sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Brilhantismo

É a única palavra possível para descrever Sleuth, realizado em 1972 - é um daqueles filmes monumentais que só encontramos de vez em quando, talvez só 1 vez de 5 em 5 anos; e que nos faz dizer, como diria o Bénard "Este sim, é o mais belo dos filmes."

Os dois únicos actores, Olivier e Caine, tentam representar um melhor do que o outro - o resultado é uma inevitável obra-prima.

Para além de ser um excitante exercício de suspense e uma dupla lição de representação, o filme coloca uma importante questão para o mundo:

Onde está a realidade, e até que ponto será importante, uma vez que esta é constantemente manipulada?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A morte do Cinema?


Não creio. Penso que o Cinema vai continuar a existir, mas de outras formas. Leiam o comentário de João Lopes.

Elogio da passagem do tempo

A afirmação de abertura do hotmail, hoje, era "Famosas continuam a associar magreza a beleza", e ocorreu-me o seguinte: será que depois de décadas de reinado de gente magra, a gordura vai voltar a ser associada com formosura?

Se assim o for, olharei com certo deleite, figuras como Victoria Beckam serem deixadas de lado, pois de formosa, acho que ela não tem nada.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Histérico, rebuscado, exibicionista

Não sei se é da idade, mas cada vez tenho menos pachorra para os primeiros filmes de Brian De Palma. Blow Out (1981) consegue incorporar, de forma simultânea, tudo o que há de potencialmente excitante e tudo o que há de péssimo, previsível, e histérico no Cinema; para além de sermos descaradamente defraudados, enquanto espectadores, no final. Uma tremenda oportunidade perdida, e um filme que deve ser mostrado em todas as aulas de cinema, no Mundo - para se ver o lixo épico que pode suceder, quando se faz uma má imitação de Hitchcock. Um exemplo paradigmático dos excessos da década de 80.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Se não se chocaram com Saló, vejam este

O filme The Night Porter de Liliana Cavani que, aquando da estreia em 1974, gerou controvérsia e ódios em torno do (alegado) voyeurismo, violência e sadismo, hoje parece morno se compararmos com o lixo que nos entra diariamente pela televisão adentro, com programas de miudagem intratável a cantar fado e a receber (falsos) elogios de dois apresentadores histriónicos, e de um júri mentiroso até mais não.

Se tirarmos alguns momentos em que o filme parece desfalecer, e a história andar a navegar de forma abstracta, podemos apreciar um excelente estudo de uma realidade sexual alternativa, e de dois seres humanos com uma história de amor condenada à destruição, por causa de um mundo demasiado cruel. Psicologicamente desafiante e imprescindível!

Grandes secundários esquecidos # 1

Arthur Kennedy
Um actor secundário americano da velha guarda, daqueles que cada vez que apareciam, preenchiam o ecrã com a sua imensa capacidade de representação. Era especialista em representar papéis dúbios, muitas vezes de vilão. Vejam dele: Rancho Notorious, The Lusty Men, The Man From Laramie, Some Came Running, Lawrence of Arabia, entre muitos outros.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Conclusão principal da minha investigação...

...sobre a cultura audiovisual da década de 60: Na altura, eles já tinham tudo para fazer grandes obras de arte, não tinham nem mais nem menos do que temos hoje.

Há uns anos, não dava muita importância à década de 60, preferindo décadas como as de 30 e 40 (as décadas dos meus avós), considerando que havia melhores filmes nessa época, mas desde que voltei a dar uma chance à década de 60, reparo que esta não estava atrás das outras, em termos de Arte e de Música. Da mesma forma que uma pessoa pode ler o Guerra e Paz e ainda sentir emoções a correrem pela espinha acima, podemos ver um filme ou programa de tv da década de 60 e, se o produto é genuinamente bom e com temas universais e intemporais (como o amor, tolerância, justiça, fraternidade), podemos vibrar tanto como num produto de hoje em dia. Mesmo que não tenha os efeitos especiais de hoje. Vão por mim, existem tantos filmes interessantes no passado como hoje em dia - é só conseguirmos arranjar algum tempo para perceber a época histórica primeiro, para nos localizarmos, e depois partirmos à aventura.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Hitler e o povo alemão


Já há dias tinha lido esta notícia no jornal e na net: o realizador Oliver Stone, afirmando que Hitler foi um bode expiatório fácil da História. E parece que caíu o Carmo e a Trindade à pala da afirmação que fez.

Creio que a notícia não é assim tão bombástica quanto os jornalistas a pintam: a Hitler é atríbuido tudo e mais alguma coisa (inclusivé o rapto da pequena Maddie), nos documentários do Canal História e nas reportagens da dita "realidade jornalística". Esquecem-se pois, que Hitler não chegou ao poder sem os seus sequazes, Himmler, Goering, entre outros; e que foi posto no poder por alguém muito mais numeroso: o povo alemão.

Vamos a esclarecer uma coisa, senhores jornalistas - ninguém é inocente no temível jogo da História da Humanidade, muito menos essa massa "inocente" que é o povo. Agora que me lembro, não foi Salazar eleito o Grande Português, num concurso de há 2 anos atrás, na tv portuguesa?...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Má televisão

"A vida não imita a arte, ela imita a má televisão.”

Woody Allen

(e leiam este texto do Francisco José Viegas)

O lado mercenário da Televisão


Com gente a escrever assim tão bem, eu não necessito de escrever nada. Leiam este texto no Bitaites, sobre a orgia informativa em torno da "desgraça" no Haiti. Qual desgraça? Para as tv's, quanto mais mortos houver, melhor. E ainda dizem que não são o quarto poder...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Gordon Gekko, seu filho-da-puta


É à pala de tipos como ele que o mundo está como está, mergulhado numa assoladora crise económica - enquanto alguns privilegiados nadam em acções e enriquecimentos em offshores ou compram Maseratis, outros milhões estão na miséria, e a passar fome.

Apesar disso, a interpretação de Michael Douglas em Wall Street, de Oliver Stone, não deixa de ser absorvente e assustadoramente premonitória - o mal, a riqueza, e a ganância na sua forma mais depurada e sedutora. Sem dúvida, umas das melhores representações dos 80's.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Yin e yang


Uma coisa é o reflexo da outra, mas invertida. O bem é o reflexo do mal, mas invertido, e vice-versa.

Vejam este vídeo, para descobrirem que talvez não sejamos nenhuma "geração perdida", como alguma imprensa insiste em nos tratar, de forma paternalista e pretensiosa - talvez a maneira com que se olha a vida é que está do avesso.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Estaremos todos a caminhar para o fim do mundo?


Após descobrir o artigo de hoje do Público, graças ao Dias Úteis do mestre Pedro Ribeiro (dado que eu já não leio a imprensa diária); quero apenas deixar uma breve e forte mensagem a todos os jornais do mundo, principalmente à imprensa portuguesa, e aos simpáticos jornalistas, que diariamente fazem pela vida, para nos dar notícias deprimentes, que dão ímpeto a muita gente de se suicidar:

VÃO-SE FODER E MORRAM LONGE, SEUS INÚTEIS!!!

sábado, 9 de janeiro de 2010

E o prémio de filme mais alucinado de sempre vai para...


The Wicker Man, com o mestre Christopher Lee. Chamam-lhe filme de terror, mas é um dos mais inclassificáveis objectos que vi na minha vida - mistura de mistério com musical, com toques documentais, e surrealismo à la Chien Andalou... tem que ser visto para se acreditar!

domingo, 3 de janeiro de 2010

More than meets the eye - The Paradine Case


Tenho aproveitado o mau tempo lá fora para ver uns filmes e rever outros que gostei. The Paradine Case (1947) é um deles, vi-o há uns anos no grande ecrã da Cinemateca, e desta vez, gostei de o ver ainda mais. O filme é mais complexo do que parece, à primeira vista, e não pode ser "desfolhado" apenas com as temáticas do Mestre na mente, caso contrário iremos desapontarmo-nos imenso - é preciso vê-lo também sob o ponto de vista de um argumentista e de um actor.

Temos um argumento complexíssimo, com mudanças inesperadas de ponto de vista, estranhas nuances, nem todas do Mestre, vê-se que andou por aqui dedo feminino (da esposa, Alma Reville), face às personagens femininas têm papéis muito mais fortes, no filme. É um argumento que vive muito da dupla hipótese de Mrs. Paradine poder ser uma inocente (?!) arrastada para a barra do tribunal, ou de ela ser antes uma manipuladora femme fatale assassina. Aqui entra o dedo de Hitchcock, e é fácil imaginá-lo a divertir-se com as nossas instáveis noções de culpa e de veracidade da justiça...

Por outro lado, temos ainda o poderosíssimo cast, com estrelas sexys da época (Valli, e aquele ombro desnudado de Ann Todd), bem como actores veteranos que eram incapazes de representar menos que majestosamente, como Charles Coburn, Ethel Barrymore e o grande Charles Laughton. Cada um deles no filme é uma camada nova, cada um tem a sua história, e adicionam uma outra visão, um outro ponto de vista, sobre do caso.

Como disse, é um filme a ser analisado sob 3 pontos de vista, e não apenas sob o ponto de vista auteurista, como fazia Godard, nos seus tempos de miúdo mal comportado, caso contrário teremos uma desilusão.

Eles não sabem nem sonham, João



Ultimamente, os textos de João Lopes têm desancado forte e feio na cultura televisiva pimba nacional, o que me tem deleitado imenso estar a ler.
Desta vez, ele liga com mestria o lançamento em DVD do poderoso e visceral Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (um dos meus all-time favorites), com a falta de imaginação dos programadores televisivos, e com a expurgação completa do preto e branco na tv generalista.

Se virmos com cuidadosa atenção, o preto e branco foi banido totalmente da tv, salvo raras excepções (algum filme ao Sábado à noite, no canal 2); sendo que, em virtude dessa fatal opção dos programadores, as pessoas foram educadas a olhar para a ausência de cor, como algo pitoresco, até ridículo... algo completamente datado, a que não se deve dar a mínima atenção.

O mais insólito da problemática é que, muitas das pessoas que fazem pouco do preto e branco, são pessoas que (por razões que eu considero misteriosas), lêem o Balzac e o Tolstoi, que o João Lopes menciona. E que gostam de os ler. Aliás, quantos amigos não conhecemos nós, que têm como livro favorito O Retrato de Dorian Gray ou Oliver Twist, ou seja, estudaram as obras no liceu/universidade, e então começaram a amá-las e a entendê-las a sério, mesmo apesar de serem livros com mais de 100 anos de idade. É tudo então uma questão de educação, como João Lopes inerentemente sugere - as massas podem e devem ter o direito de ser educadas através da TV, se também o foram na escola. Estou completamente de acordo.

Em relação à parte final do texto, o crítico aponta o dedo a outro argumento, dado normalmente nos ataques aos programas a preto e branco - o alegado excesso de palavra - e dá como exemplo (e muito bem) os debates e as telenovelas, de que as pessoas nunca se parecem queixar, aliás parece que são esses os tipos de programas com mais audiências, para além do futebol. Esse argumento é no mínimo, tolo, pois as telenovelas vivem precisamente da palavra - aliás, nas novelas, os personagens nunca sabem expressar emoções através de nuances ou gestos - quando querem exprimir tristeza, dizem "Tou muito triste", basta ver o expoente máximo dessa autêntica escola "de qualidade", ao nível do método Stanislavsky, que são as novelas da TVI. Quanto aos debates, também estes vivem de uma orgia louca de palavras; e são terreno fértil do caos e do pedantismo (ver o Eixo do Mal, por exemplo), mas uma vez que o povo quer é porrada, este tipo de espaço também prolifera na grelha televisiva.

O filme Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, aliás, é uma valente chapada na cara da televisão, não só portuguesa, mas também estrangeira - em nenhuma novela, à escala mundial, vocês serão capazes de encontrar uma experiência conjugal mostrada de forma tão intensa e marcante, como a de Richard Burton e Liz Taylor, no mesmo filme.

Como adenda ao parágrafo de conclusão do texto de que falamos - creio que o mundo é interessante, mas não o é às nove e meia da noite na TV. Na noite em que for para o ar Quem Tem Medo de Virginia Woolf? às nove e meia, tenho a certeza absoluta que, no dia seguinte, o governo cairá; porque as pessoas não precisarão de mais ninguém para viver - serão autosuficientes para viver por elas mesmas, e não terão bonecos telenovelescos a ditarem comportamentos supostamente correctos.

Guilty Pleasures # 1


O Poço e o Pêndulo, com o sempre brilhante Vincent Price. Pode nadar em clichés, mas é bem melhor do que muita coisa que passa actualmente na TV portuguesa.