sábado, 20 de agosto de 2011

Do que não se viveu


Se Maria Filomena Mónica gostava de ter vivido no século XIX para seguir o quotidiano lisboeta queiroziano, Quentin Tarantino adorava ter vivido como adulto os anos 70 para fazer filmes blaxploitation. To each his own.

Pessoalmente, já desejei ter vivido os anos 30 americanos para presenciar estreias de filmes como Gone with the Wind ou dos musicais com Ginger Rogers e Fred Astaire. Já desejei ter vivido na década de 40 em New York, por exemplo, para presenciar o surgir do film noir. Desejei ser um dos primeiros espectadores de Vertigo e de Psycho nos cinemas, delirar com as campanhas publicitárias de Hitchcock, na década de 50 e 60. Mais recentemente, desejei ter presenciado os anos 60 britânicos, e viver a pleno a swinging London, do nascimento dos Beatles e das estreias dos 007.

What a hell. Uma pessoa nunca tá contente com o que tem.

Só agora começo a dar valor à época em que vivo. Ontem e anteontem tive a ver maratonas de animação que dão no Fox, mais propriamente dos Simpsons, e por Deus, talvez pela primeira vez na vida comece a sentir-me honrado por ter vivido a década de 2000 e o ano 2011. Pois aquele é talvez o maior desenho animado de sempre, e se tivesse vivido a pleno os anos 50 e/ou 60, provavelmente a esta hora já não andava por cá... ou andava... mas completamente senil.

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