quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Most men lead lives of quiet desperation and go to the grave with the song still in them.

Henry David Thoreau

sábado, 24 de dezembro de 2011

Bom cinema (português)


Hoje finalmente consegui ver Duas Mulheres de João Mário Grilo, nunca tinha visto nenhum filme dele, e agradou-me o que vi - está filmado de forma competente, algo fria e distante para o meu gosto, mas com sensações de suspense e medo a perpassar a história para nos deixar agarrados até a cena seguinte.

Recomendo mesmo às pessoas que não viram o filme a leitura da entrevista do realizador dada à revista Visão.

O filme mostra a realidade pura e dura, e quem faz novelas teria muito a aprender se visse Cinema Português, mas com olhos de ver... e não apenas para ver as cenas lésbicas (não que elas deixem de ter o seu valor).

sábado, 17 de dezembro de 2011

Pão e circo


É espantosa a maneira como certas imagens vão para o ar em repeat - a queda das Torres Gémeas, e agora a queda do prédio do bairro do Aleixo. Há ali toda uma encenação espectacular das notícias, que só os mais ingénuos poderão considerar como espontaneidade.

João Lopes tem razão - enquanto as pessoas não pensarem o significado e as intenções por detrás das imagens no nosso espaço mediático nacional, o país jamais poderá crescer.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Um belo começo

Quis o destino que só em 2011 me tenha cruzado com El Mariachi, realizado por Robert Rodriguez em 1993. Magnificamente realizado e escrito (a maneira como os clichés do género são subvertidos a toda a hora) pelo então muito jovem Rodriguez, que tinha apenas 23 anos; devo dizer que à semelhança de Citizen Kane este é daqueles filmes que não me importava nada de ter realizado, como debut em cinema.

É possível fazer grande cinema com parcos recursos.

domingo, 11 de dezembro de 2011


À falta de melhor para fazer, e uma vez que o Natal puxa a nostalgia de cheiros passados, meto este vídeo que nos faz recuar à vontade uns 20 anos para trás.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sem grande surpresa...


O filme que importa ver este Natal é o novo Cronenberg.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Mete-se o Natal

Quando atravessamos os inevitáveis feriados com ponte, lembro-me deste texto dos Gato Fedorento, que eles brilhantemente observaram em 2003, antes da infame "crise" portanto. O texto é uma metáfora perfeita da maneira de ser e de estar de um largo número de portugueses:

METE-SE O NATAL: Quem já lidou com serviços, sabe o que é isto: “Pronto, o requerimento está entregue. O problema é que isto é capaz de atrasar” (pausa dramática) “porque agora mete-se o Natal...”, acaba por dizer o funcionário, como quem anuncia um acidente. Apanhados de surpresa, damos por nós a murmurar, com pesar “Ah... não me diga. Pois, se é assim...” Quando, o que devíamos dizer era “Ó meu amigo, o Natal não se meteu coisa nenhuma, porque já o ano passado – e esta tem graça! – se tinha metido nesta altura. Como aliás, salvo erro, se tinha metido no anterior. Ou não? Espera... Sim, já se tinha metido no anterior!”
Mas estaria a ser injusto para o funcionário, que só quer fazer o seu trabalho e não tem culpa por ter sido apanhado de surpresa pelo Natal, que se “meteu” no meio do serviço, atrasando a produção uns quinze dias. Isto porque, não contente em “meter-se”, pôs uma cunha e “meteu” também a véspera. Além disso, quando o funcionário julga que o caminho está livre para dias e dias de trabalho ininterrupto, eis senão quando se “mete” o Ano Novo. Sacana. E o funcionário, coitado, ainda a refazer-se da surpresa da primeira metidela.
Todo o ano, invariavelmente, o trabalhador português é surpreendido por este “meter-se” do Natal.
- Ó Silva, tens tudo preparado para acabar o serviço?
- ‘Tá tudo pronto chefe, se não acontecer nada de estranho, tenho isto acabado dia 26.
- Óptimo!
- Ui... Espere lá... Estou aqui a consultar o calendário... É pá....
- O que foi?
- O chefe não vai acreditar, caraças, mas vai-se meter aqui o Natal!
- O Natal? Poça! E agora?
- Agora? Só acabo isto lá para Janeiro. E, e!
É uma tragédia. O governo devia pensar em fazer alguma coisa, já. Quer dizer, agora, só lá para o ano, claro. ZDQ

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Breve apontamento de feriado


Haveria alturas num passado não muito distante, em que filmes como Halloween II ou American Beauty passariam a partir das 22h. Tanto por causa da violência (o primeiro) ou por assuntos tão sérios que só poderiam passar a partir de uma certa hora por causa de espectadores mais susceptíveis de se chocarem ao olhar no espelho. O que é certo é que ambos estavam a dar agora na cabo - Halloween II num dos telecines e o Beauty no Fox Movies.

Se me incomodo ou me escandalizo? Nem por isso. Porque os generalistas passam coisas bem piores durante o dia, e mesmo o gore de Halloween empalidece face ao grafismo e obscenidade do "realismo" dos telejornais, aquele "mundo real" tão proferido pelos jornalistas, e que temos que mamar quer queiramos, quer não - crianças a chorarem com fome em África, homens engravatados perseguidos por uma multidão de repórteres, quase sempre aquela incessante cruzada à procura dos responsáveis da "crise".

Se as pessoas parassem por 10 minutos de procurar esse "mundo real" e se mudassem para os canais de cabo, se calhar aparecia-lhes algo com que se devem genuinamente preocupar, como os vizinhos do lado, e não realidades que não são do nosso domínio, como gente engravatada de Bruxelas.

Filmes de bola vermelha hoje em dia podem ser imagens bem mais interessantes do que as dos noticiários.