sábado, 29 de setembro de 2012

Uma visão sobre os 70's

Gostei mais de ver Airport hoje, em 2012, do que há coisa de 10 anos naquele vhs de imagem baça do clube do vídeo. Talvez por na altura tê-lo visto com Airplane muito em mente, e talvez por tê-lo visto hoje no 16:9 original tenha ajudado.

Este é um filme muito realista do dia-a-dia de um aeroporto movimentado, o caos organizado de tudo o que ali dentro sucede, os problemas que poderão surgir, tanto a nível mecânico (aviões bloqueados pela neve), a nível social (a velhota que viaja clandestina), como a nível dramático (o bombista suicida).

A meu ver, os pilares do filme são essencialmente as senhoras - Jean Seberg passeia elegância nos trajes desenhados por Edith Head, e Jacqueline Bisset é líndissima como a hospedeira que anda com o comandante Dean Martin.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Herbert Lom RIP


Deixou-nos hoje o grande Herbert Lom, já com uma idade avançada é verdade, mas que será eternamente recordado como o Inspector Dreyfus, o sofredor superior hierárquico do Inspector Clouseau nos filmes da Pink Panther, e o eterno sacrificado das confusões e da destruição espalhada pelo seu rival. Apesar de checo de origem, tem uma filmografia vasta no Reino Unido.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Uma opinião positiva interessante sobre o Plano Nacional de Cinema. João Lopes tem razão - mesmo que hajam impasses pelo caminho, a sua existência já é um passo importante no sentido de contrariar a cultura bigbrotheriana.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Ia escrever alguma coisa sobre o Plano Nacional de Cinema, mas o pessoal do À Pala de Walsh antecipou-se. Vale a pena ir dar lá um pulo que eles escrevem muito bem.

Também penso que a inclusão de Torn Curtain na lista tem mais um fim de evocação histórica do que narrativa, pois poderíamos escolher outros 10 filmes de Hitchcock melhores.

domingo, 23 de setembro de 2012

A blogosfera cinéfila é propícia ao ataque a revistas de cinema. É compreensível, visto que em parte é concorrência, e ainda por cima são textos pipoqueiros. Mas a mim o que mais me me faz ficar desapontado com as revistas de cinema portuguesas é a forma como as listas são feitas - são muito básicas e escritas sem chama. Por exemplo, a lista de actores que mais morreram em cinema, ou a lista de melhores filmes de uma categoria qualquer.

Em contrapartida, este site o Craked.com, que descobri só há coisa de dois dias, elabora listas de forma bastante lúdica, e vê-se que é escrita por gente que percebe do assunto. Por exemplo esta e esta lista.

sábado, 15 de setembro de 2012

Falando em remakes...

Hoje pude ver com mais calma o remake de Psycho, realizado por Gus Van Sant e, como o filme original de 1960 é um dos filmes mais bem arquitectados do mestre Hitchcock e um dos meus favoritos dele, resolvi compará-los em paralelo e analisá-los em singular.

Urge dizer que o que era transgressor em 1960 já não era quando o remake foi feito. Coisas como o sexo, voyeurismo, masturbação, travestismo e psicopatia hoje em dia são coisas mais ou menos corriqueiras que poderemos encontrar numa série de final de tarde como Os Simpsons, quanto mais não seja sob a forma de comédia. Surgem sequências por todo o lado citando O Silêncio dos Inocentes, e séries como o CSI mostrando autópsias sendo executadas, e isto antes das dez da noite.

Quando o Psycho original estreou, o público americano nem nunca tinha visto uma sanita no grande ecrã, só para terem uma ideia da sociedade da altura.

Não é que o remake seja mau, pois é sempre bom ver Julianne Moore, Viggo Mortensen ou William H. Macy representarem, digamos apenas que é um exercício de cinema um bocado desnecessário (como um exercício mediano de final de ano de uma escola de cinema) e que só perde em relação ao original. Se há mérito no filme, é dar vontade de as pessoas regressarem mais uma vez ao original.

Alguns exemplos que achei curiosos neste remake, embora algo desnecessários:
- a cena de Norman a vê-la nua, através do orifício. Ouvimos o zipper claramente, e tudo o mais;
- pequenos inserts nos momentos dos assassinatos. Um bocado estranho e inútil;
- Julianne Moore ajuda a imobilizar Norman no final, com um pontapé. Feminista, e uma daquelas coisas do "tem que ser" politicamente correcto.

Achei piada à caracterização de Mortensen, Heche é aceitável, mas Vince Vaughn como Bates é claramente um desapontamento. Um exemplo da grandeza de Anthony Perkins? A pequena cena em que ele trinca os doces e o vemos e o vemos a debruçar-se sobre o livro de hóspedes.

Julianne Moore como a irmã, Lila Crane, também é algo vulgar, a aparecer de headphones na sua primeira cena. Basta comparar com a elegância de Vera Miles no original.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012


E agora que a estreia do remake de Gabriela volta a trazer os aromas adocicados do Brasil ao espírito dos portugueses, recomendo umas visitas à Cinemateca, para ver o ciclo dedicado ao realizador Glauber Rocha.