sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Balanço do blog

Decorrido mais de 1 ano desde a sua criação, nunca pensei que o mantivesse passado este tempo todo. O facto de ter demorado tantos anos a voltar à blogosfera, desacreditou muitos, inclusivé eu próprio, que este estaminé se mantivesse de pé muito tempo.

O que me faltava, afinal de contas, era encontrar uma tonalidade certa para o blog; algo que encontrei neste ano de 2010, um tom adequado - nada de críticas demasiado eruditas de cinema, nada de cair demasiado na auto-complacência, e não fazer disto uma página de novidades acerca do que estou a fazer.

O tom deste blog é pessoal, oral, subjectivo, e longe do big brotheriano facebook. Escrevo quando acho que tenho algo para dizer. Quando não escrevo, ninguém estranha.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Leituras

Mais uma vez, vou contrariar tendências da blogosfera. Ao contrário de muitos, não gosto de fazer listas dos 10 melhores do ano, quer seja em termos de filmes, livros ou de música. Primeiro, porque acho que essa é uma tarefa que não me compete (compete aos críticos e aos jornalistas); segundo porque não domino o suficiente as áreas (tirando Cinema, e mesmo assim, prefiro não o fazer, porque sei que há imensos filmes de cinematografias desconhecidas que nos estão sempre a escapar); e terceiro, pelo facto de não me apetecer estar a ler coisas chatas só para poder fazer listas.

Sou muito preguiçoso para ler, principalmente coisas que eu não me despertam grande interesse. Houve uma fase da minha vida que lia imenso. Lia não, devorava. Houve alturas em que lia romances policiais em dois dias - Agatha Christie, Sherlock Holmes - tal era o prazer em descobrir assassinos em intrigas densas, cheias de personagens suspeitas.

Hoje em dia, continuo a gostar de ler. Mas não tanto como antigamente. Ver um bom filme ou bom programa de televisão acaba por ser mais económico em termos de tempo, e igualmente compensador. Neste momento, estou a ler o livro do Zé Diogo Quintela, Falar é Fácil. Anteontem acabei um livro de terror da colecção Pêndulo da Europa-América, O Comboio Fantasma.
Não são propriamente livros que prenderiam os críticos mais intelectuais, mas também, em termos literários, nunca me considerei um intelectual.

domingo, 26 de dezembro de 2010


New Age e Chillout são dois estilos de música que eu pura e simplesmente adoro, que de vez em quando passam nas rádios, mas só muito raramente - são géneros bastante menosprezados, se formos a comparar com as incessantes e repetitivas playlists de rock e pop que vão sempre para o ar.

Este tema dos Era, por exemplo, é capaz de me transportar para lugares e tempos que nunca vivi, e de uma forma que as músicas mais comerciais nunca conseguem.

domingo, 19 de dezembro de 2010

The stuff that dreams are made of

Revisto Inception hoje, pude observar com mais atenção algumas das layers (uma vez que o filme também é formalmente construído sobre layers) que me tinham escapado da primeira vez no cinema; e acreditem-me, o filme é grande, se nunca o viram, por favor façam o favor de salvar a vossa vida de uma vez, indo buscá-lo ao videoclube mais próximo.

Revendo-o, constatei o quanto cresci desde que o vi há uns meses... mas ao mesmo tempo constatei o quanto ainda tenho de crescer para verdadeiramente me conhecer.

A viagem está longe de terminar.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O passado e o presente

Esta noite, tive insónias (o que é raro) e aproveitei para reler coisas antigas que comprei. Uma delas, é um lançamento de 1996 do Cineclube de Faro, intitulado Os Bons da Fita, com entrevistas feitas a realizadores e produtores importantes da altura.

A maior parte deles mantém-se no activo - Oliveira, Pedro Costa, Teresa Villaverde, etc. Mas o que me chamou particularmente a atenção no livro, apesar de alguns aspectos datados, é a constância do pensamento dos realizadores da altura comparado com hoje em dia. Já em 96, João Mário Grilo se afligia com a ignorância cinéfila dos seus alunos (que nunca haviam visto Chaplin ou Griffith), já então António Pedro Vasconcelos clamava no deserto por uma indústria cinematográfica portuguesa (embora não com a persistência de hoje em dia) - ou seja, o que eles são hoje em dia é um seguimento bastante compreensível daquilo que eram.

O aspecto claramente mais datado no livro, é quando o entrevistador faz a eterna pergunta "Como vê o panorama do cinema português actual? É optimista ou pessimista?". Não só alguns cineastas da altura revelavam um optimismo comovente que nunca esperaríamos deles hoje em dia, como também dizem algumas coisas que hoje seriam politicamente incorrectas, a nível de falta de apoios do instituto de Cinema, acusações naquela altura bastante inócuas, em pleno tempo de vacas gordas.