domingo, 3 de janeiro de 2010

More than meets the eye - The Paradine Case


Tenho aproveitado o mau tempo lá fora para ver uns filmes e rever outros que gostei. The Paradine Case (1947) é um deles, vi-o há uns anos no grande ecrã da Cinemateca, e desta vez, gostei de o ver ainda mais. O filme é mais complexo do que parece, à primeira vista, e não pode ser "desfolhado" apenas com as temáticas do Mestre na mente, caso contrário iremos desapontarmo-nos imenso - é preciso vê-lo também sob o ponto de vista de um argumentista e de um actor.

Temos um argumento complexíssimo, com mudanças inesperadas de ponto de vista, estranhas nuances, nem todas do Mestre, vê-se que andou por aqui dedo feminino (da esposa, Alma Reville), face às personagens femininas têm papéis muito mais fortes, no filme. É um argumento que vive muito da dupla hipótese de Mrs. Paradine poder ser uma inocente (?!) arrastada para a barra do tribunal, ou de ela ser antes uma manipuladora femme fatale assassina. Aqui entra o dedo de Hitchcock, e é fácil imaginá-lo a divertir-se com as nossas instáveis noções de culpa e de veracidade da justiça...

Por outro lado, temos ainda o poderosíssimo cast, com estrelas sexys da época (Valli, e aquele ombro desnudado de Ann Todd), bem como actores veteranos que eram incapazes de representar menos que majestosamente, como Charles Coburn, Ethel Barrymore e o grande Charles Laughton. Cada um deles no filme é uma camada nova, cada um tem a sua história, e adicionam uma outra visão, um outro ponto de vista, sobre do caso.

Como disse, é um filme a ser analisado sob 3 pontos de vista, e não apenas sob o ponto de vista auteurista, como fazia Godard, nos seus tempos de miúdo mal comportado, caso contrário teremos uma desilusão.

3 comentários:

João Franco disse...

Um filme a ver....
pus no blog um trecho do livro que me ofereceste!!!
O teu blog cresceu imenso.... ta muito fixe

João Franco disse...

vou por no meu blog, os 10 melhores filmes da primeira decada do seculo xxi.....vamos ai tambem ?

Ricardo Martins disse...

Muito obrigado pelo elogio, Monsieur.