sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O passado e o presente

Esta noite, tive insónias (o que é raro) e aproveitei para reler coisas antigas que comprei. Uma delas, é um lançamento de 1996 do Cineclube de Faro, intitulado Os Bons da Fita, com entrevistas feitas a realizadores e produtores importantes da altura.

A maior parte deles mantém-se no activo - Oliveira, Pedro Costa, Teresa Villaverde, etc. Mas o que me chamou particularmente a atenção no livro, apesar de alguns aspectos datados, é a constância do pensamento dos realizadores da altura comparado com hoje em dia. Já em 96, João Mário Grilo se afligia com a ignorância cinéfila dos seus alunos (que nunca haviam visto Chaplin ou Griffith), já então António Pedro Vasconcelos clamava no deserto por uma indústria cinematográfica portuguesa (embora não com a persistência de hoje em dia) - ou seja, o que eles são hoje em dia é um seguimento bastante compreensível daquilo que eram.

O aspecto claramente mais datado no livro, é quando o entrevistador faz a eterna pergunta "Como vê o panorama do cinema português actual? É optimista ou pessimista?". Não só alguns cineastas da altura revelavam um optimismo comovente que nunca esperaríamos deles hoje em dia, como também dizem algumas coisas que hoje seriam politicamente incorrectas, a nível de falta de apoios do instituto de Cinema, acusações naquela altura bastante inócuas, em pleno tempo de vacas gordas.

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