segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Um feliz e pleno 2013 para todos


São os votos da gerência deste humilde estaminé. E para não me chamarem de fascista ou de demasiado conformista, desejo-vos um ano revolucionário em Portugal e de genuínas mudanças no horizonte. Uni-vos!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Quem se lembra desta série?

Graças à internet e ao poder dos downloads, tenho estado a revê-la pela primeira vez em muitos anos, e caramba, é incrível o quanto ela se aguenta hoje em dia comparada a algumas coisas mais recentes. Aliás, a sua influência em sitcoms de hoje é mais que evidente e muitas vezes assumida, como o caso de Family Guy, por exemplo.

É um prazer rever estas personagens, este estilo de comédia leve e inofensivo, tão ao estilo dos 60s, mas principalmente é bom rever os actores. Elizabeth Montgomery é linda, elegante, e com um grande sentido de humor, num papel que é hoje reacionário (o de uma dona de casa dedicada), mas ela torna-o algo muito diferente. Agnes Moorehead, que é brilhante nos filmes de Orson Welles, rouba o show a toda a hora como a mordaz Endora, fazendo maldades ao marido humano da sua filha.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Há qualquer coisa na época Natalícia que puxa a ver ou rever grandes épicos. Pode ser da magia que se vive, ou pode ser (de um ponto de vista mais prosaico) da maior disponibilidade que se tem para se ver coisas de longa duração...

Fui ver esta semana o novo de Peter Jackson, O Hobbit, prequela estendida dos filmes do Senhor dos Anéis, e não desgostei. Penso que o filme dá exactamente aquilo que promete - 3 horas de fogo de artifício, paisagens de tirar a respiração, e muita música heróica de Howard Shore. Quem gostou dos outros filmes também irá amar este. Eu, por exemplo, quis aproveitar para fazer uma breve retrospectiva do que estava eu a fazer há 10 anos, quando estreou The Two Towers. É engraçado como, mesmo que não queiramos, acabamos por desenvolver uma relação afectiva com certos filmes...

domingo, 23 de dezembro de 2012

E Tudo o Vento Levou é um filme muito cá de casa, e revejo-o de vez em quando, quase sempre pela quadra natalícia.

Assim o fiz hoje, e é engraçado que o passar dos anos só torna Gone with the Wind melhor, e com uma durabilidade que muitos filmes reputados de hoje não se poderão gabar daqui a 70 anos. É impossível deixar de nos identificarmos com a fedelha mimada do Sul Scarlett O'Hara, cortejada por todos os homens, e que despreza o único homem de jeito para ela, Rhett Butler. Raras vezes a sétima arte terá tido duas escolhas de casting tão perfeitas como Vivien Leigh e Clark Gable.

Dei por mim a pensar, com a chegada de Vertigo ao primeiro lugar da Sight and Sound, como melhor filme de todos os tempos, porque diabo Gone with the Wind será tão frequentemente marginalizado, comparado com outros mais respeitáveis. E então compreendi - este não é um filme de autor, e teve uma história de produção bastante acidentada, sendo que não se pode atribuir a sua criação a uma única pessoa - muito mais do que um filme de Cukor, ou de Victor Fleming, este é um filme de Hollywood, da sua máquina que tanto poder exerceu ao longo de décadas sobre os actores e sobre a criação artística. E é uma criação, por mais que os auteuristas tenham horror só de pensar nisso, em larga parte da responsabilidade do produtor David O. Selznick.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Sessão dupla natalícia

A passada Quinta tive oportunidade de ir mais uma vez à minha querida Cinemateca, desta feita com intenção de ver um filme de um realizador da Nouvelle Vague francesa de que nunca tinha visto nada - Jean Eustache.

O filme, Le Père Noel a les Yeux Bleus, realizado em 1966, é um daqueles filmes raros a que eu chamaria de inspirador, pois dá-nos motivação para voltar a filmar, para contar estórias através de imagens e de pessoas, mesmo com poucos meios. As personagens são simpáticas e as vivências não muito diferentes das nossas no Portugal de hoje, com a luta pela sobrevivência e a luta pelo amor sendo uma constante diária. Podemos encontrar uma cara familiar dos filmes de Truffaut por aqui - o grande Jean Pierre Léaud.

Antecedendo o filme de Eustache, encontrava-se a curta-metragem do José Oliveira, Pai Natal, que tive oportunidade de ver em Ante-Estreia há alguns tempos, e que gostei mais desta vez, uma vez que os locais, pessoas e dilemas eram tão familiares, que pareciam memórias de pessoas cá de casa.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Lula e Sailor amam-se, mas a mãe de Lula odeia Sailor e manda-o assassinar. Sailor defende-se e mata o assassino, esmagando a cabeça dele contra o chão, acabando por ir parar à prisão por vários meses. Mas quando sai, o amor dos dois continua a ser ameaçado pela mãe e por gangsters contratados pela mesma.

Este é apenas o ponto de partida de Wild at Heart, um dos filmes mais alucinados de David Lynch, espécie de road movie, filme de fuga de dois apaixonados, misturado com alegoria a Wizard of Oz, em que não faltam a bruxa boa e a bruxa má, a yellow brick road e milhentos personagens estranhos, tão típicos do mundo mental do realizador.

Difícil de catalogar, excepto com o adjectivo lynchiano, é mais um daqueles filmes que tem que ser visto para se acreditar.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A hipocrisia continua. E mais uma vez, as principais vítimas são o Cinema e a criação artística.

É muito mais fácil apontar culpados fáceis e varrer o assunto para debaixo da carpete.

Que venha o fim do mundo, que isto não muda mesmo.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Cinema diferente

A passada Quinta fui à Cinemateca ver dois filmes de dois países de que raras vezes temos oportunidade de ver obras por cá - Japão e Irão. Os filmes foram dois muito recentes - Como Tornar-me em Mim Próprio, realizado em 2007 por Jun Ichikawa, e Charlie's Tragedies, realizado em 2011 por Alireza Saadatniya.

Gostei dos dois, embora tenha tenha achado o filme japonês mais sólido, e com mais inventividade, tratando um tema que raras vezes é bem filmado, a adolescência e a falta de comunicação entre os jovens e os adultos. Algo que é brilhantemente captado no filme (e raras vezes acontece) são os telemóveis, meio preferido de comunicação da malta nova, e que aqui adquire uma dimensão dramática equivalente ao que antigamente tinham as cartas e os telefones.

As jovens actrizes também são magnificamente escolhidas, para além dos cenários familiares e escolares, que soam bastante a realidade, o que só serve para vincar o quão pouco cinema japonês andamos a ver por cá, comparativamente ao americano.
Em relação ao último massacre numa escola norte-americana, ocorre-me dizer que não me surpreende, e que aposto convosco o que quiserem que o luto nacional e o choque internacional não vão servir de muito - são coisas que vão continuar a acontecer por lá, e a dar com um pau. Tentar mudar uma sociedade é a coisa mais difícil do mundo, seria como tentar que Portugal deixasse de ser um país corrupto.

sábado, 8 de dezembro de 2012

O cavalheirismo que já não existe

Certos filmes antigos não ficam nada a dever a filmes mais recentes. O avolumar das emoções e da sofisticação deixam-nos por vezes tão boquiabertos como qualquer filme de hoje em dia... Bom, se calhar nem toda a gente concordará comigo, principalmente as pessoas que não conhecem tão bem a História do Cinema e do que se fez para trás.

Scaramouche é um desses filmes-maravilha que resistirá à passagem do tempo. É um filme de aventuras, mais concretamente de capa e espada, muito à maneira dos filmes com Errol Flynn, feitos nas décadas de 30 e 40. A acção passa-se na França pouco antes de eclodir a revolução, e segue as aventuras de André Moreau que se disfarça de actor/personalidade do teatro Scaramouche, enquanto treina aulas de esgrima para enfrentar o homem que matou o melhor amigo num duelo, o temível marquês de Maine.

Stewart Granger brilha no papel principal, bem como Mel Ferrer, normalmente um actor apagado, aqui interpreta muito bem um vilão sorridente perito em esgrima. São as senhoras, no entanto, a verdadeira espinha dorsal deste filme - Eleanor Parker é sensual, elegante e enérgica como Lenore, a carnal amante de André; e Janet Leigh tem uma das suas melhores actuações como a bela e angelical Aline, que pertence à nobreza, e é também disputada pelo vilão.

Este sim é um daqueles filmes a que se pode aplicar bem a expressão nostálgica "Já não os fazem como antigamente".

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Blue Velvet, realizado por David Lynch em 1986, é um filme estranho. Aliás, estranho é uma palavra fraca para descrever o que sucede no filme. Gostei mais de ver a segunda vez agora, do que da primeira vez, pois da primeira haviam-me levado a crer que era um filme muito à la Hitchcock, quando a presença do mestre do suspense apenas está presente em uma ou duas cenas. Blue Velvet é um filme à la David Lynch, e ponto final.

O aparecimento da orelha humana cortada num relvado de um jardim de uma idílica pequena cidade norte-americana, acaba por originar um mistério enorme, mas esse mistério será apenas uma premissa, um pretexto para dar acesso aos lugares recônditos e bizarros da mente de David Lynch. Basta ver os inserts com a vela trepidante e com a cara uivante de Dennis Hopper. Basta ver cenas como a interpretação vinda do nada em playback de In Dreams por Dean Stockwell, ou a evocação fantasiosa dos pássaros, e aquele final que soa a algo artificial.

Blue Velvet é um filme que desafia todos os géneros, pois é um filme que engloba vários sem se fixar num só. Não é só mistério, é muito mais do que isso, é drama, é sátira de costumes também e de uma maneira de viver. É até musical, com a preponderância que a música tem, ao longo do filme. É um filme que tem que ser visto para se acreditar.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Escolhas algo duvidosas, uma vez que os filmes de Craig aparecerem nos primeiros lugares deve-se única e exclusivamente ao pouco espaço temporal que os separa dos dias de hoje. Mais uma vez, verifica-se que as pessoas só se lembram do que é recente.

View to a Kill é a escolha mais surpreendente para um tão alto terceiro lugar. Mas depois pensei - Ah! É por causa da música dos Duran Duran.
Ora, eu chamo a isto, neste contexto de crise, uma excelente notícia. E já não era sem tempo.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Homenagens

É engraçado que ver o episódio de luxo Something Something Something Dark Side de Family Guy, mesmo apesar de ser comédia, consegue evocar através do desenho realista, dos diálogos, e da música tão familiar de John Williams, grande parte da magia dos filmes originais de Star Wars ao ponto de criar um arrepio na espinha. O que nos dá vontade de abrir o baú e voltar a vê-los.

Só espero que a Disney não estrague tudo...