terça-feira, 31 de maio de 2011


Para quem ainda tivesse algumas dúvidas do mentecaptismo do jornalismo nacional, basta dar uma vista de olhos nos noticiários dos últimos dias - parece que, depois de semanas a fio com a febre dos idosos-abandonados-encontrados-mortos-nos-apartamentos, chegou agora a moda dos adolescentes-delinquentes-que-se-espancam-filmados-no-telemóvel.

E parece que agora (o choque, o horror, meu Deus!) os adolescentes são cada vez mais violentos, e que antigamente "é que havia respeito". Enfim, não há nada como um bocadinho de jornalismo acéfalo para nos apercebermos do quanto os noticiários estão empenhados em tentar desviar-nos a atenção daquilo que verdadeiramente interessa: por exemplo, o governo que se segue e que ainda nos vai tirar mais do bolso.

domingo, 29 de maio de 2011

Matar ou não matar


Come and See (Idi i smotri) é talvez o filme mais devastador que vi na vida. Narração apocalíptica sobre os horrores da frente leste na Segunda Guerra Mundial, o filme parece estar a afirmar algo, quando o final pára tudo e nos faz repensar o que vimos para trás.

Porque a História não pode ser esquecida foram feitos filmes como este. Um dos maiores ensaios de sempre sobre o Mal.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Só devem ver novelas da TVI, com certeza

Dois concorrentes consecutivos no Quem Quer Ser Milionário, um homem e uma mulher, não sabem a resposta à pergunta "Qual é o actor que entrou nos filmes Tudo Bons Rapazes e O Cabo do Medo?"

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Você é um cinéfilo snob?


Tou a ler o Dicionário de Cinema para Snobs e, à semelhança do Guia Terapêutico de Cinema, é uma leitura lúdica, inteligente, e plena de tiradas hilariantes e ousadas como "L'Atalante é desesperadamente aborrecido" ou "Howard Hawks não tem qualquer marca de autor".

Eu próprio já fui um cinéfilo snob, e revejo-me bastante naquela caracterização satírica dos cinéfilos exigentes, que não poucas vezes têm um feitio insuportável, a rasar a misantropia. Eu por acaso, devo ter sido dos poucos cinéfilos snob simpáticos...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ouvi-las a estalar, crac, crac

Tenho o corpo cheio de borbulhas por causa de pulgas que teimam em não morrer. Já meti Dum Dum no quarto todo. Têm algumas recomendações em como caçá-las? E o que meter no corpo para aliviar?

sábado, 14 de maio de 2011

Eartha Kitt



Anteontem, na Caderneta de Cromos da Rádio Comercial, Nuno Markl fez uma emissão hilariante em que questionou o porquê de algumas velhas estrelas consagradas costumarem omitir a fase dos anos 80 em retrospectivas da carreira. Vendo os excessos de Eartha Kitt nessa década, é fácil de ver o porquê dessa omissão.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Confesso que me faz raiva o estilo de pessoas que comentam esta notícia. O Último a Sair é uma sátira frontal ao telelixo televisivo, sendo interpretado por Bruno Nogueira, Rui Unas, Luciana Abreu como se fosse for real.

Só isso já é de louvar, numa sociedade apática que papa tudo o que aparece na tv, como tal intriga-me este tipo de gente que começa a bradar aos céus "Andam a brincar com o meu dinheiro" e coisas do género. Se calhar, preferiam ver o seu rico dinheiro gasto em pérolas televisivas como o Peso Pesado ou programa da tribo na TVI. Tenham vergonha na cara, por amor da santa!

domingo, 8 de maio de 2011

1001 filmes para ver antes de morrer é muito filme...


No entanto, devagar se vai ao longe. Da lista de escolhas do calhamaço que preenche largas estantes da Fnac, consegui ver umas boas centenas com o passar dos anos, inclusivé filmes que pouca gente viu... só mesmo cinematecos como eu.

Dêem uma vista de olhos na lista e parem de se queixar que não têm nada para fazer. Vejam aquilo que ainda não viram e façam o favor de serem felizes.

sábado, 7 de maio de 2011

Filmes deprimentes

Mas agora a sério, há filmes na lista que são simplesmente demasiado deprimentes para se conseguir voltar a vê-los. Luz de Inverno, ainda vá, é um filme magistralmente filmado apesar da aridez interior das personagens, agora Dancer in the Dark, para além de miserável é genuinamente mau.

E os filmes de Haneke não são decididamente recomendáveis a quem teve uma semana negra - corre-se o risco de ver gente a sair à rua com caçadeiras.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Antídoto para uma época em que só se fala de crise

É ler este magnífico texto escrito pela Inês Pedrosa, de uma edição do Expresso de Fevereiro, mas com que só agora tive oportunidade de me cruzar. Magnífico por ser uma autêntica voz no deserto de ideias em que vivemos, em que o jornalismo insiste em anunciar que estamos à beira da aniquilação (mas que é sempre adiada para o dia seguinte...).


Programa para um ano de crise

A conversa da angústia é velha e mata os novos.

Na Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo, no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa, mulheres e homens das mais variadas idades encontram-se ao cair da noite para aprender a dançar. As aulas, excelentes, custam apenas um euro por dia, para quem tenha a persistência de rodopiar diariamente e queira aprender uma dança diferente em cada mês: jive, valsa inglesa, valsa vienense, rumba, samba, tango, cha-cha-cha, paso doble, slow fox e quick step.

Quando chegam os alunos da primeira hora, saem os dançarinos das matinés dançantes que ali existem todas as tardes, das três às sete - gente que se reformou do trabalho mas não da alegria de viver. Há mais mulheres do que homens com vontade de aprender a dançar. Pelo menos nos Alunos de Apolo. Mas nunca falta par, porque há um valoroso conjunto de homens dos níveis mais elevados que se disponibiliza a aparecer pelas aulas dos principiantes para se deixar pisar até que as novatas consigam fixar os passos.

Ali, naquela hora, ninguém quer demonstrar nada, nem chegar a lado algum - não há egos lustrosos nem feitos imponentes, apenas ritmos. Enquanto os professores corrigem cada passo em falso e cada movimento trôpego, os parceiros sapientes segredam às tropeçantes: "deixe-se levar pela música que o resto vem depois". O resto virá depois, sim, desde que saibamos escutar a música, entrar no tempo.

A crise que vivemos resulta do oposto desta atitude: querermos acelerar o tempo, dominar a música, abafá-la, tomá-la toda para nós. Essa é uma das coisas que se aprendem num filme que só aparentemente é sobre dança - "Cisne Negro", candidato a mais Óscares do que os que mereceria, se tomasse alguma distância sobre a loucura da perfeição em que se compromete.

A competição desenfreada conduziu o mundo ao impasse em que estamos hoje. É tempo de percebermos que o remédio está na antítese do veneno - pararmos de correr e encontrarmos tempo para, simplesmente, dançar. A conversa da angústia sobre o futuro é velha e mata as novas gerações. Há trinta anos o telemóvel, a Internet e as redes sociais que entretanto criaram empresas e fortunas eram impensáveis - por conseguinte, que valor têm os augúrios de desgraça para os nossos filhos e netos? A nova geração precisa desesperadamente de incentivo - e sobretudo calma.

O direito ao sonho parece arredado da cartilha dos mais novos, tanta é a ansiedade dos pais sobre o seu sucesso futuro. Einstein chumbou a Humanidades na entrada para a Universidade e Bill Gates abandonou o curso no 3º ano para se dedicar aos computadores. Estudar é importante, desde que se tenha paixão por aquilo que se estuda. Conheço jovens que estiolam a estudar Gestão quando gostam de Artes, porque têm medo de não poder sustentar-se. E sei que ninguém pode ser um bom gestor se não tiver amor pela gestão. Sei que a felicidade começa sempre pelo amor.

Não me atreveria a dizer que sei mais nada - mas quando se teve a sorte de aprender na infância que é importante ter sonhos e lutar para os tornar realidade, sabe-se isto. Essa sorte é hoje interditada aos meninos que são obrigados a aprender chinês ou a correr de explicação em explicação para serem os melhores da turma, os mais hábeis sobreviventes, os mais competitivos.

A crise fundamental é a de ideias: os sistemas económicos tradicionais estoiraram, e não se adivinha ainda o que poderá vir substituí-los. Seria mais fácil adivinhar se tivéssemos tempo para pensar. Tempo livre - para ler, viver, e sobretudo pensar. Deveríamos fazer da filosofia o centro dos currículos escolares, desde o primeiro ano de ensino - em vez de fazermos precisamente o contrário, como calamitosamente temos feito.

Os jardins são gratuitos. Os museus, aos domingos, também. Como são gratuitas as bibliotecas - e há-as hoje pelo país inteiro, disponibilizando, além de livros e revistas, músicas e filmes. Um bilhete para os fabulosos filmes que a Cinemateca exibe custa menos de metade de um bilhete de cinema normal. Quando se passa uma manhã de sol, mesmo no Inverno, lendo estiradamente na relva, o cérebro acende-se e a alegria renasce.

A pouco e pouco, perde-se aquele instinto de frustração que nos leva, tantas vezes, a desrespeitar os outros - utilizando-os, fustigando-os, ou tentando frustemente caçar-lhes o lugar, numa fila dos Correios ou numa qualquer empresa. O mais urgente programa anticrise parece-me esse: gozar cada dia devagar, com o mínimo de possível de custos. E pensar como quem dança, sem olhar para o par do lado nem pretender mais do que o prazer de rodopiar ao som da música.


Nota: Inês Pedrosa escreve de acordo com a antiga ortografia

Texto publicado na revista Única de 12 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

World Press Cartoon em Sintra



Admiro pessoas que são capazes de desenhar caricaturas. Admiro-as tanto como aquelas pessoas que fazem grandes filmes, ou compõem grandes músicas, pois é preciso ter um talento do camandro para, em meia dúzia de rabiscos, parodiar a política, a corrupção ou até mesmo figuras públicas conhecidas, de forma simultaneamente divertida e inteligente.

Não deixem de visitar a exposição no Olga Cadaval, em Sintra.