sábado, 8 de janeiro de 2011

Na morte de Carlos Castro

Hoje de amanhã, ao acordar, sou prontamente informado que o cronista reputado Carlos Castro foi assassinado em Nova Iorque pelo seu jovem amante, aspirante a famoso modelo.

Este é um estilo de notícias que não costuma acontecer muito em Portugal. O nosso país é um sítio onde pais matam os filhos (o caso da Leonor qualquer coisa); onde filhos matam os pais (todos os meses há um caso); uma praia de corrupção e de intriga. Este é um estilo de crime que sucede mais nos EUA, onde o culto da fama é levado a dimensões extremas - volta e meia alguma celebridade aparece morta no chuveiro, ou assassinada, ou com uma embalagem de barbitúricos presa na mão (e depois descobre-se que a celebridade era, hélas, solitária).

Ao chegar uma situação destas ao jet 7 português, mesmo apesar do crime não se ter passado em nosso solo, convém questionar a cultura da fama que se tem instalado em Portugal, nestes últimos anos, que está habituada a ser idolatrada por muito pouco. Programas de fama proliferam na tv, dão-se falsas esperanças a jovens (o assassino era concorrente de um concurso de talentos da SIC), que sem horizontes nenhuns, se entregam a uma máquina canibal que é a televisão (quem fala em glamour é só mesmo gente desiquilibrada mental). Trocam o seu corpo e vendem a sua alma a troco de um bocado da luz da ribalta, e as revistas respondem com os seus flashes.

Desde que tenho feito visitas aquele mundo, há algumas coisas que me têm surpreendido pela positiva na televisão é verdade, mas também tenho observado um lado podre que está inerente a todo aquele verniz, lado esse que não tenho visto sequer insinuado pelas revistas cor-de-rosa. Está por fazer um filme ou uma série sobre esse lado podre. Quem tem coragem de o fazer?

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