quinta-feira, 27 de maio de 2010

E por falar em ficção nacional, recomendo-vos a ler o Jornal de Letras deste mês, que aproveita o final da série Lost, para falar um pouco sobre o boom de séries americanas destes últimos anos, analisando algumas possíveis explicações desse sucesso, e fazendo ainda o paralelo com a produção em Portugal.

A única série portuguesa a merecer uma recomendação no jornal é Duarte e Companhia, que apesar de não ser propriamente uma série séria, o tempo tem sido generoso para a mesma. É referenciado por alto Conta-me como Foi, mas sem grandes elogios.

Um dos guionistas portugueses entrevistados defende, e com razão, que criar ficção para séries em Portugal é uma tarefa ingrata e mal paga, que as televisões não arriscam o suficiente, e que preferem esbanjar milhares de euros por episódio em novelas.
O visionamento de Afirma Pereira - que não é um filme do outro mundo, mas tem alguns cenários de exteriores impressionantes, uma recriação de época razoável, e o saudoso Mastroianni num dos seus últimos papéis - fez-me pensar em como foi preciso virem italianos filmar um período da nossa História que não tem sido devidamente abordado no nosso Cinema, a década de 30 do Estado Novo. Que se anda a fazer aos dinheiros para a ficção nacional?

terça-feira, 25 de maio de 2010

Uma história de amor e de perda (para a geração Y)

Summer não é uma rapariga muito diferente das outras. Tem as suas idiossincrasias próprias, as suas qualidades e defeitos. É gira, mas não é uma super modelo como aquelas que povoam os nossos sonhos masculinos mais delirantes.

Mas Summer irá deixar arrasado o herói de 500 Hundred Days of Summer. Mas não por culpa dela. Nem culpa dele. Talvez a culpa tenham sido das circunstâncias, do destino, do acaso.

Este é um inesperado filme pungente, um dos melhores filmes que vi recentemente. Uma história de amor para a geração Y. E para ser visto por todas aquelas criaturas femininas com laivos feministas que povoam o nosso dia-a-dia, que repetem constantemente "Os homens são todos iguais".

domingo, 23 de maio de 2010

Uma outra maneira de ver o mundo

Às vezes, quando me entedio com o mundo e com o que me rodeia, dou por mim a valorizar este handicap meu - a miopia - e era algo que até há pouco tempo me aborrecia e achava desvantajoso, não ver as pessoas ao longe.

Porque valorizo agora a miopia? Porque, quando as coisas à minha volta não me agradam, limito-me a tirar os óculos e o resto do mundo que se lixe. Quem quiser estar comigo a sério, tem que chegar perto de mim, para eu poder ver. Quem não vier ter comigo, é porque não interessa.

Além disso, uma pessoa acaba por dar mais valor aos cegos, e identificar-se com o handicap deles, sinto-me muito na pele de John Garfield em Pride of the Marines. Por incrível que pareça, deixar de ver, pode ser um novo (e quiçá melhor) começo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Midnight Cowboy é um dos filmes mais enternecedores e trágicos que vi na minha vida. Se muitas vezes consideramos que a vida é feliz como o caneco, às vezes devemos olhar com mais cuidado, e ver como a vida pode ser miserável para alguns que tentam sobreviver em grandes cidades, e pura e simplesmente desviamos o olhar.

É uma história de amizade entre dois homens, de solidão numa grande cidade, de prostituição, e da estupidez e voyeurismo da sociedade actual (e o filme foi feito em 1969).

Neste momento, na TV, Sílvia Alberto (que é uma apresentadora que eu até nem desgosto) distrai-nos com trivialidades, na RTP 1. Num outro canal, Daniel Oliveira continua a sua maratona de entrevistas a gente famosa que não interessa para nada.

A que mundo chegámos? Será que o próximo não interessa para nada, apenas a futilidade e o vazio?

Passeio na blogosfera

Eu não sei acerca de vocês, mas pessoalmente acho este e este post autênticas preciosidades históricas.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Morte e reencarnação


E se estivessemos numa soirée animada com mais uma dúzia de conhecidos, e de repente constatássemos que não poderíamos sair da sala por uma razão inexplicável? E se ficássemos lá presos dias seguidos? Silvia Pinal defende neste vídeo que O Anjo Exterminador parece antever os reality shows. Eu diria que o filme antevem tudo. Este é dos filmes mais bizarros, fascinantes e intemporais filmes de sempre.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Lição de vida

Hoje tive na pele a lição da minha vida - recebes sempre de volta o que semeias.

A todas as pessoas que algum dia magooei (que creio, graças a Deus, não serem muitas), o meu mais sincero pedido de desculpas.

Rápido olhar sobre o pós-moderno

Se antigamente (e devo dizer ao longo de séculos), os objectos/figuras/entidades que os povos reverenciavam era Deus, os santos, e outra parafernalia cristã; nos tempos que correm essa devoção localiza-se agora no culto das celebridades, nas estrelas de rock, nas bandas (ler mais sobre a ditadura do barulho neste texto), e modelos e socialites.

Com tudo o que de bom poderá haver intríseco a essa cultura, não deixa de ser curioso que não se questione com mais frequência, por um segundo que seja, em revistas, jornais ou TV, essa mesma sociedade, e que não se compare historicamente com o que nos antecedeu, dando descaradamente como sagrado o que quer que seja que os meios de comunicação de massas nos impõem.

Será mesmo o que faz mover 80, ou 90 por cento das pessoas, de facto, inquestionável e acima de toda a dúvida?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ainda acerca do Papa...

E como adenda ao comentário do meu amigo João, vou parafrasear Marlene Dietrich em Touch of Evil - He might be some kind of a man... But what does it matter what you say about people?

Com tanta opinião, uma pessoa nunca consegue ter a certeza de coisa nenhuma.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O lado bom do Futuro

É termos cada vez mais a TV personalizada. Com o advento da Tv Cabo em Portugal, Meo Boxes, Internet, YouTubes e torrents de filmes e séries, cada vez temos que aturar menos a programação que os canais generalistas nos impõem, programação que eles consideram que toda a gente quer ver.

Há dias, confesso, em que a RTP até dá filmes que eu não me lembrava e eu fico com a TV sintonizada por essas bandas. Outras vezes, quando os generalistas não dão nada de jeito, o Canal Hollywood ou o MOV são boas alternativas. Mas há dias em que nem esses canais da TV Cabo dão coisas de jeito para um espectador cada vez mais exigente e com menos pachorra de estar a sentado a levar com aquilo que não pretende - e é nessas alturas que os torrents da net dão jeito, para sacar os filmes e as séries que me interessam.

Há uns poucos anos, por exemplo dava a série Twilight Zone na SIC Radical, mas eu não tinha informações suficientes sobre a série, não sabia até que ponto ela era importante, como tal, não a vi na altura.

Tenho sacado a série da net e tenho-a descoberto só agora, porque me apeteceu ver a série agora, e não quando os canais de TV me impõem. Claro que nem tudo são rosas, às vezes temos de andar a ver dos melhores torrents, e à procura de legendas que teimam em não estar sincronizadas, mas também quando eu quero melhor qualidade, compro os originais através da Amazon.

O Mestre

Osho diz no seu livro de mensagens "Perguntas para as suas respostas", que não devemos levar demasiado a sério algumas pessoas, que se consideram gurus de muitos e que só dizem coisas banais, ou até mesmo tolas.

Mas Osho tem o poder de dizer ensinamentos sábios, e de forma humilde, referindo que o que ele diz, pode não ser 100 % científico, dando sempre o benefício da dúvida. Só por essa postura, Osho é um Mestre extraordinário.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ter certezas

Às vezes surpreendem-me aquelas pessoas que só têm certezas, que não questionam nada e ninguém, aquelas pessoas que dizem "Ah, se queres ser isto, deves fazer isto, isto ou aquilo". Como se não existisse uma miríade de escolhas possíveis no horizonte.

Já um dos grandes equívocos do livros de auto-ajuda é que se vendem como se fossem a bíblia suprema para a nossa salvação, como se fosse o último salva-vidas que nos resta, o livro que vai resolver os problemas a toda (mas mesmo toda) a gente; e que o que vem ali escrito são palavras sagradas, impossíveis de falhar.

Uma coisa que a vivência diária me tem ensinado é que, quanto mais sei, menos certezas tenho... de tudo! Ninguém está em posição de dar conselhos a quem quer que seja, como se fosse algo de solene.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Conclusões do dia

Cada vez dou mais valor às palavras do meu amigo João Franco - "De nada serve as pessoas tentarem domesticar-te, pois és demasiado grande para caber numa jaula".

E cada vez estou mais convencido que o meu caminho para a felicidade não passa por nada do que me recomendam diariamente.

domingo, 2 de maio de 2010

O que é ser português?

Há dias em que me questiono sobre o que diabo é ser português, e chego à conclusão que provavelmente não é bem o que as pessoas pensam.

Se nos tempos do Estado Novo, enaltecia-se a História de Portugal patriótica, elididindo os nossos episódios mais desastrosos, no pós-25 de Abril o abordar da nossa História é algo que nunca foi bem explicado, e o porquê de se falar ou omitir alguns temas.

Para além disso, as questões de identidade nacional têm sido frequentemente baralhadas, sendo que as pessoas se dividem frequentemente em dois pólos, tão fanáticos um como o outro: o grupo dos saudosistas (principalmente os mais velhos), que advogam que tudo o que é português é que é bom (incluindo Ágata e pimbas), sendo que o que vem de fora é lixo; e o grupo dos desenraizados (mais perto da minha idade), cujas referências são somente as bandas rock e os cantores pop americanos e britânicos, que só vão ao cinema ver filmes americanos, mas que infelizmente de identidade portuguesa pouco têm.