sábado, 6 de novembro de 2010

It's depressing that the words "secret agent" have become synonymous with "sex maniac."

Sir James Bond

Cada vez estou mais convencido de que a versão de Casino Royale de 67 é uma obra-prima negligenciada. É o que também defende Von Dassanowsky no seu artigo do Bright Lights.

Os fãs de 007 odeiam o filme, os críticos trucidaram-no à data de lançamento, mas o que é certo é que o filme tem um charme discreto que escapa a muitos filmes oficiais da saga do agente secreto - neste filme "bastardo", é cristalizado um período histórico único, com os medos da guerra fria no máximo, e o psicadelismo de uma época bizarra, em que qualquer realizador que filmasse os actores através de um aquário era considerado um grande artista.

Em que outro filme 007 é possível ter um cast destes? - David Niven, Deborah Kerr, Peter Sellers, Woody Allen, William Holden, Charles Boyer, John Huston, Joanna Pettet, Ursula Andress.

Casino Royale é uma loucura de filme, e um filme para gente louca, num mundo louco - atira farpas aos filmes com Connery, bem como ao mundo "moderno" prestes a emergir. Um mundo em que as mulheres adquirem uma dimensão predadora e em que ameaçam suplantar os homens. Mas em que, ao mesmo tempo, tal acontece por os machos terem uma mentalidade passé e estarem completamente desadequados.

Aqui, vemos Sir James Bond enfrentar um grupo de raparigas entre os 16-18 anos num castelo escocês; conhecer uma filha ilegítima, que lhe faz avanços sexuais; uma partida de baccarat que segue fielmente o livro (ou talvez não); vemos o quanto Orson Welles podia ser um pulha, intimidando actores como Peter Sellers para fora do set (esta é para os auteuristas fanáticos que ocasionalmente passam pelo meu blog); e vemos Woody Allen como Dr. Noah. Agora respondam-me - em que outro 007 podem ver isto?

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