sábado, 15 de setembro de 2012

Falando em remakes...

Hoje pude ver com mais calma o remake de Psycho, realizado por Gus Van Sant e, como o filme original de 1960 é um dos filmes mais bem arquitectados do mestre Hitchcock e um dos meus favoritos dele, resolvi compará-los em paralelo e analisá-los em singular.

Urge dizer que o que era transgressor em 1960 já não era quando o remake foi feito. Coisas como o sexo, voyeurismo, masturbação, travestismo e psicopatia hoje em dia são coisas mais ou menos corriqueiras que poderemos encontrar numa série de final de tarde como Os Simpsons, quanto mais não seja sob a forma de comédia. Surgem sequências por todo o lado citando O Silêncio dos Inocentes, e séries como o CSI mostrando autópsias sendo executadas, e isto antes das dez da noite.

Quando o Psycho original estreou, o público americano nem nunca tinha visto uma sanita no grande ecrã, só para terem uma ideia da sociedade da altura.

Não é que o remake seja mau, pois é sempre bom ver Julianne Moore, Viggo Mortensen ou William H. Macy representarem, digamos apenas que é um exercício de cinema um bocado desnecessário (como um exercício mediano de final de ano de uma escola de cinema) e que só perde em relação ao original. Se há mérito no filme, é dar vontade de as pessoas regressarem mais uma vez ao original.

Alguns exemplos que achei curiosos neste remake, embora algo desnecessários:
- a cena de Norman a vê-la nua, através do orifício. Ouvimos o zipper claramente, e tudo o mais;
- pequenos inserts nos momentos dos assassinatos. Um bocado estranho e inútil;
- Julianne Moore ajuda a imobilizar Norman no final, com um pontapé. Feminista, e uma daquelas coisas do "tem que ser" politicamente correcto.

Achei piada à caracterização de Mortensen, Heche é aceitável, mas Vince Vaughn como Bates é claramente um desapontamento. Um exemplo da grandeza de Anthony Perkins? A pequena cena em que ele trinca os doces e o vemos e o vemos a debruçar-se sobre o livro de hóspedes.

Julianne Moore como a irmã, Lila Crane, também é algo vulgar, a aparecer de headphones na sua primeira cena. Basta comparar com a elegância de Vera Miles no original.

1 comentário:

Joao Franco disse...

Vi ha uns anos....nao achei qualquer semelhança estetica com o original!!

Se calhar foi por ter adorado o original...