sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Regresso à infância (V)

Nunca me habituei muito a B.D's de super-heróis, achando-os um bocado como as telenovelas - prometendo muito mas contando pouco, constantemente adiando maiores emoções para o capítulo seguinte. A minha colecção não chega aos 20, creio, sendo que muitos foram oferecidos por família e amigos.

Não obstante, habituei-me cedo a requisitar albuns de Banda-Desenhada nas Bibliotecas Municipais, como tal cedo me comecei a fascinar por mundos como os de Tintin, Blake & Mortimer, Asterix ou de Lucky Luke.

Mas a B.D. que mais indelevelmente me marcou, enquanto indivíduo, foi a série XIII, editada pela Meribérica-Liber. A trama é baseada nos livros da série Bourne, da autoria de Robert Ludlum: um homem amnésico é acolhido por uma série de pessoas, que subsequentemente acabam assassinadas; e ele vem a descobrir que no passado havia sido um assassino contratado para matar o presidente dos EUA!
A série XIII ainda hoje se lê bem, enquanto adulto: tem um magnífico estilo de desenho, uma intriga excitante e plena de mistério, momentos de acção e de perseguição, e consegue muitas vezes ser mais excitante do que os próprios filmes da série Bourne.

O único senão, é que a editora Meribérica-Liber lançou os livros a uma velocidade de caracol, e acabou por falir em 2004! - o primeiro volume traduzido em português foi lançado em 1988, e apenas foram lançados no nosso mercado 9 volumes dos 19 originais.

Descobri esta pérola num manual antigo de Filosofia

O quadro original de "A Escola de Atenas", pintado por Rafael, no Renascimento.


A sua versão pós-moderna "A Escola de Hollywood", da autoria de Suzanne Albers.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A futilidade do Ensino #4

A meu ver, o Ensino ideal deve incentivar a diversidade e pluralidade, tanto de escolhas, opções de vida, bem como de raças e diferentes costumes.

Foi com alegria que reli um texto no manual da 4ª classe em que se celebravam as diferenças raciais - "É tão bom ser preto como o chocolate / É tão bom ser branco como a neve, etc" - a bem de um mundo mais harmonioso e pacífico.

No entanto, não é sem um enorme desgosto que constato o quanto posteriormente o Ensino tende a preferir a massificação do pensamento, no lugar de continuar a apostar na tolerância à diferença. Começam a dar-se autores sem se explicar porquê (Porque sim!, gritavam os professores connosco), começa-se a dar coisas sem sabermos bem a utilidade que terão no futuro (as equações inenarráveis de Matemática), e o diálogo entre professores e alunos não é promovido, ficando antes uma desconfortável e prejudicial distância no ar. Os conflitos na Escola são muitas vezes varridos para debaixo da carpete, sem se preocuparem em como poderão vir a explodir de forma violenta poucos anos depois.

O Ensino português, a manter-se assim, caminhará (e de forma merecida) na direcção da inevitabilidade. E aí será tarde demais, de nada valerá os professores virem dizer que não tinham culpa, e os Ministros de trazer por casa darem desculpas para a incompetência crassa na gestão das escolas.

A futilidade do Ensino #3

Continuando a minha jornada no passado, e os apontamentos mais ou menos autobiográficos, devo dizer que nem todo o Ensino é fútil em Portugal. o Ensino Primário é bastante bom, estudam-se coisas que devem ser estudadas - Português, que é essencial para falar e escrever; Matemática, porque é imprescíndivel no nosso dia-a-dia; e Estudo do Meio (que creio deveriam ser alargadas as temáticas e carga horária), em que se dá Geografia, um bocado de Ciências, e se dá História, para além de formar um sentido de identidade nacional.

Não obstante, levanto o meu caso contra o Ensino Preparatório, que continua muito rígido, com os mesmos escritores, os mesmos autores dados ao longo das 2 últimas gerações, para além de procurar aprisionar os alunos dentro das suas paredes, sem se preocupar em ocupar de forma útil o tempo útil dos mesmos. Enquanto estão lá dentro fechados, podia-se apostar mais na Educação Cívica, Ética, bem como no Ensino Artístico (constantemente menosprezado) com Música, Dança, Expressão Teatral, etc.

Em vez disso, a maior parte das escolas pura e simplesmente não sabe o que fazer com os alunos, deixando-os na maior parte das vezes entregues a si próprios. Será este um Ensino credível para os nossos dias?

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Dois filmes, as realidades, e os tempos que correm


A visualização de Memento e a revisualização de Matrix, dois filmes pós-modernos completamente imperdíveis, fez-me repensar as questões da Física, as questões da realidade e dos mundos paralelos. Até que ponto conhecemos o mundo? Será que o que vemos corresponde à realidade ou será apenas uma ilusão criado por nós ou pelas pessoas à volta?

O meu amigo JF entretanto enviou-me um link muito interessante em que um físico discute precisamente a hipótese de haver mundos paralelos. Achei os três vídeos imensamente interessantes. No entanto, o autor do Saindo da Matrix acaba por se equivocar ao colocar um post mais abaixo criticando Lady Gaga e Christina Aguilera, mostrando-se chocado com os videoclips mais recentes das mesmas, e beatificando Madonna, em elogios quase orgásmicos não muito diferentes de muitos fanáticos da blogosfera.

O argumento apresentado pelo autor é (pasme-se) o dos videoclips de Gaga e Aguilera apelarem à preversão e à prostituição das jovens. Mas será que as jovens são todas estúpidas e não sabem distinguir onde pára a realidade? E será que Madonna não usava os mesmos meios e artíficios antes de se tornar uma mulher "completa" e "bem resolvida", como o autor a descreve para o presente?

Até que ponto o que nos é mostrado no ecrã não será abertamente uma encenação/erotização de uma artista? Até que ponto, por vezes, não nos tornamos captivos das nossas nostalgias pessoais, e as defendemos cegamente, ignorando que o mundo tem que andar para a frente?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A futilidade do Ensino #2

Continuando a minha jornada no medo... perdão, no passado, reobservo o equívoco mais grave do Ensino - acreditar que se pode medir a qualidade de um aluno, através de testes escritos.

É um erro crasso, pois os testes foram feitos apenas para aqueles alunos que memorizam bem. É verdade que há alguns que memorizam e são excelentes alunos, mas quantas vezes não vemos por aí gente burra licenciada, que a única coisa que fez na vida foi memorizar sem consciência crítica?

E que dizer das inenarráveis provas globais ou dos infames e pomposos Exames Nacionais? Apenas pretextos para os professores assustarem os alunos e fazerem bluff em relação ao que poderia acontecer se não saísse a matéria esperada.

Para quê exames? Para quê tanta formalidade e estupidez pura e simples quando volvidos quase 10 anos de eu deixar o liceu, os alunos transitam mesmo sem saberem? Para que serviu tanta ameaça dos professores?

Sonhos recorrentes

Interrompendo momentaneamente os posts sobre a minha jornada no passado, esta noite tive um sonho que às vezes costumo ter - pelo menos nos mesmos locais e com eventos semelhantes.

O sonho consiste em eu ter uma vista sobre uma espécie de jardim público bem cuidado. Eu estou numa varanda e vejo o jardim por baixo de mim. Do outro lado, encontra-se uma casa grande, elegante. Algo me move a descer ao jardim e ir falar com algumas pessoas que estão lá em baixo. Lá, procuro falar com uma rapariga que sei que tem uma mensagem para me dar. Já me esqueci das palavras - só sei que é algo de muito urgente, e não tem apenas a ver com flirt, parece que há quase uma mensagem político-filosófica por trás.

É essa mensagem que me faz explorar melhor uma casa ao pé de um penhasco, ali perto, que alberga um grupo de gente que procura o domínio do mundo. Explorando melhor a casa, inspeciono as canalizações, que têm imensas falhas e parecem estar divididas em 3 tipos de águas diferentes que são espalhadas pela população.

Não me lembro de mais nada, pois esqueci-me de anotar o sonho quando acordei. Só me lembro que acontecia bem mais do que isto, e que por vezes era quase um pesadelo.

A futilidade do Ensino #1

Folheando os livros da Primária fiquei espantado com a intemporalidade de algumas coisas - Estudo do Meio, estudo das profissões, geografia do país, matérias que adorava - mas fiquei ainda mais atónito com a forma como algumas coisas ficaram rapidamente desactualizadas, como o estudo da Matemática e resolvendo problemas como nada mais nada menos que... os escudos!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Mudar a rotina


Seria fantástico se iniciativas destas também existissem em Portugal, no Metropolitano, por exemplo. A vida já é tão secante e rotineira como é, podia-se fazer algo mais para alterar a ordem das coisas.