sábado, 31 de julho de 2010

Ultimamente, a blogosfera cinéfila (nacional e internacional) tem-me desapontado imenso, perdendo muito do seu potencial para debate e análise, raramente dizendo alguma coisa de novo. Regra geral, a blogosfera cinéfila mantem-se na sua rígida estrutura formal - crítica em que se debitam alguns juízos mais ou menos interessantes, bate-se imenso no ceguinho, mas não se vai muito além disso. Raras vezes há insights luminosos da parte de quem escreve, raras vezes temos vontade de voltar a ler alguma coisa de um autor.

Tal não sucede neste texto do Carlos Natálio, que me surpreendeu muito pela positiva, principalmente porque raras vezes tenho lido textos tão bons sobre a relação do espectador com o filme. E o Carlos fá-lo de forma muito cativante e credível ao mesmo tempo.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Morte aos feios! (ou: Breve análise dos tempos que correm)

Na ressaca da morte de António Feio e depois de ver a entrevista ontem a um grande mestre da representação em Portugal, Nicolau Breyner, em que este defendia a utilização de caras bonitas na TV, lembrei-me a forma como a gente feia é injustamente ostracizada nos tempos que correm.

Se hoje em dia, as pessoas olham para o passado com sarcasmo e gozo, face ao fanatismo religioso que havia, em torno da Virgem Maria, e aos tempos de vassalagem da Idade Média como algo completamente grotesco; pergunto-me se daqui a uns séculos não se olhará para os tempos em que vivemos como tempos ridículos, como tempos em que só se valoriza a aparência exterior, em que as aparência valem tudo e o interior vem em segundo plano.

domingo, 25 de julho de 2010

Ascensão e queda (talvez merecida) da MGM


Ontem estava a ler a revista/suplemento do DN, havia lá uma longa reportagem sobre a falência da MGM (se puderem leiam-na) e houve uma frase que me chamou particularmente a atenção - "Se pensarmos no património cinematográfico da MGM, entre elenco, realizadores e títulos, parece muito mais plausível uma bancarrota dos EUA do que da MGM."

E esta frase fez-me lembrar que, por vezes, mesmo os impérios mais sólidos e monopolistas não são eternos. Se Louis B. Mayer soubesse que o que os especuladores e executivos fariam ao seu estúdio, estou certo que ele se meteria numa máquina do tempo para lhes vir cá dar uma lição.

Como é possível que um estúdio que produziu alguns das maiores obras-primas do Cinema, chegue ao fim?

sábado, 17 de julho de 2010

O "melhor" da televisão portuguesa #3


A série Caixa Alta, que não deixa saudades. As cenas de acção e de perseguição chegam a ser surreais, de tão mal feitas que são.

O "melhor" da televisão portuguesa #2


Os Gato Fedorento satirizam aqui uma série admirável, intitulada Alentejo sem Lei, realizada por João Canijo. É sempre hilariante rever estes Tesourinhos Deprimentes.

O "melhor" da televisão portuguesa #1


O brilhante humor pós-moderno dos Gato Fedorento, analisando algumas das coisas mais inenarráveis que se fizeram na tv portuguesa.

Aqui, vemos a espectacular série filmada na Madeira Homens de Passagem, nos obscurantistas anos 90.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Mais palavras sábias...

"Vivemos num mundo saturado de informações prontas a consumir, acabadas, mas que não estimulam o Homem a pensar e a desenvolver a consciência crítica. Os livros de auto-ajuda, que saturam as sociedades modernas, têm a sua utilidade, mas frequentemente pensam pelo leitor, apresentam respostas prontas, o que estimula muito pouco a arte de pensar e o desenvolvimento da inteligência.
(...)
O status de ser um "intelectual" é um jargão social inadequado e preconceituoso, pois discrimina a grande massa de seres humanos que, embora não possuam cultura académica e não tenham títulos de pós-graduação, apresentam igualmente os mesmos complexos e sofisticados processos de construção dos pensamentos."

in Inteligência Multifocal

Augusto Cury

"O portador da síndrome da exteriorização existencial vive a pior de todas as solidões: a solidão de se ter abandonado a si mesmo na sua trajectória existencial. Aliás, nas sociedades modernas, em detrimento dos encontros sociais, eventos desportivos, indústria do entertenimento e navegações pela Internet, a solidão intensifica-se. As pessoas estão próximas fisicamente, mas muito distantes interiormente; conversam sobre o mundo que as circunda, mas não dialogam sobre si mesmas. As sociedades modernas são mudas no que diz respeito à troca de experiências existenciais. Não é apenas o diálogo interpessoal que está empobrecido, mas também o autodiálogo, aquele através do qual interiorizamos e o procuramos os fundamentos das nossas reacções, inseguranças, fobias, tensões e angústias."

Augusto Cury in Inteligência Multifocal

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Ricardo dos espíritos


Ultimamente, os meus sonhos têm sido muito fellinianos - é uma boa maneira para encontrar soluções para os problemas diurnos.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Bill Gates, seu filho-da-puta

Cada vez que me lembro das palavras do Bill Gaitas, que um dia haveria um computador por cada pessoa no mundo, e que os computadores seriam o futuro, blá blá, dá-me vontade de comprar uma passagem para os EUA e atirar-lhe uma bigorna à cara, no lugar da tarte que lhe mandaram da outra vez.

Enquanto Ser Humano, creio que as máquinas nunca deviam falhar - por isso mesmo é que são máquinas - mas o que é certo é que o meu PC pifou ontem à noite, assim do nada - sem explicações nem pedidos de desculpa.

Sr. Bill Gates... As máquinas NUNCA irão substituir o Ser Humano, pois são tão ou mais falíveis que as pessoas. E uma pessoa ainda se perdoa quando erra. Agora uma máquina...

sábado, 10 de julho de 2010

Como funciona a minha mente

Comecei agora a ler o Filhos da Matriz, de David Icke, e se a maior parte das pessoas preferem fazer troça dele e das suas teorias reptilianas, eu continuo a dar-lhe uma certa importância. Icke é pura e simplesmente um tipo que não se conforma, e não devemos levar à letra a conversa dos répteis, mas sim como uma alegoria de como o mundo está organizado (e poucos têm a coragem de ver o mundo com atenção).

Ao mesmo tempo, ler o livro permitiu-me repensar em temas que eu há algum tempo não pensava, questionar coisas que as pessoas consideram sagradas, e adoptar uma postura menos de carneiro e mais como ser humano. O livro permitiu-me re-atingir o estado de purificação máximo da minha mente, que é precisamente o estádio que eu preciso para reorganizar a minha vida, varrendo o que está mal e dando valor aquilo que tenho feito de bem.

Eu diria que a generalidade da minha existência se resume a mais ou menos isto:

1) Fase de repensar e de concretização de objectivos;
2) Fase de análise. Esta é uma fase distanciada, fria, em que eu observo objectivamente tudo o que fiz de bem e de mal. Se fiz mais de bem, continuo nas fórmulas que usei. Se fiz mais coisas de mal, tenho de repensar tudo e purificar a minha mente completamente - é nessa altura que a minha mente mais se assemelha a uma árvore despida de folhas, no Outono; e é o momento em que eu estou mais aberto à mudança.
3) Regresso à fase de concretização

sábado, 3 de julho de 2010

Regresso à infância (IV)


Deixo aqui uma das cenas que mais admiro de um dos meus filmes de infância, que considero estar injustamente esquecido - Flash Gordon, a versão de 1980.

Nesta cena, Flash (interpretado pelo actor-boneco inexpressivo Sam J. Jones) enfrenta o príncipe Barin, interpretado pelo mestre Timothy Dalton (vénia agora), numa plataforma giratória com picos.

O vídeo acaba com a morte de Klytus, conselheiro de Ming, numa interpretação do fabuloso e esquecido Peter Wyngarde (um dos meus actores favoritos dos 60s); e com uma mensagem de esperança na luta contra a opressão do ditador. Por vezes, devemos unir-nos às pessoas de quem não gostamos tanto, para combater um mal mais poderoso - uma bela filosofia para o mundo de 1980 e de hoje.

O imaginário da década de 80, conjugado com a nostalgia dos old serials, com um punhado de actores brilhantes (Von Sydow, Brian Blessed), mais a música de Howard Blake e dos Queen, traz-me à memória recordações bem queridas.

Regresso à infância (III)

A seguir a Niagara, está a dar mais um episódio (ou filme televisivo?) de Poirot. Chama-me a atenção o facto de a música na banda-sonora ser um plágio algo descarado de Bernard Herrmann. Mas pronto, David Suchet é sempre fantástico como o famoso detective de bigodes arrebitados, e Jenny Agutter está no cast, logo nem tudo está perdido.

Concluo que as adaptações à televisão de Poirot de Agatha Christie, ao contrário dos filmes com Ustinov e Finney, não são para ser levadas muito a sério. São para ser vistas exactamente como aquilo que são - um postal nostálgico de uma Inglaterra daquela altura (década de 30), uma espécie de esboço, pintado de elegância, dos livros. E uma boa maneira de rever actores britânicos que pensávamos estarem esquecidos.

Regresso à infância (II)

Está a dar neste momento, na RTP Memória, Niagara, realizado em 1953, e protagonizado por Marylin Monroe. Mas eu também sempre tive uma paixão por Jean Peters.

Regresso à infância (I)

A releitura destes livros, fez-me reconstatar a excelente qualidade dos mesmos, e ter a certeza de que um dia, se tiver filhos, dar-lhes-ei a ler as aventuras do jovem Enciclopédia Brown.

Qual foi o miúdo/adolescente que nunca teve o sonho de ser detective?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O texto que vocês precisam de ler

É o texto do meu amigo João Franco, que ataca de forma acutilante e descomplexada muito do que são consideradas as "bases" da nossa sociedade. Como é possível que uma sociedade prefira as pessoas como peões numa jogo de xadrez, em lugar de os fazer felizes, enquanto indivíduos? E o papel do Estado? Como é possível serem-nos cobrados tantos impostos, e absolutamente ninguém questionar?