sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Blue Velvet, realizado por David Lynch em 1986, é um filme estranho. Aliás, estranho é uma palavra fraca para descrever o que sucede no filme. Gostei mais de ver a segunda vez agora, do que da primeira vez, pois da primeira haviam-me levado a crer que era um filme muito à la Hitchcock, quando a presença do mestre do suspense apenas está presente em uma ou duas cenas. Blue Velvet é um filme à la David Lynch, e ponto final.

O aparecimento da orelha humana cortada num relvado de um jardim de uma idílica pequena cidade norte-americana, acaba por originar um mistério enorme, mas esse mistério será apenas uma premissa, um pretexto para dar acesso aos lugares recônditos e bizarros da mente de David Lynch. Basta ver os inserts com a vela trepidante e com a cara uivante de Dennis Hopper. Basta ver cenas como a interpretação vinda do nada em playback de In Dreams por Dean Stockwell, ou a evocação fantasiosa dos pássaros, e aquele final que soa a algo artificial.

Blue Velvet é um filme que desafia todos os géneros, pois é um filme que engloba vários sem se fixar num só. Não é só mistério, é muito mais do que isso, é drama, é sátira de costumes também e de uma maneira de viver. É até musical, com a preponderância que a música tem, ao longo do filme. É um filme que tem que ser visto para se acreditar.

1 comentário:

Joao Franco disse...

Acho que alem de Twin Peaks, é o meu filme dele preferido.

Se calhar porque é um dos que apresenta menos finais em aberto....tudo tem (+-) uma explicaçao...

o surreal é apenas um lado do real....ao contrario de outros filmes dele

E o Hopper ta deslumbrante...o Lynch normalmente cria uma personagem que simboliza o mais negativo e malevolo que existe no homem ....quer seja o Frank de BV, o Bobby Peru de Wild, o Bob de TP ou o mesmo o homem estranho do beco em Mulholand....

ainda bem que gostaste de rever...

E parafraseando o filme do Hanks/MegRyan ....you got an email