domingo, 28 de novembro de 2010

O que é ser português? # 2

Cada vez estou mais convencido que ninguém sabe, nem mesmo os portugueses. Como tal, face ao vazio que sentia, resolvi fazer uma breve pesquisa na wiki, para ver o que os de lá fora pensavam de nós. Relembro que a wiki possui não apenas informações da autoria de portugueses, mas também informações escritas por gente estrangeira.

Constato então atónito, que a tão falada crise que todos os dias nos é esfregada na cara pelos noticiários, não tem grande relevo por aqui. Há um artigo específico dedicado aos nossos problemas económicos é verdade, mas essas questões não têm lugar nas primeiras linhas de apresentação do nosso país. Segundo o artigo da wiki, Portugal é o 19º país do mundo com melhor qualidade de vida, e o 13º mais pacífico.

Será que estas qualidades são referenciadas de vez quando nos noticiários? Nem pensar. Porque there's no news like bad news para as agências de informação.

Não há melhor que a wikipedia para nos reencontrarmos de forma objectiva com o nosso próprio país.

sábado, 27 de novembro de 2010

A natureza do mal


Nas recentes prequelas de Star Wars, uma ameaça fantasma paira ao longo dos filmes - é Darth Sidious, que consegue manter a sua identidade secreta de todos, inclusivé dos jedi, que estão desorientados; como tal, vai controlando na obscuridade a República.

Nestes últimos dias, tenho chegado cada vez mais à conclusão que o mal quando se resume a uma figura só, não é o pior dos cenários, pois podemos tentar atacar e matá-lo logo pela raiz.

A meu ver, o mal mais perigoso é quando está escondido por trás de um colectivo, que facilmente se poderá auto-desculpabilizar, se alguma coisa der para o torto. É o mal que persegue os tempos que vivemos, tempos de auto-desresponsabilização, em que estamos a ser controlados que nem rebanhos pela comunicação social, mas as pessoas insistem de forma naive em atirar as culpas para os suspeitos do costume - os governantes.

E assim, as pessoas continuam a perpetuar o eterno retorno.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

No rescaldo da greve...

Anteontem tive um pesadelo estranho. Sonhei que me tinha embebedado em Sintra e não havia comboio de volta para casa. Relembro aos leitores que a vila de Sintra é mesmo ao lado donde eu moro.

Andei que nem um perdido à procura de transporte, mas nada - estava tudo em greve. Até que decidi voltar para casa a pé, pela estrada da Portela de Sintra. Mas estava exausto, e fui caindo ao chão várias vezes, rastejando pelo caminho. Na estrada passavam vários carros, alguns deles com amigos e conhecidos lá dentro, que me acenavam no gozo. Ninguém me dava boleia.

Creio que o significado deste pesadelo é bastante óbvio, e explicativo dos erros que tenho cometido ultimamente, na minha vida.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Nostalgia dos 80s


Ontem tive oportunidade passar uma vista de olhos na Caderneta de Cromos do Nuno Markl, e devo dizer que não admira que aquilo esteja a ser o sucesso que é - dividido em capítulos com temas desde a música à televisão, desde os aparelhos electrónicos até aos hábitos daquela altura, é fórmula mais do que certa para atrair malta dos 30 para cima.

Mas o que é refrescante ali, é aquilo não cair numa nostalgia bafienta. Markl não tem pejo em destronar algumas do que eram vacas sagradas na altura, reduzindo-as ao ridículo que eram.

Eu não tive oportunidade de viver muito os 80s, pois nasci em 83, mas devo dizer que não tenho muitas saudades. Era uma época em que, se queríamos arranjar um filme, era complicado como o caneco, para além de termos de levar com esse flagelo nacional de todos os homens terem um bigode à taxista.

Tenho bem mais saudades dos 30s, que foi uma época que não vivi, e parece-me bem mais elegante.

sábado, 6 de novembro de 2010

It's depressing that the words "secret agent" have become synonymous with "sex maniac."

Sir James Bond

Cada vez estou mais convencido de que a versão de Casino Royale de 67 é uma obra-prima negligenciada. É o que também defende Von Dassanowsky no seu artigo do Bright Lights.

Os fãs de 007 odeiam o filme, os críticos trucidaram-no à data de lançamento, mas o que é certo é que o filme tem um charme discreto que escapa a muitos filmes oficiais da saga do agente secreto - neste filme "bastardo", é cristalizado um período histórico único, com os medos da guerra fria no máximo, e o psicadelismo de uma época bizarra, em que qualquer realizador que filmasse os actores através de um aquário era considerado um grande artista.

Em que outro filme 007 é possível ter um cast destes? - David Niven, Deborah Kerr, Peter Sellers, Woody Allen, William Holden, Charles Boyer, John Huston, Joanna Pettet, Ursula Andress.

Casino Royale é uma loucura de filme, e um filme para gente louca, num mundo louco - atira farpas aos filmes com Connery, bem como ao mundo "moderno" prestes a emergir. Um mundo em que as mulheres adquirem uma dimensão predadora e em que ameaçam suplantar os homens. Mas em que, ao mesmo tempo, tal acontece por os machos terem uma mentalidade passé e estarem completamente desadequados.

Aqui, vemos Sir James Bond enfrentar um grupo de raparigas entre os 16-18 anos num castelo escocês; conhecer uma filha ilegítima, que lhe faz avanços sexuais; uma partida de baccarat que segue fielmente o livro (ou talvez não); vemos o quanto Orson Welles podia ser um pulha, intimidando actores como Peter Sellers para fora do set (esta é para os auteuristas fanáticos que ocasionalmente passam pelo meu blog); e vemos Woody Allen como Dr. Noah. Agora respondam-me - em que outro 007 podem ver isto?

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Inesperadamente...

O debate mais importante da blogosfera cinéfila surgiu aqui. A não perder.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

The Bad and the Beautiful é um dos maiores filmes clássicos de sempre. E consegue sê-lo, dando uma visão negra e cínica da mesma indústria que o produziu. É corajoso a esse ponto.

Lana Turner, Dick Powell e Barry Sullivan são os três traídos pelo bad do título - Kirk Douglas, um produtor impiedoso, que não olha a meios para conseguir que os seus sejam os melhores filmes de Hollywood.

Ontem como hoje, importa (re)ver The Bad and the Beautiful, para desmistificar um bocado a tão falada "magia" do cinema, que é falsamente propagada pelas revistas cor-de-rosa, e entre a malta mais jovem. Trabalhar em Cinema pode ser (acreditem-me) mortífero.

A autoridade


Tou sempre a aprender, com o César Monteiro.