segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Um feliz e pleno 2013 para todos


São os votos da gerência deste humilde estaminé. E para não me chamarem de fascista ou de demasiado conformista, desejo-vos um ano revolucionário em Portugal e de genuínas mudanças no horizonte. Uni-vos!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Quem se lembra desta série?

Graças à internet e ao poder dos downloads, tenho estado a revê-la pela primeira vez em muitos anos, e caramba, é incrível o quanto ela se aguenta hoje em dia comparada a algumas coisas mais recentes. Aliás, a sua influência em sitcoms de hoje é mais que evidente e muitas vezes assumida, como o caso de Family Guy, por exemplo.

É um prazer rever estas personagens, este estilo de comédia leve e inofensivo, tão ao estilo dos 60s, mas principalmente é bom rever os actores. Elizabeth Montgomery é linda, elegante, e com um grande sentido de humor, num papel que é hoje reacionário (o de uma dona de casa dedicada), mas ela torna-o algo muito diferente. Agnes Moorehead, que é brilhante nos filmes de Orson Welles, rouba o show a toda a hora como a mordaz Endora, fazendo maldades ao marido humano da sua filha.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Há qualquer coisa na época Natalícia que puxa a ver ou rever grandes épicos. Pode ser da magia que se vive, ou pode ser (de um ponto de vista mais prosaico) da maior disponibilidade que se tem para se ver coisas de longa duração...

Fui ver esta semana o novo de Peter Jackson, O Hobbit, prequela estendida dos filmes do Senhor dos Anéis, e não desgostei. Penso que o filme dá exactamente aquilo que promete - 3 horas de fogo de artifício, paisagens de tirar a respiração, e muita música heróica de Howard Shore. Quem gostou dos outros filmes também irá amar este. Eu, por exemplo, quis aproveitar para fazer uma breve retrospectiva do que estava eu a fazer há 10 anos, quando estreou The Two Towers. É engraçado como, mesmo que não queiramos, acabamos por desenvolver uma relação afectiva com certos filmes...

domingo, 23 de dezembro de 2012

E Tudo o Vento Levou é um filme muito cá de casa, e revejo-o de vez em quando, quase sempre pela quadra natalícia.

Assim o fiz hoje, e é engraçado que o passar dos anos só torna Gone with the Wind melhor, e com uma durabilidade que muitos filmes reputados de hoje não se poderão gabar daqui a 70 anos. É impossível deixar de nos identificarmos com a fedelha mimada do Sul Scarlett O'Hara, cortejada por todos os homens, e que despreza o único homem de jeito para ela, Rhett Butler. Raras vezes a sétima arte terá tido duas escolhas de casting tão perfeitas como Vivien Leigh e Clark Gable.

Dei por mim a pensar, com a chegada de Vertigo ao primeiro lugar da Sight and Sound, como melhor filme de todos os tempos, porque diabo Gone with the Wind será tão frequentemente marginalizado, comparado com outros mais respeitáveis. E então compreendi - este não é um filme de autor, e teve uma história de produção bastante acidentada, sendo que não se pode atribuir a sua criação a uma única pessoa - muito mais do que um filme de Cukor, ou de Victor Fleming, este é um filme de Hollywood, da sua máquina que tanto poder exerceu ao longo de décadas sobre os actores e sobre a criação artística. E é uma criação, por mais que os auteuristas tenham horror só de pensar nisso, em larga parte da responsabilidade do produtor David O. Selznick.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Sessão dupla natalícia

A passada Quinta tive oportunidade de ir mais uma vez à minha querida Cinemateca, desta feita com intenção de ver um filme de um realizador da Nouvelle Vague francesa de que nunca tinha visto nada - Jean Eustache.

O filme, Le Père Noel a les Yeux Bleus, realizado em 1966, é um daqueles filmes raros a que eu chamaria de inspirador, pois dá-nos motivação para voltar a filmar, para contar estórias através de imagens e de pessoas, mesmo com poucos meios. As personagens são simpáticas e as vivências não muito diferentes das nossas no Portugal de hoje, com a luta pela sobrevivência e a luta pelo amor sendo uma constante diária. Podemos encontrar uma cara familiar dos filmes de Truffaut por aqui - o grande Jean Pierre Léaud.

Antecedendo o filme de Eustache, encontrava-se a curta-metragem do José Oliveira, Pai Natal, que tive oportunidade de ver em Ante-Estreia há alguns tempos, e que gostei mais desta vez, uma vez que os locais, pessoas e dilemas eram tão familiares, que pareciam memórias de pessoas cá de casa.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Lula e Sailor amam-se, mas a mãe de Lula odeia Sailor e manda-o assassinar. Sailor defende-se e mata o assassino, esmagando a cabeça dele contra o chão, acabando por ir parar à prisão por vários meses. Mas quando sai, o amor dos dois continua a ser ameaçado pela mãe e por gangsters contratados pela mesma.

Este é apenas o ponto de partida de Wild at Heart, um dos filmes mais alucinados de David Lynch, espécie de road movie, filme de fuga de dois apaixonados, misturado com alegoria a Wizard of Oz, em que não faltam a bruxa boa e a bruxa má, a yellow brick road e milhentos personagens estranhos, tão típicos do mundo mental do realizador.

Difícil de catalogar, excepto com o adjectivo lynchiano, é mais um daqueles filmes que tem que ser visto para se acreditar.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A hipocrisia continua. E mais uma vez, as principais vítimas são o Cinema e a criação artística.

É muito mais fácil apontar culpados fáceis e varrer o assunto para debaixo da carpete.

Que venha o fim do mundo, que isto não muda mesmo.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Cinema diferente

A passada Quinta fui à Cinemateca ver dois filmes de dois países de que raras vezes temos oportunidade de ver obras por cá - Japão e Irão. Os filmes foram dois muito recentes - Como Tornar-me em Mim Próprio, realizado em 2007 por Jun Ichikawa, e Charlie's Tragedies, realizado em 2011 por Alireza Saadatniya.

Gostei dos dois, embora tenha tenha achado o filme japonês mais sólido, e com mais inventividade, tratando um tema que raras vezes é bem filmado, a adolescência e a falta de comunicação entre os jovens e os adultos. Algo que é brilhantemente captado no filme (e raras vezes acontece) são os telemóveis, meio preferido de comunicação da malta nova, e que aqui adquire uma dimensão dramática equivalente ao que antigamente tinham as cartas e os telefones.

As jovens actrizes também são magnificamente escolhidas, para além dos cenários familiares e escolares, que soam bastante a realidade, o que só serve para vincar o quão pouco cinema japonês andamos a ver por cá, comparativamente ao americano.
Em relação ao último massacre numa escola norte-americana, ocorre-me dizer que não me surpreende, e que aposto convosco o que quiserem que o luto nacional e o choque internacional não vão servir de muito - são coisas que vão continuar a acontecer por lá, e a dar com um pau. Tentar mudar uma sociedade é a coisa mais difícil do mundo, seria como tentar que Portugal deixasse de ser um país corrupto.

sábado, 8 de dezembro de 2012

O cavalheirismo que já não existe

Certos filmes antigos não ficam nada a dever a filmes mais recentes. O avolumar das emoções e da sofisticação deixam-nos por vezes tão boquiabertos como qualquer filme de hoje em dia... Bom, se calhar nem toda a gente concordará comigo, principalmente as pessoas que não conhecem tão bem a História do Cinema e do que se fez para trás.

Scaramouche é um desses filmes-maravilha que resistirá à passagem do tempo. É um filme de aventuras, mais concretamente de capa e espada, muito à maneira dos filmes com Errol Flynn, feitos nas décadas de 30 e 40. A acção passa-se na França pouco antes de eclodir a revolução, e segue as aventuras de André Moreau que se disfarça de actor/personalidade do teatro Scaramouche, enquanto treina aulas de esgrima para enfrentar o homem que matou o melhor amigo num duelo, o temível marquês de Maine.

Stewart Granger brilha no papel principal, bem como Mel Ferrer, normalmente um actor apagado, aqui interpreta muito bem um vilão sorridente perito em esgrima. São as senhoras, no entanto, a verdadeira espinha dorsal deste filme - Eleanor Parker é sensual, elegante e enérgica como Lenore, a carnal amante de André; e Janet Leigh tem uma das suas melhores actuações como a bela e angelical Aline, que pertence à nobreza, e é também disputada pelo vilão.

Este sim é um daqueles filmes a que se pode aplicar bem a expressão nostálgica "Já não os fazem como antigamente".

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Blue Velvet, realizado por David Lynch em 1986, é um filme estranho. Aliás, estranho é uma palavra fraca para descrever o que sucede no filme. Gostei mais de ver a segunda vez agora, do que da primeira vez, pois da primeira haviam-me levado a crer que era um filme muito à la Hitchcock, quando a presença do mestre do suspense apenas está presente em uma ou duas cenas. Blue Velvet é um filme à la David Lynch, e ponto final.

O aparecimento da orelha humana cortada num relvado de um jardim de uma idílica pequena cidade norte-americana, acaba por originar um mistério enorme, mas esse mistério será apenas uma premissa, um pretexto para dar acesso aos lugares recônditos e bizarros da mente de David Lynch. Basta ver os inserts com a vela trepidante e com a cara uivante de Dennis Hopper. Basta ver cenas como a interpretação vinda do nada em playback de In Dreams por Dean Stockwell, ou a evocação fantasiosa dos pássaros, e aquele final que soa a algo artificial.

Blue Velvet é um filme que desafia todos os géneros, pois é um filme que engloba vários sem se fixar num só. Não é só mistério, é muito mais do que isso, é drama, é sátira de costumes também e de uma maneira de viver. É até musical, com a preponderância que a música tem, ao longo do filme. É um filme que tem que ser visto para se acreditar.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Escolhas algo duvidosas, uma vez que os filmes de Craig aparecerem nos primeiros lugares deve-se única e exclusivamente ao pouco espaço temporal que os separa dos dias de hoje. Mais uma vez, verifica-se que as pessoas só se lembram do que é recente.

View to a Kill é a escolha mais surpreendente para um tão alto terceiro lugar. Mas depois pensei - Ah! É por causa da música dos Duran Duran.
Ora, eu chamo a isto, neste contexto de crise, uma excelente notícia. E já não era sem tempo.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Homenagens

É engraçado que ver o episódio de luxo Something Something Something Dark Side de Family Guy, mesmo apesar de ser comédia, consegue evocar através do desenho realista, dos diálogos, e da música tão familiar de John Williams, grande parte da magia dos filmes originais de Star Wars ao ponto de criar um arrepio na espinha. O que nos dá vontade de abrir o baú e voltar a vê-los.

Só espero que a Disney não estrague tudo...

domingo, 18 de novembro de 2012

Hoje como não tinha nada de especial para fazer, fui à Cinemateca, e fiquei para ver dois filmes, coisa rara, pois gosto de digerir um filme de cada vez, e com calma.

Os dois não podiam ser mais distintos um do outro - foram French Can Can e Sex, Lies, and Videotape. Consegui apreciar os dois à sua maneira, embora o segundo seja um bocado mais intenso.

French Can Can é um filme de Jean Renoir, realizado no distante ano de 1955, e foi um dos últimos da sua fase final. Nele vemos Jean Gabin espalhando charme old school, como o empresário de cabaret que acaba por fundar o Moulin Rouge. Pelo caminho vemos as inúmeras mulheres que povoam a sua vida, chegando algumas a brigas violentas de ciúmes... Eu só gostava de ter a sorte deste gajo quando chegasse àquela idade ter as mulheres todas a caírem-me aos pés.
Pelo caminho vemos o estilo inconfundível do realizador, com a joie de vivre, e com muita cor e música à mistura, e as coisas a resolverem-se de forma bastante civilizada, muito à maneira da Regra do Jogo.

Sex, Lies and Videotape, é um filme do não tão distante ano de 89, realizado por Steven Soderbergh (foi o filme de estreia dele) e quanto menos se disser sobre ele melhor. Se nunca o viram, vejam-no, por favor.

sábado, 17 de novembro de 2012

Tem muita razão. Cada vez se escreve e se fala pior português. Nestes últimos tempos, tenho recebido uma série de sms's cuja lógica desafia tudo o que tinha visto para trás. Ontem, pela primeira vez, recebi uma mensagem completamente incompreensível, em que apenas entendia 2 ou 3 palavras.

E se isto começa na (má) televisão, é óbvio que as pessoas irão replicar no seu dia-a-dia.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Quiet desperation

Quando comecei a ver o filme O Substituto pensei - ok, das duas uma, ou isto vai ser uma espécie de Clube dos Poetas Mortos ou de Mentes Perigosas com Michelle Pfeiffer. Não podia estar mais longe da verdade.

O filme segue o percurso de Adrien Brody, que interpreta um professor de substituição numa escola problemática, que os alunos começam por chamar nomes e ameaçar (muito à maneira das escolas portuguesas e do célebre caso do telemóvel), mas acabando lentamente por respeitá-lo. O problema é que isso veio com um preço na sua vida, com um evento que ninguém esperava, sucedendo-se a descrença no sistema e uma completa sensação de falhanço.

Aliás, O Substituto é um filme sobre o fim de um tempo. Não esperem conforto aqui, nem alunos em cima das carteiras no final. Este é um filme sobre como a sociedade fracassou para com os jovens. Sobre como o mundo abandonou os professores à sua sorte.

Às vezes é preciso ver a realidade tal como ela é.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Vivre sa Vie é um filme estarrecedor. E intemporal. É engraçado que, à medida que os anos vão passado, os filmes de Jean Luc Godard que mais vale a pena ver e rever são os primeiros, pela frescura, ousadia, e capacidade de marcar indelevelmente as nossas mentes. Impossível esquecer a cena da dança em Band à part, impossível deixar de lembrar o "Vraiment deugeulasse" no À Bout de Souffle.

Vivre sa Vie segue o percurso da jovem prostituta Nana, a sua vida, as suas dúvidas, e pessoas que encontra. Raras vezes a câmara se desloca do belo rosto de Anna Karina. Raras vezes teve o cinema um poema de amor tão maravilhosamente filmado.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A boa crise

A crise está a mudar completamente os hábitos dos portugueses. E nem todas as mudanças são assim tão negativas quanto isso, deve-se dizer. Ainda há uns dias vi no noticiário da noite da Sic ou da Tvi, que são projectados filmes numa associação cultural nos Anjos em Lisboa. A entrada é gratuita, e por vezes debates interessantes podem nascer em torno do filme exibido.

Penso que iniciativas assim são de louvar, o amor ao cinema devia ser celebrado mais vezes. Só tenho pena de não morar mais perto, caso contrário seria lá visita frequente.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Já não escrevo há algum tempo no blog, mas é de propósito, é mesmo porque não tenho tido nada de especial para dizer.

Mas surgiu algo hoje na imprensa que tem que ser divulgado e muito - a reexibição do que é provavelmente o meu filme favorito de todos os tempos nos cinemas em Portugal.

Não disse nada aquando da altura que a Sight and Sound o colocou no 1º lugar dos melhores filmes de sempre, pois apesar de amar o filme, creio que as listas pouco valem, sendo pouco mais que exercícios divertidos mas nem sempre muito honestos por parte de jornalistas e realizadores. Mas o facto do filme voltar ao grande ecrã é um motivo de celebração para a Sétima Arte e não só, é um autêntico evento socio-cultural que não esperava viver para um dia testemunhar.

Tal como em 1958, a data de estreia, tal como em 1996 ano do restauro do filme, tal como em 2012, Vertigo é um filme que importa ver, rever, repensar.

terça-feira, 30 de outubro de 2012


Skyfall é feito do material que é feito Goldfinger e On Her Majesty's Secret Service, não é só para agradar às massas com deficit de atenção - é também para criar uma nova mística Bond, para durar a longo prazo, no tempo.

Coisas que gostei, ou melhor, que amei:

- Sequência pré-títulos muito boa, assim que o filme começa aceitamos Daniel Craig como Bond;
- Fantástica cena de títulos com pistas sobre o filme. Daniel Kleinman desta vez esmerou-se;
- A cena da caça ao assassino no arranha-céus e os reflexos luminosos nos vidros;
- O casino de Macau;
- A ilha fantasma. Um dia tenho que visitar aquilo;
- Judy Dench retirar-se em grande, como nenhuma outra personagem na série;
- Moneypenny, o escritório e o final.

sábado, 20 de outubro de 2012

A arte de representar (III)


Neste excelente vídeo podemos comparar duas excelentes interpretações de Sherlock Holmes da parte de dois brilhantes actores - Peter Cushing e Jeremy Brett. Quase vinte anos separam estas duas representações do texto de Conan Doyle, The Blue Carbuncle.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Hipnótico


Tinha ouvido opiniões sobre The Hunger tão polarizadas que me fizeram recuar várias vezes. Achei que o facto de ser exibido na Cinemateca esta Segunda-feira era um bom pretexto para finalmente quebrar o gelo. E valeu a pena. O filme é uma estranha e atmosférica estória de vampirismo, tudo mergulhado numa estética muito 80's (estreou em 1983, ano em que a SIDA foi identificada). Catherine Deneuve, David Bowie e Susan Sarandon. Será necessário dizer mais?

domingo, 7 de outubro de 2012


Ken Shabby, o genro que todos os pais de uma filha bonita gostariam de ter.

sábado, 29 de setembro de 2012

Uma visão sobre os 70's

Gostei mais de ver Airport hoje, em 2012, do que há coisa de 10 anos naquele vhs de imagem baça do clube do vídeo. Talvez por na altura tê-lo visto com Airplane muito em mente, e talvez por tê-lo visto hoje no 16:9 original tenha ajudado.

Este é um filme muito realista do dia-a-dia de um aeroporto movimentado, o caos organizado de tudo o que ali dentro sucede, os problemas que poderão surgir, tanto a nível mecânico (aviões bloqueados pela neve), a nível social (a velhota que viaja clandestina), como a nível dramático (o bombista suicida).

A meu ver, os pilares do filme são essencialmente as senhoras - Jean Seberg passeia elegância nos trajes desenhados por Edith Head, e Jacqueline Bisset é líndissima como a hospedeira que anda com o comandante Dean Martin.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Herbert Lom RIP


Deixou-nos hoje o grande Herbert Lom, já com uma idade avançada é verdade, mas que será eternamente recordado como o Inspector Dreyfus, o sofredor superior hierárquico do Inspector Clouseau nos filmes da Pink Panther, e o eterno sacrificado das confusões e da destruição espalhada pelo seu rival. Apesar de checo de origem, tem uma filmografia vasta no Reino Unido.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Uma opinião positiva interessante sobre o Plano Nacional de Cinema. João Lopes tem razão - mesmo que hajam impasses pelo caminho, a sua existência já é um passo importante no sentido de contrariar a cultura bigbrotheriana.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Ia escrever alguma coisa sobre o Plano Nacional de Cinema, mas o pessoal do À Pala de Walsh antecipou-se. Vale a pena ir dar lá um pulo que eles escrevem muito bem.

Também penso que a inclusão de Torn Curtain na lista tem mais um fim de evocação histórica do que narrativa, pois poderíamos escolher outros 10 filmes de Hitchcock melhores.

domingo, 23 de setembro de 2012

A blogosfera cinéfila é propícia ao ataque a revistas de cinema. É compreensível, visto que em parte é concorrência, e ainda por cima são textos pipoqueiros. Mas a mim o que mais me me faz ficar desapontado com as revistas de cinema portuguesas é a forma como as listas são feitas - são muito básicas e escritas sem chama. Por exemplo, a lista de actores que mais morreram em cinema, ou a lista de melhores filmes de uma categoria qualquer.

Em contrapartida, este site o Craked.com, que descobri só há coisa de dois dias, elabora listas de forma bastante lúdica, e vê-se que é escrita por gente que percebe do assunto. Por exemplo esta e esta lista.

sábado, 15 de setembro de 2012

Falando em remakes...

Hoje pude ver com mais calma o remake de Psycho, realizado por Gus Van Sant e, como o filme original de 1960 é um dos filmes mais bem arquitectados do mestre Hitchcock e um dos meus favoritos dele, resolvi compará-los em paralelo e analisá-los em singular.

Urge dizer que o que era transgressor em 1960 já não era quando o remake foi feito. Coisas como o sexo, voyeurismo, masturbação, travestismo e psicopatia hoje em dia são coisas mais ou menos corriqueiras que poderemos encontrar numa série de final de tarde como Os Simpsons, quanto mais não seja sob a forma de comédia. Surgem sequências por todo o lado citando O Silêncio dos Inocentes, e séries como o CSI mostrando autópsias sendo executadas, e isto antes das dez da noite.

Quando o Psycho original estreou, o público americano nem nunca tinha visto uma sanita no grande ecrã, só para terem uma ideia da sociedade da altura.

Não é que o remake seja mau, pois é sempre bom ver Julianne Moore, Viggo Mortensen ou William H. Macy representarem, digamos apenas que é um exercício de cinema um bocado desnecessário (como um exercício mediano de final de ano de uma escola de cinema) e que só perde em relação ao original. Se há mérito no filme, é dar vontade de as pessoas regressarem mais uma vez ao original.

Alguns exemplos que achei curiosos neste remake, embora algo desnecessários:
- a cena de Norman a vê-la nua, através do orifício. Ouvimos o zipper claramente, e tudo o mais;
- pequenos inserts nos momentos dos assassinatos. Um bocado estranho e inútil;
- Julianne Moore ajuda a imobilizar Norman no final, com um pontapé. Feminista, e uma daquelas coisas do "tem que ser" politicamente correcto.

Achei piada à caracterização de Mortensen, Heche é aceitável, mas Vince Vaughn como Bates é claramente um desapontamento. Um exemplo da grandeza de Anthony Perkins? A pequena cena em que ele trinca os doces e o vemos e o vemos a debruçar-se sobre o livro de hóspedes.

Julianne Moore como a irmã, Lila Crane, também é algo vulgar, a aparecer de headphones na sua primeira cena. Basta comparar com a elegância de Vera Miles no original.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012


E agora que a estreia do remake de Gabriela volta a trazer os aromas adocicados do Brasil ao espírito dos portugueses, recomendo umas visitas à Cinemateca, para ver o ciclo dedicado ao realizador Glauber Rocha.

sábado, 11 de agosto de 2012


Neste período de convalescença, tenho aproveitado para dar uma vista de olhos aos jogos antigos do meu irmão, que ele nunca mais deu importância.

Este Age of Mythology sempre adiei experimentar porque me parecia uma bocado secante a premissa. "Deuses gregos a lutarem uns com os outros, estilo Age of the Empires? Nah." pensava eu.

Pois bem, Mythology é bem melhor do que parece, não são apenas os deuses a lutar, são também os soldados e os arqueiros gregos. E quem nos lidera é nada menos do que os grandes heróis como Odysseus, Theseus e Jasão.

E há poucas coisas mais estimulantes do que um bom jogo de estratégia em que vemos o nosso império a crescer a olhos vistos.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

E agora uns tempos por casa...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Numa das últimas revistas Sábado, Alberto Gonçalves, sociólogo, escreve uma crónica hilariante acerca das "leituras de verão", ou seja quando são publicadas as listas sazonais das leituras dos famosos, invariavelmente contendo O Som e a Fúria ou Ulysses de James Joyce. Também refere que é frequentemente afirmado que se irá reler "o Eça", surpreendente uma vez que as pessoas em Portugal não lêem, quanto mais reler.

Eu também sempre achei que essas listas tinham mais de pretensioso do que de genuíno, mas pronto mesmo para impressionar as pessoas de vez em quando não me importo de ver pessoas a bancarem de intelectuais com o seu calhamaço nas mãos. Quanto mais não seja, fazem uma certa divulgação dos livros.

sábado, 28 de julho de 2012

Esta noite sonhei, ou melhor tive um pesadelo, que estava a ver pessoas a derreter devido a ácido. Eu próprio estava a fugir do ácido e chegava a ser um bocado queimado. Havia uma batalha enorme em Mem Martins, gente morria. Sei que o actor Michael Douglas aparecia ali no meio a fazer não sei o quê. Perto do final descobria que estava a assistir um filme, e que não era nada a sério...

Qualquer interpretação disto agradece-se.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Hoje sonhei que estava a viajar por terras que não consigo identificar, apanhava boleia algumas vezes, e fazia novos amigos pelo caminho. Oxalá seja bom presságio.

domingo, 22 de julho de 2012

Hoje sonhei com amigos que me diziam umas verdades incómodas e sonhei com objectos que desapareciam, como uma bicicleta.

Anteontem sonhei que havia uma cerimónia gigantesca no Algueirão, mais concretamente na igreja. Aquilo abarrotava em gente. Chegava lá alguém para celebrar o evento, o líder. Tratava-se de Demis Roussos. De repente, aquilo volvia-se numa revolução política e social, e sei que aquilo era uma revolução há muito desejada no país. As pessoas correm por todos os lados. Mas há muita traição no ar e muitos contra revolucionários e sucedem-se conflitos.

sábado, 21 de julho de 2012

E vai mais um...

Com as notícias de mais um massacre nos EUA, desta vez não num liceu mas numa sala de cinema na estreia de Dark Knight Rises, é triste constatar que a vítima maior será, uma vez mais, o cinema. Agora foram os franceses que cancelaram a estreia.

O poder das sociedades varrerem os problemas assim rapidamente para debaixo da carpete é algo de extraordinário. Tal como em Clockwork Orange, não há grande dilema - proibe-se, censura-se de imediato. As pessoas ficam vedadas de ver, de pensar as coisas.

Seguem-se os inevitáveis capítulos de atribuição de responsabilidades, reportagens, documentários, até as pessoas se esquecerem, e acontecer uma nova matança.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

29

Sempre é preciso saber
quando uma etapa chega ao final.

Se insistirmos em permanecer nela
mais do que o tempo necessário,
perdemos a alegria
e o sentido
das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos,
fechando portas,
terminando capítulos,
não importa o nome que damos.
O que importa é deixar no passado
os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada
desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo
se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesmo
que não dará mais um passo
enquanto não entender as razões
que levaram certas coisas,
que eram tão importantes e sólidas em sua vida,
serem subitamente transformadas em pó.

Mas tal atitude
será um desgaste imenso para todos:
seus pais, seu marido ou sua esposa,
seus amigos, seus filhos, sua irmã...
Todos estarão encerrando capítulos,
virando a folha,
seguindo adiante,
e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo
no presente e no passado,
nem mesmo quando tentamos
entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará:
não podemos ser eternamente meninos,
adolescentes tardios,
filhos que se sentem culpados
ou rancorosos com os pais,
amantes que revivem
noite e dia
uma ligação com quem já foi embora
e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam
e o melhor que fazemos
é deixar que elas realmente possam ir embora.

Por isso é tão importante
(por mais doloroso que seja!)
destruir recordações,
mudar de casa,
dar muitas coisas para orfanatos,
vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível
é uma manifestação do mundo invisível,
do que está acontecendo em nosso coração
e o desfazer-se de certas lembranças
significa também abrir espaço
para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora.
Soltar.
Desprender-se.
Ninguém está jogando
nesta vida com cartas marcadas.
Portanto, às vezes ganhamos e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo,
não espere que reconheçam seu esforço,
que descubram seu gênio,
que entendam seu amor.

Pare de ligar sua televisão emocional
e assistir sempre ao mesmo programa,
que mostra como você sofreu com determinada perda:
isso o estará apenas envenenando
e nada mais.

Não há nada mais perigoso
que rompimentos amorosos que não são aceitos,
promessas de emprego
que não têm data marcada para começar,
decisões que sempre são adiadas
em nome do "momento ideal".

Antes de começar um capítulo novo
é preciso terminar o antigo:
diga a si mesmo que o que passou,
jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época
em que podia viver sem aquilo,
sem aquela pessoa...
Nada é insubstituível,
um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio,
pode mesmo ser difícil,
mas é muito importante.

Encerrando ciclos.
Não por causa do orgulho,
por incapacidade, ou por soberba.
Mas porque simplesmente
aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta,
mude o disco,
limpe a casa,
sacuda a poeira.

Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
 Paulo Coelho

terça-feira, 17 de julho de 2012

E assim vai o país... (como sempre)

Depois do capítulo "A culpa é do Sócrates", foi a vez de "a culpa é do Passos". Agora isso mudou momentaneamente com o novo bode expiatório de serviço - Miguel Relvas. Há crise? A culpa é dele. Há incêndios? A culpa é dele. Não nego que o que fez é condenável, mas porque é que as notícias e os temas de conversas são tão monocórdicos? Não me consigo livrar da ideia que nos andam a atirar areia aos olhos...
Enquanto muitos insistem no negativismo e que não se tem criado nada de novo, eu permito-me discordar solenemente. Há um novo blog no horizonte, and what a blog it is - trata-se de À Pala de Walsh. Não deixem de ler este post sobre algo que devia ser falado e é muitas vezes esquecido.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

domingo, 1 de julho de 2012

O que João Lopes se esquece, é que os jornalistas não pensam grande coisa quando fazem as perguntas. Fazem-nas, independentemente do sentido, e mesmo que dêem a resposta na pergunta. O jornalismo português, salvo raríssimas excepções de alguns repórteres com mais experiência e/ou sabedoria, prima pelo óbvio e pelo cliché. Não acrescenta nada, mas tem de se fazer ouvir.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Hoje, Quarta-Feira, 27 de Junho de 2012, dia de jogo entre Portugal e Espanha, creio que a imprensa nacional está de parabéns. Conseguiu colocar Cristiano Ronaldo em todas - e eu digo todas mesmo - as capas dos jornais e revistas, quer seja DN, Público, quer seja Visão, Sábado. Não existe mais nada nem mais ninguém neste mundo que valha a pena falar. Não interessa o calor, a natureza, a moda, a cultura. A única coisa que vale a pena falar é CR, de todas as formas e feitios, da infância até hoje.

Depois admirem-se de não se respeitar o jornalismo português...

quarta-feira, 20 de junho de 2012

É um prazer continuar a navegar na blogosfera quando constatamos que ainda há gente com lucidez.

Ainda está para vir o dia em que mais exames seja sinónimo de Ensino mais rigoroso.

domingo, 17 de junho de 2012

Mais um da gerência


No meio da louca atmosfera futebolística que estamos a viver (vejam lá se agora se ouve falar de crise? qual quê, o futebol é que nos vai tirar da crise!), é bom ver bom cinema old school, como este clássico do subestimado Jacques Tourneur.

Night of the Demon é um daqueles filmes de terror que os fãs de gore e de Saws jamais irão entender, olhando para o mesmo como se fosse falado em chinês, mas é das coisas mais assustadoras de sempre. E tudo embrulhado num pacote muito burguês e muito britânico.

Se nunca o viram, shame on you, façam o favor de o ver.

sábado, 16 de junho de 2012

A gerência recomenda

Chasing Amy é um daquele tipo de filmes que é grandioso, mas que ao contrário de filmes de culto que vemos e revemos, é de tal forma catártico e com semelhanças às nossas vivências que dói só de o ver uma vez.

À semelhança de 500 Days with Summer, este é o tipo de filme que me faz voltar a acreditar na comédia romântica, após muitos anos de agnosticismo.

Um grande obrigado ao In a Lonely Place, pela sugestão.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Joana Santos faz de mãe de uma garota de 16 anos - repito 16 - na nova novela da SIC, Dancing Days. Ou seja ela teria que ter tido a filha aos 10 anos. A questão que se impõe é... Quem são os génios que fazem estes guiões e estas brilhantes escolhas de casting?

domingo, 3 de junho de 2012

Já tivemos mais longe disso. Na altura que eu vi Papillon não gostei, mas quem diria que o filme seria inesperadamente premonitório?

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Too much

Quando abro o msn, vejo que tenho 10 mails novos. Abro contente, a pensar que são novidades de pessoal amigo. Nada disso. São 10 correntes do amor, petições chatas, e powerpoints lamechas. Caramba, será que volvido este tempo todo continuam a não me conhecer?

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Frase do mês

A coisa mais difícil é mudar de papéis ao longo da vida.

in Saiba como mudar a sua vida, de José Micard Teixeira

terça-feira, 15 de maio de 2012

Uma belíssima adaptação

Falo com conhecimento da matéria. Vi alguns filmes com Basil Rathbone, e vi The Hound of the Barkervilles, versão britânica com Peter Cushing. Qualquer um dos dois é fantástico como Sherlock Holmes, mas a versão definitiva do famoso detective vitoriano é a de Jeremy Brett, na série televisiva que está a dar em reposição na RTP Memória.

Brett capta todos os maneirismos do detective, sem ceder a liberdades contemporâneas (os filmes recentes com Robert Downey Jr. não me interessam minimamente). Os cenários também são fiéis aos retratos descritos por Conan Doyle, bem como as personagens secundárias, suspeitas, e com passados envoltos em neblina poluída.

sábado, 5 de maio de 2012

O automóvel


Prolongamento intemporal do... ego?

domingo, 22 de abril de 2012

Recomendado




O fantástico jogo Marvel Ultimate Alliance, que já não vai para novo é verdade, mas que é essencial para todos os fãs desse universo de super-heróis. Aqui podemos controlar alguns dos nossos heróis favoritos, mesmo aqueles que raras vezes têm direito a aparecer em jogos de pc, como Capitão América, Homem-Aranha, Iron Man, O Quarteto Fantástico e até alguns X-Men como Wolverine e Storm.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Surpresa

Nunca pensei que David Lynch tivesse tais como filmes favoritos. Tirando Otto e Mezzo, esperava encontrar maradices estilo Andy Warhol ou clássicos europeus que pouca gente viu.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

How to spot a communist

O blog continua dentro de momentos...

Para todas as pessoas que pensam que fui de férias ou que tenho andado demasiado ocupado para escrever... não e não. Primeiro, não tenho dinheiro para ir de férias, segundo não costumo andar tão ocupado quanto isso, nem me apetece fingir que o sou, ao contrário de muita gente na blogosfera.

Não tenho aqui escrito porque não me apetece, ando completamente sem ideias, e só tenciono voltar a escrever quando me ocorrer alguma coisa de interessante para dizer.

domingo, 25 de março de 2012

Eu diria mesmo mais, pois o negrito desta notícia está incompleto. Eu diria que o clássico de Walt Disney de 1937 Branca de Neve e os Sete Anões tem influenciado toda a ficção televisiva nacional desde há uns 10 anos atrás. Não foi apenas o público de cinema que se infantilizou, foi também o público televisivo. As novelas da TVI são o exemplo mais notório, em que regra geral uma protagonista com um corpo de actriz porno, uma cara de anjo, e alma pura como a neve de Janeiro, se vê lixada em todas as frentes, por infortúnios da vida (regra geral é orfã ou pobre) e por inimigos e inimigas que a querem afastar a todo o custo do príncipe encantado. Escusado será dizer que no final os maus morrem, e a heroína tem direito ao seu inevitável casamento na igreja, de véu e grinalda. As pessoas vão para a cama mais descansadas porque se fez justiça, e no dia seguinte abrem mais o cuzinho, com esperança que os cortes não doam muito.

domingo, 11 de março de 2012


Melancolia de Domingo? Talvez, mas hoje uma melancolia boa.

sábado, 10 de março de 2012

Um pleasure não tem que ser guilty


Foi isso que pensei quando reparei que recomeçou hoje a passar na RTP Memória a série Major Alvega. E a série aguentou bem a passagem do tempo, pois apesar de ter sido produzida em finais dos anos 90, e com uma tecnologia na altura criticada pelos mais cínicos como "básica" e "pobre", o que é certo é que acabou por se tornar estranhamente profética para coisas que se fizeram lá fora, como Sin Citys e derivados de menor qualidade.

Os episódios têm sempre a introdução e o epílogo adequadamente narrados pelo saudoso Fernando Pessa, e as interpretações são o prato forte - Ricardo Carriço é mais do que adequado no papel do herói/galã, interpretando com seriedade um papel que se poderia tornar facilmente canastrão; António Cordeiro tem talvez o papel da sua vida como o sádico coronel Von Block que insulta os homens à volta com "seu estúpido", "seu mentecapto", para além do imprescindível de filmes de nazis "schnell!"; e mesmo a loira Rosa Bella, que anda desaparecida dos ecrãs há muito, traz um glamour ao papel da dama em apuros, Fraulein Schmidt.

Há influências e homenagens claras a filmes e séries. Sem Os Salteadores da Arca Perdida, os antigos filmes de guerra, e séries britânicas como Allo Allo, Alvega não teria sido feito. Mas isso não tira os méritos desta série originalíssima, um autêntico um ovni raro de criatividade nos panoramas da televisão nacional.
Nunca vos aconteceu alguma coisa ser tão intensa que têm que a interromper para assimilar devidamente as coisas? Tal é o caso de 11 Minutos, de Paulo Coelho, um livro que inicialmente li non-stop quase até ao meio, mas que depois tive que começar a abrandar o ritmo, lendo somente um capítulo antes de me deitar. A aprendizagem que nos é dada em cada parágrafo exige uma pausa quase constante para uma pessoa pensar sobre aquilo. A leitura é desafiante a esse ponto.

Coelho, mesmo que seja um mercenário em termos de literatura como tanto lhe chamam, já ganhou o combate em termos de transmissão de filosofia de vida. E isso, meus amigos, é algo de que poucos escritores se podem gabar.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Os meus amigos snobs que me perdoem, mas Paulo Coelho é um grande escritor. Todo o sucesso que ele tem é justificado.

sábado, 3 de março de 2012

Isto é uma surpresa ao mesmo tempo interessante e ao mesmo tempo estranha. Interessante pelo facto de lidar com figuras reais do Cinema como Hitchcock e Janet Leigh, estranha porque as filmagens de Psycho nem foram das mais acidentadas da carreira do realizador. O que poderá haver para contar?

quinta-feira, 1 de março de 2012

Apelo

Venho por este meio apelar aos meus camaradas leitores para criarmos um Dia Internacional do Homem, uma vez que as hostes femininas se começam a agrupar para o Dia Internacional da Mulher. Toda a gente fala das mulheres, coitadinhas que apanham tareia e mais não sei o quê. Então e o poder da cona? Alguém tem pensado na violência psicológica do poder da cona sobre nós? Será que não nos sentimos igualmente ou até mais ameaçados na sociedade actual?

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O que eu tenho a dizer sobre os Oscars

Se quiserem vejam, mas não levem aquilo demasiado a sério. Senão acabam deprimidos.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Parece que as minhas escolhas cinéfilas não coincidem com os gostos da maior parte das pessoas que eu conheço. Estou particularmente interessado em ver O Artista e A Dama de Ferro. Alguém tá a fim?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Renascer


Como é difícil mudar! Por vezes, esperamos que os outros mudem primeiro, quando muitas vezes os mesmos não têm predisposição ou capacidade para isso. Daí geram-se os tais males entendidos em que ficamos desapontados com as pessoas, e desnecessariamente, pois criámos expectativas ilusórias na nossa mente.

Para o mundo mudar um bocado, temos de ganhar a coragem para nos mudarmos a nós mesmos primeiro. Só depois podemos influenciar quem nos rodeia.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

J. Edgar


A figura de J. Edgar Hoover interessa-me há muitos anos, apesar de saber pouco sobre o mesmo. A maneira como compilava minuciosamente informação e pastas confidenciais sobre muita gente influente da política e das artes parecia antecipar em décadas o advento do Facebook (a rede de amigos, como é chamada por muita gente ingénua).

A maneira como ele coleccionava todos os podres de figuras de Hollywood, condicionando o trabalho e a vida pessoal dos mesmos, tornava-o uma das figuras mais temidas de sempre da história dos EUA, acabando por influenciar (mesmo que ele não o soubesse) de forma indirecta, a história do cinema americano. Não era, como tal, uma figura que fosse previsto haver grande simpatia da nossa parte.

Mas o extraordinário poder criativo de Eastwood reside em tornar Edgar num ser humano. E Di Caprio consegue a maior interpretação da sua carreira. O facto da Academia dos Óscares ter pura e simplesmente ignorado este filme é mais uma lacuna gravíssima no seu historial de erros crassos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Para variar, História


O Dn de hoje tem um texto de Mário Soares em que o mesmo dá a sua opinião sobre a crise, a União Europeia, Angela Merkel, e a situação da Grécia.

Há uma parte que achei interessante em que diz que os especialistas consideram esta crise bem pior do que a de 1929, a tal que originou a ascensão dos fascismos. E então rio-me. Rio-me não de Soares. Rio-me desses especialistas, que me lembro ainda há uma década dizerem, aliás juravam a pés juntos, que uma crise como a de 29 jamais voltaria a acontecer, porque "estaria tudo mais controlado".

A ironia do tempo veio confirmar mais uma vez que os homens não aprenderam absolutamente nada. Apesar de todos os avanços, continuamos a ser uma carneirada igual à de 1929.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Todos somos voyeurs?


E por falar em minetes, há também aqueles que preferiam levar uns broches. É o caso dos tipos que moram agora em frente a mim, e que já os apanhei a mirarem-me quando estou de tronco nu. Só me calha disto na rifa.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Tenho andado a receber muitos mails e sms's cheios de erros ortográficos. E de pessoas que supostamente não o deveriam fazer, pois são supostamente fãs de leitura e de livros. Vá lá, meus caros, toca a melhorar a escrita, sim? More action and less words, please.

Efemérides



Uma vez que a RTP parece mais interessada em transmitir concursos em que a ignorância reina e galas intermináveis, eis que o Google nestes últimos dias prestou homenagem a dois grandes mestres, cada um no seu ramo de especialização: Charles Dickens e François Truffaut.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Geografia do mal?


Há uma breve cena em Torn Curtain que sempre achei interessante - o momento em que Julie Andrews se apercebe para onde o seu noivo pretende ir (Alemanha de Leste) e o verbaliza em voz alta "Mas isso fica por detrás da cortina de ferro!", a um indiferente recepcionista de hotel.

Sendo que ainda estava longe de nascer na altura em que o filme foi feito (1966), apenas posso imaginar o que seria ver alguém passar para o outro lado, e o medo que provocava o apenas mencionar o outro lado da cortina.

Mas, ao mesmo tempo, não posso deixar de pensar que conhecendo bem demais a amnésia geral que se instala nas pessoas com o evoluir do tempo, há uma certa semelhança entre este medo que havia do bloco de Leste (Torn Curtain é para todo o efeito anti-comunista) e os medos semeados recentemente pelos Estados Unidos em relação ao Afeganistão e ao Iraque.

domingo, 29 de janeiro de 2012

A dúvida que me apoquenta hoje é

Vale ou não a pena ver o J. Edgar? A crítica do Dn é altamente (demasiadamente?) favorável. A crítica do Público é (como é habitual) negativa. Em qual deles confiar?

sábado, 28 de janeiro de 2012

Porque a Internet foi inventada


Precisamente para construir genuínas obras de arte pop, como é o caso deste vídeo, que descobri graças a esta notícia de hoje do DN.

O vídeo parte de uma premissa absolutamente brilhante e, embora nem todos os momentos sejam bem conseguidos, o empenho de muitos intervenientes é mais do que evidente, tanto a nível de interpretação como de desenhos.

Escusado será dizer que a herança que George Lucas irá deixar, transcende gerações, estratos sociais, e culturas. Este é simplesmente um dos filmes mais conhecidos de todo o sempre.

E este é um dos maiores actos de amor que se pode fazer a um filme.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

sábado, 21 de janeiro de 2012

Mistério, terror, esqueletos no armário e personagens cativantes


É o que vão encontrar em The Girl with the Dragon Tattoo. E mesmo sendo um thriller, o filme é um bocado sobre as raízes da crise - da verdadeira crise, a que causou a falência não assumida e constantemente adiada de toda uma civilização. Pela vossa saúde, vão vê-lo.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Design for living (ou: "Porque é que não gostas de filmes pa rir, ó Ricardo?")


Essa é a razão precisa porque não tenho o hábito de ir ver comédias ao cinema, desde há alguns anos para cá. Porque sinto que por trás de toda aquela "escandalosa" nudez, de todos aqueles "escandalosos" palavrões, estão a tentar formatar as pessoas consumidoras de cinema de Hollywood. Por detrás daquelas mentes tão desadequadamente chamadas de libertinas, estão pensamentos bem mais conservadores do que possa parecer à primeira vista.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

As muitas faces de um vilão



O Joker é simplesmente um dos meus vilões favoritos de sempre. Desde que foi criado por Bob Kane no transitar para a década de 40, e ao longo de várias encarnações, vemos que se calhar aquelas pessoas que têm fobia de palhaços têm uma certa razão.

Gosto da interpretação que Cesar Romero fez na série da década de 60. As composições de Jack Nicholson e de Heath Ledger para o grande ecrã desafiam qualquer espécie de comentário. Só recentemente graças ao jogo Batman: Arkham City é que pude descobrir, ou melhor redescobrir a interpretação vocal de Mark Hamill. O actor já havia dado a voz para a versão em desenho animado, mas no jogo a personagem adquire contornos inexplorados, na forma como ele brinca com as palavras. É simplesmente impossível conseguirmos visualizar Luke Skywalker a fazer de um dos mais assustadores vilões de sempre!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Eu também não vou adoptar tão depressa. Não que tenha alguma coisa contra os nossos irmãos brasileiros, mas simplesmente acho que o pessoal do Ministério anda a gozar com a nossa cara. Depois de andar anos a apanhar galhetas da professora na Primária por faltar um "c" ou fosse lá o que fosse, acho que virem agora pedir para tirarmos o "c" é gozarem connosco. Se eu tiver mesmo de o fazer, sentirei que tenho o direito de lhes pregar umas chapadas.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A vida


Tenho uma relação peculiar com certos filmes. Há alguns que à primeira vez adoro e depois revejo-os passado uns anos e constato que não eram assim tão bons. Há outros que começo por não gostar, mas quando os revejo em condições uns anos mais tarde, constato a sua grandeza. Tal é o caso de The Third Man, de Carol Reed. O filme, tal como o bom vinho, parece melhorar com os anos, e a cada revisão mais constato a sua genialidade em compor personagens adultas e os seus dilemas.

O personagem principal Holly Martins, que não é meu primo mas podia ser, debate-se com a ideia de denunciar o seu melhor amigo Harry Lime, contrabandista de penicilina, e responsável pela morte de dezenas de mulheres e crianças, à polícia. Pelo caminho, apaixona-se por Anna, a antiga namorada de Lime. Martins sabe o que é certo fazer, mas laços antigos ainda o prendem à fidelidade, e a repulsa de Anna por delatores é algo que ele não pode esquecer. Acaba por decidir ajudar a polícia a apanhá-lo.

No plano final, que talvez seja o mais pungente final de todos os tempos (e não me estou a esquecer de Casablanca), vemos Martins esperando pacientemente por Anna, disposto a apanhar qualquer espécie de migalhas que possam ter restado de amor, logo após o enterro de Lime. Mas Anna passa por ele e ignora-o.

E então constatei como o grande cinema é ao mesmo tempo a vida. Porque a vida nem sempre acaba com happy endings fáceis. Porque muitas vezes a vida pode ser inexplicavelmente tola e sem sentido.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Recomendo


O jogo para pc Batman: Arkham City, que me foi indicado pelo meu irmão e que, desta vez, não é um jogo tolo cheio de cenas de luta sangrentas e repetitivas. Antes pelo contrário - as cenas de luta são ricas em movimentos acrobáticos variados e é cool dar porrada nos gorilas e vê-los serem atirados no ar.

É também um deleite ver Batman a planar sobre os céus de Gotham, e a usar o gancho para conseguir praticamente voar que nem um autêntico Superman.

Os vilões também estão na nota certa de negrume tão de acordo com o comic book e os filmes de Christopher Nolan.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Um Bom ano de 2012 aos estimados leitores deste blog, e os meus sinceros agradecimentos por considerarem ainda valer a pena visitar algumas das coisas que passam pela minha mente.

Um grande e caloroso abraço.