segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Algumas afirmações sábias...

De Pedro Boucherie Mendes, cujo livro tive oportunidade de folhear há dias na Fnac. O júri de mau feitio dos Ídolos tem mais humor e inteligência do que eu previa. Eis algumas observações que ele faz a uma moda recente dos portugueses:

As redes sociais são o intestino da alma, ideais para activistas de sofá.

O sucesso das redes sociais assenta no facto de não exigir muito de nós.

Na fantasia do Facebook, todos aqueles amigos são amigalhaços do peito e fariam qualquer coisa por nós - dar um rim, uma boleia, etc.

domingo, 28 de agosto de 2011

Breve apontamento sobre a ficção portuguesa

Não há muito tempo ouvi algumas pessoas a pronunciarem-se de forma depreciativa em relação a séries portuguesas, afirmando peremptoriamente que as mesmas não passam de imitações baratas de séries americanas.

Sim e não. Se, por um lado são descaradamente influenciadas por séries como Anatomia de Grey (ver Maternidade), ou CSI e outras séries de investigação (ver Cidade Despida, por exemplo); por outro lado são passos essenciais para melhorar a ficção televisiva nacional.

Cidade Despida não é daquelas séries que me vai tirar o sono, fazendo-nos anotar na agenda para não nos esquecermos de gravar, mas há dias tive oportunidade de revê-la em repetição na RTP 1 (uma vez que da primeira vez estava com muita coisa na cabeça) e até que gostei. É melhor realizado do que as novelas fast-food, sabe transmitir um ambiente tenso, sabe apresentar personagens de forma subtil, tem óptimas equipas de duplos e de efeitos especiais para dar mais realismo.

Pode não ser uma obra-prima, mas eu penso que é um passo essencial no sentido de construir uma televisão portuguesa com maior qualidade. Não bastam novelas com enredos iguais de há duas décadas para fazer avançar a máquina da ficção.

sábado, 27 de agosto de 2011


Apesar de adorar os EUA, só ali poderia surgir um fenómeno como Oprah Winfrey. Esta paródia do Madtv capta bem as nuances e contradições do programa e da persona pública dela.

domingo, 21 de agosto de 2011

As silly seasons


Há dias lia um texto já não me lembro de não sei quem, no Expresso ou no Sol, que acreditava "que não existem silly seasons", e dava como exemplo o Verão quente de 1939, quando a maioria da classe média francesa foi a banhos, graças ao então recém-adquirido subsídio de férias. Enquanto isso, a Wehrmacht de Hitler preparava a sua blitzkrieg, a ofensiva relâmpago para o início de Setembro.

Há alturas em que concordo com o que esse colunista escreveu, outras vezes que discordo. Discordo, por exemplo, ao ler notícias deste calibre num jornal que devia ser sério como o DN. Eu gosto de Alexandra Lencastre, mas mesmo ela, se for estimulada para isso, pode ser idiota até dizer chega.

Mas também, se formos a ver com mais atenção, o não dizer nada, ou o falar não comunicando de todo, é algo inerente a todas as épocas - não exclusivamente da estação quente. Como tal, não podemos pegar por aí.

Quando por esta altura não vou a banhos, aproveito para seguir o exemplo de Hitler - preparo a minha blitzkrieg pessoal de Setembro. Agora estava a dar no canal Odisseia um documentário fascinante sobre a mente de Marylin Monroe, e as complexidades e os problemas de uma menina-mulher sex symbol, questões que são desconhecidas para muitos.

E aí, constatei que não existem estações silly. São apenas silly se as tratarmos como tal - a profundidade e a sensibilidade podem existir onde menos se espera, quer na praia, quer no cinema, quer num documentário aparentemente inócuo. Se a maioria dos colunistas procuram profundidade nos sítios do costume (como a imprensa dita séria), isso demonstra a clara falta de visão que o jornalismo neste país tem vindo a padecer.

sábado, 20 de agosto de 2011

Do que não se viveu


Se Maria Filomena Mónica gostava de ter vivido no século XIX para seguir o quotidiano lisboeta queiroziano, Quentin Tarantino adorava ter vivido como adulto os anos 70 para fazer filmes blaxploitation. To each his own.

Pessoalmente, já desejei ter vivido os anos 30 americanos para presenciar estreias de filmes como Gone with the Wind ou dos musicais com Ginger Rogers e Fred Astaire. Já desejei ter vivido na década de 40 em New York, por exemplo, para presenciar o surgir do film noir. Desejei ser um dos primeiros espectadores de Vertigo e de Psycho nos cinemas, delirar com as campanhas publicitárias de Hitchcock, na década de 50 e 60. Mais recentemente, desejei ter presenciado os anos 60 britânicos, e viver a pleno a swinging London, do nascimento dos Beatles e das estreias dos 007.

What a hell. Uma pessoa nunca tá contente com o que tem.

Só agora começo a dar valor à época em que vivo. Ontem e anteontem tive a ver maratonas de animação que dão no Fox, mais propriamente dos Simpsons, e por Deus, talvez pela primeira vez na vida comece a sentir-me honrado por ter vivido a década de 2000 e o ano 2011. Pois aquele é talvez o maior desenho animado de sempre, e se tivesse vivido a pleno os anos 50 e/ou 60, provavelmente a esta hora já não andava por cá... ou andava... mas completamente senil.

domingo, 14 de agosto de 2011

O meu plano favorito da História do Cinema

Está aqui, no Cine Resort. Um abraço e um grande obrigado ao João Palhares pelo amável convite.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Para amares os outros é necessário primeiro amares-te a ti próprio


Só ultimamente comecei a compreender este ditado. Por incrível que possa parecer, não é um ditado narcisista, em que nos é requerido que adoremos o chão que pisemos, e que veneremos a nossa imagem.

Nada disso. O sentido do ditado é que se não nos respeitarmos física e psicologicamente, se não respeitarmos a nossa natureza, os nossos talentos, nada se faz.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011


Este vídeo do Bruno Nogueira já é antigo, mas só o vi hoje pela primeira vez, e é absolutamente hilariante e trágico ao mesmo tempo - trágico porque reflecte a não-comunicação dos tempos modernos. A forma como aquela rapariga continua a estar em linha com um cliente que não percebe é uma perfeita metáfora da forma como as pessoas levam as suas vidas.

domingo, 7 de agosto de 2011

O que ando a ver

Family Guy Comecei por ver as paródias a Star Wars, como Blue Harvest e Something Something Dark, mas acabei por ficar grudado naquelas estranhas personagens, principalmente no maléfico bébé falante Stewie. Uma série mais hardcore e politicamente incorrecta do que The Simpsons, mostra uma face dos americanos que eles se calhar prefeririam ignorar. Está a passar no Fox.

The Office A versão britânica que já andava há algum tempo para ver, é bem melhor do que antecipava. Relata o dia-a-dia num escritório de uma indústria de papel em Slough, mas as realidades ali são bem reconhecíveis e fáceis de estabelecer paralelos com o nosso quotidiano - o patrão pulha, machista, e convencido de que é um humorista nato; o cinzentismo das rotinas de trabalho; as intrigas; os flirts e os romances, etc. Uma série absolutamente brilhante.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Frase da semana

Be yourself, because everybody else is already taken.

Oscar Wilde