quinta-feira, 24 de junho de 2010

Ensaio de um drama por resolver

Prevemos facilmente para onde Blood Diamond está direccionado quando se vê Di Caprio a tentar representar um mercenário durão, na guerra civil na Serra Leoa, com o pior sotaque britânico de sempre, e cortejando um mulherão como Jennifer Connelly.

Mas fraquezas à parte, e apesar de o filme não ser nada de espectacular, aqui senti-me mais tocado pelo drama africano do que em milhentas reportagens vazias de contexto, nos telejornais. Porque se continua a ver todos os dias as mesmas imagens, sem nos questionarmos acerca das mesmas?

domingo, 20 de junho de 2010

"I'm the villain, baby!"

Ver Angelina Jolie interpretando um papel de uma vida em Girl, Interrupted, declarando-se como vilã da peça à pseudo-perfeita Winona Ryder, fez-me lembrar o quanto aprendi na vida com os meus maiores opositores.

Por vezes, pessoas que consideramos malévolas e que achamos que mais valiam desaparecerem, dão-nos as maiores lições que alguma vez levaremos nesta vida. Talvez porque muitas vezes sejam a outra face da nossa personalidade - uma face que se calhar preferimos negar.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Uma grande mentira?

No seu livro Guia da Conspiração Global, David Icke defende com argumentos bastante verosímeis a tese de que o 11 de Setembro foi fabricado pelo governo Bush, com o objectivo de ter um pretexto para a invasão do Afeganistão e do Iraque, bem como uma cruzada contra o mundo islâmico.

É possível que a queda das Torres gémeas tenha sido uma espécie de incêndio do Reichstag? Até que ponto conhecemos quem domina o mundo?

Identidade fílmica portuguesa

Este é um texto muito interessante que tenta reflectir algumas das razões porque o Cinema Português falha tantas vezes na abordagem às suas temáticas, à myse en scene, e principalmente no tratamento dos diálogos.

As cenas de diálogo nos filmes portugueses não costumam sair naturais, talvez advindo do facto (defende o autor do texto) de muitos dos seus argumentistas verem filmes americanos a mais, trazendo uma realidade que não é a nossa para cá.

É uma teoria não tão rebuscada quanto possa parecer à primeira vista. Há toda uma problemática de identidade nacional a resolver com o nosso cinema, e que por muito que alguns tentem negar, as novelas portuguesas conseguiram resolver mais rapidamente, mesmo à custa de fazer o espectador passar por épicas secas, com sub-produtos xaroposos de qualidade miserável. As nossas novelas podem não ter o mínimo de noção de ritmo, mas conseguiram tornar-se decididamente portuguesas.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A inevitabilidade de certos temas

O tema de hoje do Prós e Contras, que está a dar neste momento na rtp, é o Mundial de futebol.

Depois de dúzias e dúzias de debates ora sobre crise e desemprego, ora sobre desemprego e crise, fala-se desse inevitável tema de importância fulcral para o país. Com Artur Agostinho para emprestar uma certa dignidade, e Fátima Campos Ferreira a falar de futebol no mesmo tom de voz solene com que costuma tratar os temas (supostamente) sérios.

E ainda falam que o país está mal e que estamos em crise. Mas qual crise? Meus amigos tugas que falam mal de tudo e de todos, vocês nunca conheceram dificuldades na puta da vida.

domingo, 13 de junho de 2010

Remember, remember the Fifth of November

Apesar de em pequeno gostar bastante de banda-desenhada, em adulto os comics deixaram de ser um medium que eu admirasse muito, à excepção de uma ou outra obra. No geral, acho que as BD's, mesmo as consideradas adultas, são muito derivativas, pretensiosas, e excessivamente masturbatórias com alguns autores a navegarem em obsessões pessoais de forma exibicionista.

Mesmo assim, a minha distância em relação a esse mundo, não me impediu de disfrutar V for Vendetta, que estreou em 2006 sob muita polémica, pela sua alegadamente apologística visão do terrorismo, no advento dos atentados de Londres.

Apesar do filme acabar com a destruição das casas do parlamento e do Big Ben, de acordo com o projecto original de Guy Fawkes, a explosão é apenas simbólica, não se enaltecia a destruição de monumentos históricos - destruía-se o establishment, a opressão sobre as massas, e a ditadura orwelliana.

O filme é um autêntico grito de liberdade para o século 21, e uma chamada de atenção ao que poderá acontecer, se as pessoas não tomarem atenção e permitirem que os governos e as televisões controlem as suas vidas. E é também um dos melhores filmes desta década.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A verdade


O meu amigo João Franco meteu este vídeo brilhante no blog dele, que eu não resisto a trazer para o meu. David Icke é um mestre, dá para ver nas poucas palavras que ele diz. Ele tem a plena noção de que estamos a receber uma lavagem cerebral diária com notícias de crise e aquecimento global, para nos tornarmos autómatos sem vontade própria, ao serviço dos governos e de empresas corruptas.

domingo, 6 de junho de 2010

É engraçado como por vezes os filmes mais inesperados nos põem a pensar sobre a nossa vida, os nossos valores e crenças pessoais.

Ao visionar Casino, realizado pelo Scorsese em 1995, um filme em que os eventos de violência narrados nada têm a ver com a minha vida, fez-me pensar na passagem do tempo e em como as relações humanas e as pessoas mudam, constantemente.

E tentar travar isso é tentar travar o curso natural das coisas.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Persepolis é um filme de animação, mas o impacto de o ver é mais forte do que muitos filmes com actores de carne e osso. Uma história de opressão política nas malhas do Irão das últimas três décadas. Um must.