domingo, 6 de março de 2011

Homenagem tardia a um Mestre

Por aqui, lê-se livros que uma pessoa ainda não havia tido oportunidade de ler com atenção. Como os catálogos massivos dedicados ao cinema Musical, editados pela Cinemateca nos idos oitentas.

E foi uma leitura bem melhor do que esperava. Pode não estar actualizado, mas que importa? Não houveram assim tantos musicais desde então e, para além disso, temos ali oportunidade de redescobrir a escrita de João Bénard da Costa, e partilhar alguns dos seus gostos cinéfilos e obsessões pessoais.

Hoje há gente a escrever bem sobre filmes, mas nunca mais houve ninguém a escrever sobre Cinema e sobre o amor aos filmes como Bénard o fazia. Na maioria da escrita cinéfila actual há uma distanciação em relação ao objecto que chega a ser alienante, Bénard não tinha pejo em fazer de cada filme que amava ou de cada actriz fetiche sua uma bandeira pessoal, interligando os seus (bons) gostos e referências de forma simultaneamente erudita e divertida.

Foi graças a ele que descobri que o amor pelo Cinema podia ser uma coisa lúdica e ao mesmo tempo ser levada a sério, comparando com artes mais valorizadas como a pintura e a literatura. E devo dizer que foi uma honra ter trabalhado sob a direcção dele entre 2004 e 2006.

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