sábado, 23 de outubro de 2010

A minha opinião sobre a revista Visão

Eu já há algum tempo que duvidava da credibilidade jornalística da Visão, mas ia dando o benefício da dúvida, em virtude de ter alguns bons comentadores e algumas capas minimamente credíveis e interessantes.

Porém, quando hoje de manhã peguei aleatoriamente num exemplar da mesma, um exemplar de Junho, tive a certeza daquilo que há muito desconfiava - a Visão está a tentar desesperadamente não perder a clientela para a Internet e a blogosfera, seja a que preço for, mesmo deturpando a realidade.

O exemplar que peguei tinha como capa o título "Quatro dias com a seita do sexo", e eu desconfiei do que se poderiam estar a referir - ao Festival Osho que decorreu no Junho passado. Porém, não acreditei que os jornalistas da Visão tivessem tal lata. Quando abri a revista, vi que era verdade - a reportagem narrava a odisseia de um "lúcido" jornalista infiltrado no festival, para narrar tudo o que encontrasse, mas com enorme relevo para os detalhes mais salivantes.

Até consigo imaginar o jornalista a pensar "O que é que eu posso fazer para conseguir uma capa na Visão? Tem que ser algo bastante porco, a ver com sexo, adicionado com mais alguma coisa bizarra. Que tal a 139ª namorada do Cristiano Ronaldo? Nah, isso tá muito batido. Já sei, bora narrar o que acontece neste festival de hippies maluquinhos, mesmo que deturpe a realidade."

Acontece que, quem conhece minimamente a filosofia de Osho, sabe bem que ele é (sim!) a favor do sexo sem inibições, mas que esse é apenas um aspecto tangente à filosofia de amor dele. Reduzir o Festival Osho a uma "seita de sexo livre e promíscuo", é não apenas alterar o significado de uma componente, é também deturpar todo o conceito do Festival.

Posto isto, duvido que volte a comprar a Visão tão depressa.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A minha opinião sobre a Premiere, 2ª edição

Sinto a falta de Criswell. O preço também subiu, o que com a crise, não ajuda.

Mas, no lado positivo, esta nova Premiere talvez procure mais afincadamente estar perto das pessoas, com a vastidão de artigos sobre os filmes comerciais em cartaz, bem como das séries que povoam o pequeno ecrã (uma concessão inevitável), e tem mais artigos sobre cinema português que a antiga.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ascensão e queda da classe média

Vi o filme ontem, e gostei imenso, foi uma experiência forte assistir a uma face da Inglaterra que muitas vezes procuramos ignorar.

Ao mesmo tempo, sendo realizado no distante ano de 1993, achei-o uma metáfora adequada do buraco em que as classes trabalhadoras se vieram a meter, nestes últimos anos, muitas vezes se calhar, por responsabilidade das mesmas. A maneira como aquele pai rejeita com horror a mera sugestão construtiva do padre em a sua a filha usar um vestido em segunda mão para a primeira comunhão, quando se trata de uma peça que apenas vai ser vestida num único dia da vida; encapsula de forma indelével muitos dos maus hábitos que as classes médias de toda a Europa vieram a desenvolver com o Welfare State. Eu usei roupa em segunda mão na minha primeira comunhão, e não morri por isso.

domingo, 10 de outubro de 2010

Tomada de posição

Uma das principais bandeiras de João Lopes é o facto das classes políticas nada terem a dizer sobre o estado da televisão e das imagens que diariamente interrompem/invadem a nossa vida.

Há quem tenha medo de voltarmos à ditadura, se houver intervenção exterior. Eu não. Eu tenho muito mais medo da ditadura televisiva. Como tal, nesse âmbito, estou com JL.

domingo, 3 de outubro de 2010

Black Narcissus

Estava agora a folhear o livro da Cinemateca dedicado ao Cinema e Pintura, deparei-me com fotogramas de Black Narcissus, e constatei que nunca vi esta obra-prima de Powell e Pressburger no grande ecrã, só na tv e posteriormente em dvd, o que é uma blasfémia, pois o filme é dos meus favoritos.

Aliás, quanto mais séries vejo, mais me dá a sensação que o pequeno ecrã é o palco ideal para elas mesmo, e não tanto para os filmes, cuja magia não é devidamente captada nesse terreno - na minha opinião, só devemos ver os filmes em tv, quando não houver mesmo outra chance de os ver em sala de cinema.

No entanto, vou ver um dia Black Narcissus no grande ecrã, estou certo. Aqueles filmes que eu amo genuinamente, e que apenas consegui ver em casa, costuma dar-me uma sensação de que me faltam segredos latentes nas imagens - por vezes, uma imagem ampliada, se for numa cópia boa e não muito pintalgada com riscos, pode revelar algo que nos escapou à primeira vista.