domingo, 21 de agosto de 2011

As silly seasons


Há dias lia um texto já não me lembro de não sei quem, no Expresso ou no Sol, que acreditava "que não existem silly seasons", e dava como exemplo o Verão quente de 1939, quando a maioria da classe média francesa foi a banhos, graças ao então recém-adquirido subsídio de férias. Enquanto isso, a Wehrmacht de Hitler preparava a sua blitzkrieg, a ofensiva relâmpago para o início de Setembro.

Há alturas em que concordo com o que esse colunista escreveu, outras vezes que discordo. Discordo, por exemplo, ao ler notícias deste calibre num jornal que devia ser sério como o DN. Eu gosto de Alexandra Lencastre, mas mesmo ela, se for estimulada para isso, pode ser idiota até dizer chega.

Mas também, se formos a ver com mais atenção, o não dizer nada, ou o falar não comunicando de todo, é algo inerente a todas as épocas - não exclusivamente da estação quente. Como tal, não podemos pegar por aí.

Quando por esta altura não vou a banhos, aproveito para seguir o exemplo de Hitler - preparo a minha blitzkrieg pessoal de Setembro. Agora estava a dar no canal Odisseia um documentário fascinante sobre a mente de Marylin Monroe, e as complexidades e os problemas de uma menina-mulher sex symbol, questões que são desconhecidas para muitos.

E aí, constatei que não existem estações silly. São apenas silly se as tratarmos como tal - a profundidade e a sensibilidade podem existir onde menos se espera, quer na praia, quer no cinema, quer num documentário aparentemente inócuo. Se a maioria dos colunistas procuram profundidade nos sítios do costume (como a imprensa dita séria), isso demonstra a clara falta de visão que o jornalismo neste país tem vindo a padecer.

Sem comentários: