uma série admirável, intitulada Alentejo sem Lei, realizada por João Canijo. É sempre hilariante rever estes Tesourinhos Deprimentes.

O "melhor" da televisão portuguesa #1


O brilhante humor pós-moderno dos Gato Fedorento, analisando algumas das coisas mais inenarráveis que se fizeram na tv portuguesa.

Aqui, vemos a espectacular série filmada na Madeira Homens de Passagem, nos obscurantistas anos 90.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Mais palavras sábias...

"Vivemos num mundo saturado de informações prontas a consumir, acabadas, mas que não estimulam o Homem a pensar e a desenvolver a consciência crítica. Os livros de auto-ajuda, que saturam as sociedades modernas, têm a sua utilidade, mas frequentemente pensam pelo leitor, apresentam respostas prontas, o que estimula muito pouco a arte de pensar e o desenvolvimento da inteligência.
(...)
O status de ser um "intelectual" é um jargão social inadequado e preconceituoso, pois discrimina a grande massa de seres humanos que, embora não possuam cultura académica e não tenham títulos de pós-graduação, apresentam igualmente os mesmos complexos e sofisticados processos de construção dos pensamentos."

in Inteligência Multifocal

Augusto Cury

"O portador da síndrome da exteriorização existencial vive a pior de todas as solidões: a solidão de se ter abandonado a si mesmo na sua trajectória existencial. Aliás, nas sociedades modernas, em detrimento dos encontros sociais, eventos desportivos, indústria do entertenimento e navegações pela Internet, a solidão intensifica-se. As pessoas estão próximas fisicamente, mas muito distantes interiormente; conversam sobre o mundo que as circunda, mas não dialogam sobre si mesmas. As sociedades modernas são mudas no que diz respeito à troca de experiências existenciais. Não é apenas o diálogo interpessoal que está empobrecido, mas também o autodiálogo, aquele através do qual interiorizamos e o procuramos os fundamentos das nossas reacções, inseguranças, fobias, tensões e angústias."

Augusto Cury in Inteligência Multifocal

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Ricardo dos espíritos


Ultimamente, os meus sonhos têm sido muito fellinianos - é uma boa maneira para encontrar soluções para os problemas diurnos.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Bill Gates, seu filho-da-puta

Cada vez que me lembro das palavras do Bill Gaitas, que um dia haveria um computador por cada pessoa no mundo, e que os computadores seriam o futuro, blá blá, dá-me vontade de comprar uma passagem para os EUA e atirar-lhe uma bigorna à cara, no lugar da tarte que lhe mandaram da outra vez.

Enquanto Ser Humano, creio que as máquinas nunca deviam falhar - por isso mesmo é que são máquinas - mas o que é certo é que o meu PC pifou ontem à noite, assim do nada - sem explicações nem pedidos de desculpa.

Sr. Bill Gates... As máquinas NUNCA irão substituir o Ser Humano, pois são tão ou mais falíveis que as pessoas. E uma pessoa ainda se perdoa quando erra. Agora uma máquina...

sábado, 10 de julho de 2010

Como funciona a minha mente

Comecei agora a ler o Filhos da Matriz, de David Icke, e se a maior parte das pessoas preferem fazer troça dele e das suas teorias reptilianas, eu continuo a dar-lhe uma certa importância. Icke é pura e simplesmente um tipo que não se conforma, e não devemos levar à letra a conversa dos répteis, mas sim como uma alegoria de como o mundo está organizado (e poucos têm a coragem de ver o mundo com atenção).

Ao mesmo tempo, ler o livro permitiu-me repensar em temas que eu há algum tempo não pensava, questionar coisas que as pessoas consideram sagradas, e adoptar uma postura menos de carneiro e mais como ser humano. O livro permitiu-me re-atingir o estado de purificação máximo da minha mente, que é precisamente o estádio que eu preciso para reorganizar a minha vida, varrendo o que está mal e dando valor aquilo que tenho feito de bem.

Eu diria que a generalidade da minha existência se resume a mais ou menos isto:

1) Fase de repensar e de concretização de objectivos;
2) Fase de análise. Esta é uma fase distanciada, fria, em que eu observo objectivamente tudo o que fiz de bem e de mal. Se fiz mais de bem, continuo nas fórmulas que usei. Se fiz mais coisas de mal, tenho de repensar tudo e purificar a minha mente completamente - é nessa altura que a minha mente mais se assemelha a uma árvore despida de folhas, no Outono; e é o momento em que eu estou mais aberto à mudança.
3) Regresso à fase de concretização

sábado, 3 de julho de 2010

Regresso à infância (IV)


Deixo aqui uma das cenas que mais admiro de um dos meus filmes de infância, que considero estar injustamente esquecido - Flash Gordon, a versão de 1980.

Nesta cena, Flash (interpretado pelo actor-boneco inexpressivo Sam J. Jones) enfrenta o príncipe Barin, interpretado pelo mestre Timothy Dalton (vénia agora), numa plataforma giratória com picos.

O vídeo acaba com a morte de Klytus, conselheiro de Ming, numa interpretação do fabuloso e esquecido Peter Wyngarde (um dos meus actores favoritos dos 60s); e com uma mensagem de esperança na luta contra a opressão do ditador. Por vezes, devemos unir-nos às pessoas de quem não gostamos tanto, para combater um mal mais poderoso - uma bela filosofia para o mundo de 1980 e de hoje.

O imaginário da década de 80, conjugado com a nostalgia dos old serials, com um punhado de actores brilhantes (Von Sydow, Brian Blessed), mais a música de Howard Blake e dos Queen, traz-me à memória recordações bem queridas.

Regresso à infância (III)

A seguir a Niagara, está a dar mais um episódio (ou filme televisivo?) de Poirot. Chama-me a atenção o facto de a música na banda-sonora ser um plágio algo descarado de Bernard Herrmann. Mas pronto, David Suchet é sempre fantástico como o famoso detective de bigodes arrebitados, e Jenny Agutter está no cast, logo nem tudo está perdido.

Concluo que as adaptações à televisão de Poirot de Agatha Christie, ao contrário dos filmes com Ustinov e Finney, não são para ser levadas muito a sério. São para ser vistas exactamente como aquilo que são - um postal nostálgico de uma Inglaterra daquela altura (década de 30), uma espécie de esboço, pintado de elegância, dos livros. E uma boa maneira de rever actores britânicos que pensávamos estarem esquecidos.

Regresso à infância (II)

Está a dar neste momento, na RTP Memória, Niagara, realizado em 1953, e protagonizado por Marylin Monroe. Mas eu também sempre tive uma paixão por Jean Peters.

Regresso à infância (I)

A releitura destes livros, fez-me reconstatar a excelente qualidade dos mesmos, e ter a certeza de que um dia, se tiver filhos, dar-lhes-ei a ler as aventuras do jovem Enciclopédia Brown.

Qual foi o miúdo/adolescente que nunca teve o sonho de ser detective?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O texto que vocês precisam de ler

É o texto do meu amigo João Franco, que ataca de forma acutilante e descomplexada muito do que são consideradas as "bases" da nossa sociedade. Como é possível que uma sociedade prefira as pessoas como peões numa jogo de xadrez, em lugar de os fazer felizes, enquanto indivíduos? E o papel do Estado? Como é possível serem-nos cobrados tantos impostos, e absolutamente ninguém questionar?

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Ensaio de um drama por resolver

Prevemos facilmente para onde Blood Diamond está direccionado quando se vê Di Caprio a tentar representar um mercenário durão, na guerra civil na Serra Leoa, com o pior sotaque britânico de sempre, e cortejando um mulherão como Jennifer Connelly.

Mas fraquezas à parte, e apesar de o filme não ser nada de espectacular, aqui senti-me mais tocado pelo drama africano do que em milhentas reportagens vazias de contexto, nos telejornais. Porque se continua a ver todos os dias as mesmas imagens, sem nos questionarmos acerca das mesmas?

domingo, 20 de junho de 2010

"I'm the villain, baby!"

Ver Angelina Jolie interpretando um papel de uma vida em Girl, Interrupted, declarando-se como vilã da peça à pseudo-perfeita Winona Ryder, fez-me lembrar o quanto aprendi na vida com os meus maiores opositores.

Por vezes, pessoas que consideramos malévolas e que achamos que mais valiam desaparecerem, dão-nos as maiores lições que alguma vez levaremos nesta vida. Talvez porque muitas vezes sejam a outra face da nossa personalidade - uma face que se calhar preferimos negar.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Uma grande mentira?

No seu livro Guia da Conspiração Global, David Icke defende com argumentos bastante verosímeis a tese de que o 11 de Setembro foi fabricado pelo governo Bush, com o objectivo de ter um pretexto para a invasão do Afeganistão e do Iraque, bem como uma cruzada contra o mundo islâmico.

É possível que a queda das Torres gémeas tenha sido uma espécie de incêndio do Reichstag? Até que ponto conhecemos quem domina o mundo?

Identidade fílmica portuguesa

Este é um texto muito interessante que tenta reflectir algumas das razões porque o Cinema Português falha tantas vezes na abordagem às suas temáticas, à myse en scene, e principalmente no tratamento dos diálogos.

As cenas de diálogo nos filmes portugueses não costumam sair naturais, talvez advindo do facto (defende o autor do texto) de muitos dos seus argumentistas verem filmes americanos a mais, trazendo uma realidade que não é a nossa para cá.

É uma teoria não tão rebuscada quanto possa parecer à primeira vista. Há toda uma problemática de identidade nacional a resolver com o nosso cinema, e que por muito que alguns tentem negar, as novelas portuguesas conseguiram resolver mais rapidamente, mesmo à custa de fazer o espectador passar por épicas secas, com sub-produtos xaroposos de qualidade miserável. As nossas novelas podem não ter o mínimo de noção de ritmo, mas conseguiram tornar-se decididamente portuguesas.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A inevitabilidade de certos temas

O tema de hoje do Prós e Contras, que está a dar neste momento na rtp, é o Mundial de futebol.

Depois de dúzias e dúzias de debates ora sobre crise e desemprego, ora sobre desemprego e crise, fala-se desse inevitável tema de importância fulcral para o país. Com Artur Agostinho para emprestar uma certa dignidade, e Fátima Campos Ferreira a falar de futebol no mesmo tom de voz solene com que costuma tratar os temas (supostamente) sérios.

E ainda falam que o país está mal e que estamos em crise. Mas qual crise? Meus amigos tugas que falam mal de tudo e de todos, vocês nunca conheceram dificuldades na puta da vida.

domingo, 13 de junho de 2010

Remember, remember the Fifth of November

Apesar de em pequeno gostar bastante de banda-desenhada, em adulto os comics deixaram de ser um medium que eu admirasse muito, à excepção de uma ou outra obra. No geral, acho que as BD's, mesmo as consideradas adultas, são muito derivativas, pretensiosas, e excessivamente masturbatórias com alguns autores a navegarem em obsessões pessoais de forma exibicionista.

Mesmo assim, a minha distância em relação a esse mundo, não me impediu de disfrutar V for Vendetta, que estreou em 2006 sob muita polémica, pela sua alegadamente apologística visão do terrorismo, no advento dos atentados de Londres.

Apesar do filme acabar com a destruição das casas do parlamento e do Big Ben, de acordo com o projecto original de Guy Fawkes, a explosão é apenas simbólica, não se enaltecia a destruição de monumentos históricos - destruía-se o establishment, a opressão sobre as massas, e a ditadura orwelliana.

O filme é um autêntico grito de liberdade para o século 21, e uma chamada de atenção ao que poderá acontecer, se as pessoas não tomarem atenção e permitirem que os governos e as televisões controlem as suas vidas. E é também um dos melhores filmes desta década.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A verdade


O meu amigo João Franco meteu este vídeo brilhante no blog dele, que eu não resisto a trazer para o meu. David Icke é um mestre, dá para ver nas poucas palavras que ele diz. Ele tem a plena noção de que estamos a receber uma lavagem cerebral diária com notícias de crise e aquecimento global, para nos tornarmos autómatos sem vontade própria, ao serviço dos governos e de empresas corruptas.

domingo, 6 de junho de 2010

É engraçado como por vezes os filmes mais inesperados nos põem a pensar sobre a nossa vida, os nossos valores e crenças pessoais.

Ao visionar Casino, realizado pelo Scorsese em 1995, um filme em que os eventos de violência narrados nada têm a ver com a minha vida, fez-me pensar na passagem do tempo e em como as relações humanas e as pessoas mudam, constantemente.

E tentar travar isso é tentar travar o curso natural das coisas.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Persepolis é um filme de animação, mas o impacto de o ver é mais forte do que muitos filmes com actores de carne e osso. Uma história de opressão política nas malhas do Irão das últimas três décadas. Um must.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

E por falar em ficção nacional, recomendo-vos a ler o Jornal de Letras deste mês, que aproveita o final da série Lost, para falar um pouco sobre o boom de séries americanas destes últimos anos, analisando algumas possíveis explicações desse sucesso, e fazendo ainda o paralelo com a produção em Portugal.

A única série portuguesa a merecer uma recomendação no jornal é Duarte e Companhia, que apesar de não ser propriamente uma série séria, o tempo tem sido generoso para a mesma. É referenciado por alto Conta-me como Foi, mas sem grandes elogios.

Um dos guionistas portugueses entrevistados defende, e com razão, que criar ficção para séries em Portugal é uma tarefa ingrata e mal paga, que as televisões não arriscam o suficiente, e que preferem esbanjar milhares de euros por episódio em novelas.
O visionamento de Afirma Pereira - que não é um filme do outro mundo, mas tem alguns cenários de exteriores impressionantes, uma recriação de época razoável, e o saudoso Mastroianni num dos seus últimos papéis - fez-me pensar em como foi preciso virem italianos filmar um período da nossa História que não tem sido devidamente abordado no nosso Cinema, a década de 30 do Estado Novo. Que se anda a fazer aos dinheiros para a ficção nacional?

terça-feira, 25 de maio de 2010

Uma história de amor e de perda (para a geração Y)

Summer não é uma rapariga muito diferente das outras. Tem as suas idiossincrasias próprias, as suas qualidades e defeitos. É gira, mas não é uma super modelo como aquelas que povoam os nossos sonhos masculinos mais delirantes.

Mas Summer irá deixar arrasado o herói de 500 Hundred Days of Summer. Mas não por culpa dela. Nem culpa dele. Talvez a culpa tenham sido das circunstâncias, do destino, do acaso.

Este é um inesperado filme pungente, um dos melhores filmes que vi recentemente. Uma história de amor para a geração Y. E para ser visto por todas aquelas criaturas femininas com laivos feministas que povoam o nosso dia-a-dia, que repetem constantemente "Os homens são todos iguais".

domingo, 23 de maio de 2010

Uma outra maneira de ver o mundo

Às vezes, quando me entedio com o mundo e com o que me rodeia, dou por mim a valorizar este handicap meu - a miopia - e era algo que até há pouco tempo me aborrecia e achava desvantajoso, não ver as pessoas ao longe.

Porque valorizo agora a miopia? Porque, quando as coisas à minha volta não me agradam, limito-me a tirar os óculos e o resto do mundo que se lixe. Quem quiser estar comigo a sério, tem que chegar perto de mim, para eu poder ver. Quem não vier ter comigo, é porque não interessa.

Além disso, uma pessoa acaba por dar mais valor aos cegos, e identificar-se com o handicap deles, sinto-me muito na pele de John Garfield em Pride of the Marines. Por incrível que pareça, deixar de ver, pode ser um novo (e quiçá melhor) começo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Midnight Cowboy é um dos filmes mais enternecedores e trágicos que vi na minha vida. Se muitas vezes consideramos que a vida é feliz como o caneco, às vezes devemos olhar com mais cuidado, e ver como a vida pode ser miserável para alguns que tentam sobreviver em grandes cidades, e pura e simplesmente desviamos o olhar.

É uma história de amizade entre dois homens, de solidão numa grande cidade, de prostituição, e da estupidez e voyeurismo da sociedade actual (e o filme foi feito em 1969).

Neste momento, na TV, Sílvia Alberto (que é uma apresentadora que eu até nem desgosto) distrai-nos com trivialidades, na RTP 1. Num outro canal, Daniel Oliveira continua a sua maratona de entrevistas a gente famosa que não interessa para nada.

A que mundo chegámos? Será que o próximo não interessa para nada, apenas a futilidade e o vazio?

Passeio na blogosfera

Eu não sei acerca de vocês, mas pessoalmente acho este e este post autênticas preciosidades históricas.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Morte e reencarnação


E se estivessemos numa soirée animada com mais uma dúzia de conhecidos, e de repente constatássemos que não poderíamos sair da sala por uma razão inexplicável? E se ficássemos lá presos dias seguidos? Silvia Pinal defende neste vídeo que O Anjo Exterminador parece antever os reality shows. Eu diria que o filme antevem tudo. Este é dos filmes mais bizarros, fascinantes e intemporais filmes de sempre.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Lição de vida

Hoje tive na pele a lição da minha vida - recebes sempre de volta o que semeias.

A todas as pessoas que algum dia magooei (que creio, graças a Deus, não serem muitas), o meu mais sincero pedido de desculpas.

Rápido olhar sobre o pós-moderno

Se antigamente (e devo dizer ao longo de séculos), os objectos/figuras/entidades que os povos reverenciavam era Deus, os santos, e outra parafernalia cristã; nos tempos que correm essa devoção localiza-se agora no culto das celebridades, nas estrelas de rock, nas bandas (ler mais sobre a ditadura do barulho neste texto), e modelos e socialites.

Com tudo o que de bom poderá haver intríseco a essa cultura, não deixa de ser curioso que não se questione com mais frequência, por um segundo que seja, em revistas, jornais ou TV, essa mesma sociedade, e que não se compare historicamente com o que nos antecedeu, dando descaradamente como sagrado o que quer que seja que os meios de comunicação de massas nos impõem.

Será mesmo o que faz mover 80, ou 90 por cento das pessoas, de facto, inquestionável e acima de toda a dúvida?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ainda acerca do Papa...

E como adenda ao comentário do meu amigo João, vou parafrasear Marlene Dietrich em Touch of Evil - He might be some kind of a man... But what does it matter what you say about people?

Com tanta opinião, uma pessoa nunca consegue ter a certeza de coisa nenhuma.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O lado bom do Futuro

É termos cada vez mais a TV personalizada. Com o advento da Tv Cabo em Portugal, Meo Boxes, Internet, YouTubes e torrents de filmes e séries, cada vez temos que aturar menos a programação que os canais generalistas nos impõem, programação que eles consideram que toda a gente quer ver.

Há dias, confesso, em que a RTP até dá filmes que eu não me lembrava e eu fico com a TV sintonizada por essas bandas. Outras vezes, quando os generalistas não dão nada de jeito, o Canal Hollywood ou o MOV são boas alternativas. Mas há dias em que nem esses canais da TV Cabo dão coisas de jeito para um espectador cada vez mais exigente e com menos pachorra de estar a sentado a levar com aquilo que não pretende - e é nessas alturas que os torrents da net dão jeito, para sacar os filmes e as séries que me interessam.

Há uns poucos anos, por exemplo dava a série Twilight Zone na SIC Radical, mas eu não tinha informações suficientes sobre a série, não sabia até que ponto ela era importante, como tal, não a vi na altura.

Tenho sacado a série da net e tenho-a descoberto só agora, porque me apeteceu ver a série agora, e não quando os canais de TV me impõem. Claro que nem tudo são rosas, às vezes temos de andar a ver dos melhores torrents, e à procura de legendas que teimam em não estar sincronizadas, mas também quando eu quero melhor qualidade, compro os originais através da Amazon.

O Mestre

Osho diz no seu livro de mensagens "Perguntas para as suas respostas", que não devemos levar demasiado a sério algumas pessoas, que se consideram gurus de muitos e que só dizem coisas banais, ou até mesmo tolas.

Mas Osho tem o poder de dizer ensinamentos sábios, e de forma humilde, referindo que o que ele diz, pode não ser 100 % científico, dando sempre o benefício da dúvida. Só por essa postura, Osho é um Mestre extraordinário.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ter certezas

Às vezes surpreendem-me aquelas pessoas que só têm certezas, que não questionam nada e ninguém, aquelas pessoas que dizem "Ah, se queres ser isto, deves fazer isto, isto ou aquilo". Como se não existisse uma miríade de escolhas possíveis no horizonte.

Já um dos grandes equívocos do livros de auto-ajuda é que se vendem como se fossem a bíblia suprema para a nossa salvação, como se fosse o último salva-vidas que nos resta, o livro que vai resolver os problemas a toda (mas mesmo toda) a gente; e que o que vem ali escrito são palavras sagradas, impossíveis de falhar.

Uma coisa que a vivência diária me tem ensinado é que, quanto mais sei, menos certezas tenho... de tudo! Ninguém está em posição de dar conselhos a quem quer que seja, como se fosse algo de solene.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Conclusões do dia

Cada vez dou mais valor às palavras do meu amigo João Franco - "De nada serve as pessoas tentarem domesticar-te, pois és demasiado grande para caber numa jaula".

E cada vez estou mais convencido que o meu caminho para a felicidade não passa por nada do que me recomendam diariamente.

domingo, 2 de maio de 2010

O que é ser português?

Há dias em que me questiono sobre o que diabo é ser português, e chego à conclusão que provavelmente não é bem o que as pessoas pensam.

Se nos tempos do Estado Novo, enaltecia-se a História de Portugal patriótica, elididindo os nossos episódios mais desastrosos, no pós-25 de Abril o abordar da nossa História é algo que nunca foi bem explicado, e o porquê de se falar ou omitir alguns temas.

Para além disso, as questões de identidade nacional têm sido frequentemente baralhadas, sendo que as pessoas se dividem frequentemente em dois pólos, tão fanáticos um como o outro: o grupo dos saudosistas (principalmente os mais velhos), que advogam que tudo o que é português é que é bom (incluindo Ágata e pimbas), sendo que o que vem de fora é lixo; e o grupo dos desenraizados (mais perto da minha idade), cujas referências são somente as bandas rock e os cantores pop americanos e britânicos, que só vão ao cinema ver filmes americanos, mas que infelizmente de identidade portuguesa pouco têm.