sexta-feira, 25 de março de 2011

A arte de representar (II)


Ainda acerca de Liz Taylor, aqui vai uma cena que devia ser estudada por todos os aspirantes a actores e actrizes que povoam o nosso universo televisivo nacional, habitués em morangadas, e em ficção inexpressiva.

Taylor dá uma lição de representação e tem um papel de uma vida, como a mulher ordinária de meia idade, Martha, cujo prato do dia é jogar ao gato e ao rato e às humilhações com o seu marido, George, interpretado por Richard Burton.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Tchaikovsky, Força e Paixão


Esta é apenas uma pequena demonstração do porquê Tchaikovsky ser um dos meus compositores favoritos de todos os tempos.

domingo, 20 de março de 2011

25 anos de Chernobyl

Vi agora a reportagem da Sic. Passado um quarto de século, crianças que nasceram anos depois do acidente, estão doentes para a vida inteira, devido às radiações.

Agora o Japão, um país líndissimo, está ameaçado pela destruição.

Face a estes eventos, só me ocorre sublinhar que o homem pode ser o maior inimigo dele mesmo. E, devido à sua ganância, é capaz de hipotecar o futuro das gerações seguintes.

quinta-feira, 17 de março de 2011



Hoje deixou-nos um grande actor secundário, um dos meus favoritos de sempre - Michael Gough - que a malta mais nova conhece como o imprescindível mordomo de Bruce Wayne, Alfred, nos filmes de Batman até 1997.

Gough tinha uma carreira vastíssima em cinema e tv, e era uma daquelas caras essenciais a que nos habituámos a ver em grandes filmes britânicos, regra geral fazendo de snob vácuo, ou até de vilão. Era ainda possuidor de uma bela voz.

quarta-feira, 16 de março de 2011


- Romeiro! Romeiro!... Quem és tu?

- Ninguém.


in Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett

Esta deve ser provavelmente a resposta mais aterradora da ficção portuguesa. O facto de alguém voltar dos mortos, alguém não desejado, favorece a uma resposta de negação da própria existência. O romeiro é uma não entidade, alguém que sem pertencer ao domínio dos vivos, também não faz parte dos mortos. A negação de identidade provoca um estranho limbo existencial, algo que já me afectou muito, ao longo da vida, quando por vezes me perguntavam quem era eu, à falta de melhor resposta, respondia exactamente o mesmo - ninguém.

terça-feira, 15 de março de 2011

No começo deste ano, escrevi aqui no blog que acredito que 2011 vai ter que ser o ano 0 para Portugal, ou isto endireitava ou então vai tudo pelo cano abaixo.

Aparentemente, continuava a haver muita estupidez no ar, mas voltei a ter esperança quando os Homens da Luta venceram o festival e houve aquele bonito momento histórico que foi a manifestação do dia 12.

Ontem, o primeiro ministro fez uma declaração ao país à hora do jantar, anunciando uma crise política que se avizinhava há muito tempo. Os telejornais diariamente põem em causa o governo, mostrando mais e mais o PSD. Os dados estão lançados. Mais dia menos dia isto vai mudar de novo para os laranjas.

Mas a estupidez continua a ser assim tanta? Será que os portugueses só sabem votar em dois partidos?

quinta-feira, 10 de março de 2011

Este é um texto interessante do Pedro Borges, director da Midas, que serve para desmisticar algumas das ideias feitas de algumas pessoas em torno do Cinema Português.

Só há um ponto em que eu não concordo com o escriba - que o Cinema Português é muito mau, o que não acho. É muito mal divulgado é verdade, e raras vezes conseguimos entrar no mercado exterior, mas já vi alguns filmes brilhantes feitos no nosso país. Pena é que a maior parte sejam curtas em festivais, cujos realizadores nunca mais voltei a ouvir falar.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Da incapacidade dos portugueses se olharem ao espelho

As forças da reacção começam a pronunciar-se aqui e aqui. E tudo isto, só por causa de terem "ousado" gozar com essa vaca sagrada, essa autêntica instituição intocável que era o Festival da Canção.

Ora, como o passar do tempo nos tem mostrado, as coisas que nos eram mais sagradas acabam por se descobrir serem as nossas maiores inimigas para progredirmos.

E aqui eu terei de ficar inevitavelmente do lado dos mais jovens, daqueles que foram enganados. Desculpem, mas tem que ser.

O rosto que é negado

Jel dizia agora no Jornal da SIC que há um Zeca Afonso e um Marcelo Rebelo de Sousa, isto é, um revolucionário e um reaccionário dentro de cada um de nós. Compete-nos a nós escolher qual deles deixar vir ao de cima.

E ele tem muita razão. Os Homens da Luta satirizam o povo português, com o que há de melhor (protesto, igualdade) com o que há de pior e contraditório (luxos escondidos, menosprezo pela pobreza). E é essa dualidade que incomoda aos portugueses que se manifestam contra eles terem ganho o festival. O rosto da verdade dói.

domingo, 6 de março de 2011

Homenagem tardia a um Mestre

Por aqui, lê-se livros que uma pessoa ainda não havia tido oportunidade de ler com atenção. Como os catálogos massivos dedicados ao cinema Musical, editados pela Cinemateca nos idos oitentas.

E foi uma leitura bem melhor do que esperava. Pode não estar actualizado, mas que importa? Não houveram assim tantos musicais desde então e, para além disso, temos ali oportunidade de redescobrir a escrita de João Bénard da Costa, e partilhar alguns dos seus gostos cinéfilos e obsessões pessoais.

Hoje há gente a escrever bem sobre filmes, mas nunca mais houve ninguém a escrever sobre Cinema e sobre o amor aos filmes como Bénard o fazia. Na maioria da escrita cinéfila actual há uma distanciação em relação ao objecto que chega a ser alienante, Bénard não tinha pejo em fazer de cada filme que amava ou de cada actriz fetiche sua uma bandeira pessoal, interligando os seus (bons) gostos e referências de forma simultaneamente erudita e divertida.

Foi graças a ele que descobri que o amor pelo Cinema podia ser uma coisa lúdica e ao mesmo tempo ser levada a sério, comparando com artes mais valorizadas como a pintura e a literatura. E devo dizer que foi uma honra ter trabalhado sob a direcção dele entre 2004 e 2006.

Os Homens da Luta ganharam o festival da canção!

Fartos de ver as suas músicas a serem corridas da Eurovisão com uma meia dúzia de ridículos pontos, os portugueses pela primeira vez em muitos anos fizeram algo de inteligente - votaram numa música a gozar com as fuças dos júris, em que se apela à luta.

Quando se soube a decisão, houve assobios e apupos no Teatro Camões, e o público começou a abandonar a sala, enquanto a canção era interpretada uma última vez. Mas o que essa gente conservadora ligada às tradições não compreendeu, foi que isto não vai lá com canções bonitinhas.

sábado, 5 de março de 2011

A culpa é do Governo?

A blogosfera cinéfila está numa pobreza franciscana de ideias e novidades, como tal voltei-me para este site, que tem um artigo interessante traçando paralelos entre o filme de ficção científica Metropolis (do ano de 1927, o que espantará muita gente), e a sociedade actual em que se idolatram Madonnas e Ladys Cacas e o caralho.

Querem uma prova maior de que estamos a ser controlados que nem carneiros?

quarta-feira, 2 de março de 2011

Sonhos

Esta noite sonhei que estava num espécie de floresta, havia uma rapariga morena intrigante que eu amava mas que me enganava. Vinha um helicóptero buscar-me. Havia um inimigo que eu receava, mas com que acabava por fazer as pazes num terreno cheio de neve. Junto ao terreno encontrava-se um comboio onde fazia uma longa viagem, em que conhecia muitos dos passageiros.
No sonho, também havia uma situação em que adquiria uma casa nova, mas demasiado pequena e a desconjuntar-se - a casa de banho parecia estar a desfazer-se cada vez que lá entrava.