terça-feira, 14 de junho de 2011

Uma entrevista a um grande mister


O meu amigo Victor Hugo, que para azar de todos nós não é muito dado a estas lides de blogs, tem carregado algumas preciosidades que tem lá por casa para o YouTube, como é o caso desta entrevista de Herman José a Christopher Lee numa edição do Parabéns do ano de 1996, que na altura não tive oportunidade de ver.

A entrevista não é brilhante. Herman não parece suficientemente preparado para ela, e para alguém que se diz fã de Lee, não sabe alguns factos essenciais (como o facto dele ser primo de Ian Fleming). Além disso, Herman deixa muitas vezes o seu ego ultrainflamado vir ao de cima, como na parte em que começa a competir com Lee a ver quem sabe falar mais línguas, rasando mesmo a má educação; e a conversa alonga-se um bocado demais em obsessões pessoais do humorista, como Hitler.

Os excertos escolhidos também não são os melhores - tirando The Man With The Golden Gun, não me parece que Airport 77 e o Gremlins sejam propriamente a melhores demonstrações da mestria do actor.

Não obstante, neste valioso documento videográfico temos a oportunidade de reconfirmar o saber estar, a humildade e a sabedoria de Christopher Lee, de ver o que o faz um grande senhor do nosso tempo e de todos os tempos, aquele tipo raríssimo de velhos com quem queremos estar a ouvir episódios e histórias, durante horas a fio. A história que ele conta sobre Boris Karloff é uma autêntica lição de vida, e um conselho máximo para qualquer que seja a via profissional que escolhamos.

De destaque ainda é a duração da entrevista - cerca de 45 minutos - algo inimaginável nos tempos de hoje em televisão, em que se está sempre a cortar a palavra ao convidado com observações parolas ou interrupções surreais.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Le Rayon Vert

Le Rayon Vert, realizado por Eric Rohmer em 1986, é um filme muito interessante de se ver, principalmente por pessoas como eu, que têm vindo a sofrer episódios depressivos/solidão ao longo da vida.
Tal como a protagonista, eu próprio tenho estado perdido, estando com pessoas só por estar, fazendo coisas e trabalhos de que não gosto. Mas o que eu não tenho visto é que o maior prejudicado sou eu, e que só temos uma vida para viver, como tal mais vale a pena que ela seja vivida antes de chegar a nossa hora.

Tal como a protagonista, devo começar a aprender que nada acontece sem um bocado de esforço da nossa parte, e que se queremos que a vida ande para a frente não podemos estar sempre à espera que venham ter connosco - é necessário mexermo-nos.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A bela da calcinha boca-de-sino

Não consigo entender aquele pessoal que tem tv cabo e passa a vida a lamuriar-se, dizendo que não dá nada de jeito em 40 canais. Ora, dá todos os dias por volta das 21h30 na Rtp Memória uma série mítica venerada pela geração anterior à minha, que eu não conhecia - trata-se de Espaço: 1999.

Ora a série é do bom ano de 1975 e mostra a maneira como eles pensavam que o mundo ia ser em 1999, com a velocidade que os avanços científicos e espaciais estavam então a ter.

O tempo veio provar-nos que as coisas não avançaram assim tanto (pelo menos no ramo espacial), mas isso não nos impede de usufruirmos as maravilhas desta fantástica série. Ora temos Martin Landau e Barbara Bain, dois pros saídos da Mission Impossible; temos fantásticos argumentos que colocam dilemas morais/éticos às personagens; temos naves espaciais que parecem brinquedos é verdade, mas que na altura eram o topo em efeitos, temos carecas que deixavam crescer o cabelo atrás (ver foto em cima), e temos a bela da calça boca-de-sino!

Não há nada como os anos 70!

sexta-feira, 3 de junho de 2011


Amélie só pode ser um dos meus filmes favoritos, pois tenho-me cruzado diversas vezes com ele no passar dos anos, e de de todas as vezes que o vi, tive sempre respostas emocionais fortes. E diferentes. Se à primeira vez, deixei-me encantar pela sua heroína cândida e pela história romântica, cheia de humor e de joie de vivre; nas vezes que vi a seguir há sempre alguma coisa nova que me prende a atenção. Hoje, quando o revi com um pequeno grupo, constatei a abrangência que o Cinema pode ter, quando é belo. Quando o Cinema é grande e quando é feito com alma, não há fronteiras entre as pessoas, e pode ser apreciado por toda a gente no mundo. Quando a maior parte das pessoas se identificam com Amélie, é sinal que ainda há uma réstea de esperança para a Humanidade, e que as pessoas ainda acreditam que podem alterar a vida dos outros, para melhor. E nós podemos mudar o mundo para melhor. Aos bocadinhos, mas podemos.