segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

No surprises here

Houve alguém que afirmou uma vez que as únicas coisas certas nesta vida, são a morte e os impostos. Eu acrescentaria mais outra certeza, pelo menos anual - uma má cobertura sobre a cerimónia dos Óscares, feita pelos burgessos nos telejornais. É fatal como o destino.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Double bill simultânea

Ontem estavam a dar dois filmes memoráveis de duas épocas completamente diferentes - Cleópatra na RTP Memória, que já havia visto, e Monster no Hollywood, que apenas conhecia o final.
O meu serão foi feito a zappar entre duas fantásticas actrizes - Elizabeth Taylor no auge da sua beleza, e Charlize Theron, no auge da sua fealdade, caracterizada para parecer uma serial killer famosa.
Se Cleópatra foi o filme que levou a Fox à ruína e precipitou o fim do sistema de estúdios, o tempo serviu para amenizar um bocado a má fama que tinha. Visto hoje, Cleópatra é um fascinante documento histórico (e que toma algumas liberdades históricas!), onde vemos alguns dos maiores actores que pisaram a face da terra, tanto americanos como ingleses - Rex Harrison, Richard Burton, Carol O' Connor, Roddy McDowall, Martin Landau, Hume Cronyn.
Monster é um aterrador filme que nos leva a identificar-nos com uma serial killer, algo que jamais pensaríamos ser possível. Charlize recebeu merecidamente a estatueta dourada.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sou declaradamente contra o Pós-Moderno. É a minha némesis constante, com que tenho que me defrontar diariamente. Sempre que me tentam impingir a ética do mundo em que vivemos, eu argumento de volta apresentando provas das maravilhas de épocas distantes, reunindo uma ética minha, que eu considero universal e intemporal.

É por isso que não posso com estas notícias diárias em torno do gladiador favorito nacional.

Ler notícias sobre Ronaldo são desmotivantes para a auto-estima, são um crime contra o bem estar do português médio, é uma ênfase diária constante da imprensa em como nós somos gentalha comparados com estes "deuses", em como nos falta sempre alguma coisa para sermos fantásticos.

Quando leio esta dita imprensa só me lembro da música que tava agora a ouvir na rádio - I wish I was special/ You're so fuckin' special. Desculpem mas entre escolher estar do lado de privilegiados que não o merecem, e homens comuns, estarei sempre de unhas e dentes a apoiar os segundos.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Há lugar para todos


Só hoje tive oportunidade de ver A Bela e o Paparazzo e foi uma agradável surpresa. Os filmes anteriores que havia visto de APV haviam-me deixado com sentimentos mistos - uns gostei (Call Girl, Imortais) outros odiei (Aqui D'El Rei, Jaime) - mas este é o filme que faltava no cinema português, uma comédia romântica com pano de fundo no mundo das celebridades com que os portugueses deliram.

As opiniões dele em relação ao nosso cinema nem sempre são felizes, mas uma coisa não se pode negar ao ver este filme - o homem não tem baixado os braços.

Soraia Chaves representa bem e não precisa de mostrar muito o corpo, a ela são dadas as melhores linhas do filme; Nuno Markl é hilariante, e as personagens-tipo de Maria João Luís e Vírgilio Castelo rasam de forma acutilante a realidade do mundo cor-de-rosa.

Um filme aparentemente pipoca, mas feito com cabeça e (algo que falta em muito filmes nacionais) coração.

Como é possível?

Esta é uma prova indelével que a sociedade moderna falhou completamente.

sábado, 5 de fevereiro de 2011


Não existem muitos filmes como How Green Was My Valley. Estava agora a dar na RTP Memória, e aproveitei para rever, volvidos estes anos todos. E o tempo só serviu para para reconstatar o seu charme e nobreza intemporais. É um daqueles filmes que contêm lições de vida que não constam em cursos universitários. Ensina-nos esses valores essenciais de vida, e que há muito foram esquecidos na poeira do tempo, tais como a humildade, a nobreza de carácter, o sacrifício em nome de alguém que amamos, a amizade, e talvez mais importante do que tudo, o espírito de comunidade, algo completamente esvanecido nestes infernos pós-modernos que são os subúrbios.

Nunca até morrer esquecerei o jovem Huw, aquela família numerosa, a doce Angharad, e o sacríficio de Mr. Gruffyd. Como era verde o meu vale!