quarta-feira, 16 de março de 2011


- Romeiro! Romeiro!... Quem és tu?

- Ninguém.


in Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett

Esta deve ser provavelmente a resposta mais aterradora da ficção portuguesa. O facto de alguém voltar dos mortos, alguém não desejado, favorece a uma resposta de negação da própria existência. O romeiro é uma não entidade, alguém que sem pertencer ao domínio dos vivos, também não faz parte dos mortos. A negação de identidade provoca um estranho limbo existencial, algo que já me afectou muito, ao longo da vida, quando por vezes me perguntavam quem era eu, à falta de melhor resposta, respondia exactamente o mesmo - ninguém.

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