quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Violência terapêutica

Os anos 70 foram uma época estranha para o cinema, pois simultaneamente fizeram aparecer algumas das obras mais sublimes da História, como The Godfather, Star Wars, Taxi Driver, como também algumas das coisas mais pirosas, como o cinema blaxploitation, e o cinema de acção camp da moda.

No entanto, há alguns tesouros por descobrir e dar o devido valor, tal como Straw Dogs, realizado em 1971 pelo esquecido Sam Peckinpah. O filme narra a estória de um jovem casal, ele um matemático americano, ela uma inglesa bastante sexy, que vão morar para a terra dela, uma terra de costumes fechados. As coisas começam a complicar-se quando os homens da terra começam a assediar a mulher, e a humilhar o marido, o que não é ajudado pelo facto dela vestir roupas ousadas para aquele local. Tudo se irá despoletar de forma explosiva no final violento, em que o marido não aguenta mais o bullying e irá libertar os seus instintos mais primários.

Brilhantemente interpretado por Dustin Hoffman, como o marido nerd e pacato, e pela loira Susan George, uma bomba sexual inglesa dos anos 70, o filme é capaz de testar muitas sensibilidades, mesmo das pessoas que não costumam ver filmes dessa época.

O aspecto que eu achei mais ousado no filme, mais do que as cenas sangrentas e o sexo, foi o facto de a violência trazer uma espécie de reconciliação ao casal, com a mulher claramente admirada pela afirmação de masculinidade do marido, ao libertar finalmente os seus instintos animalescos.

Não é politicamente correcto, mas é brilhante.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Um pequeno texto de Jorge Mourinha no blog dele, sobre os gostos e preferências dos portugueses a nível de televisão. Nem sempre aprecio o que ele escreve sobre cinema, mas devo dizer que o que ele diz aqui é completamente na mouche. Toda a gente se queixa que há pouco cinema, pouca música, pouca cultura na tv, mas depois vai-se a ver os programas mais vistos são sempre as novelas, a casa dos degredos, e as galas.

Depois admiram-se de quererem privatizar a RTP... Programar para públicos que mentem nos gostos não vale a pena.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Esqueçam Jennifer Aniston, Jennifer Love-Hewitt, e outras Jennifers apagadas. Há uma nova no horizonte, mais jovem e bem mais talentosa - Jennifer Lawrence. Apaixonei-me por ela ao ver Guia para um Final Feliz. E já está nomeada para o Oscar e tudo.
Enviaram-me um mail com este anúncio, encontrado algures numa estação de comboios. O que é triste é que eu observo cada vez mais pessoas a escreverem assim, nos sms's que me enviam, para além de ser chocante, se tivermos em conta que dizem que eram muito bons alunos na escola.

sábado, 19 de janeiro de 2013

O meu vício neste momento é Star Wars: Empire at War, do ano de 2006, que descobri graças ao meu irmão. É um jogo de estratégia em tempo real que nos permite controlar tanto os Rebeldes na sua difícil luta contra a tirania, tanto a facção dos maus, o Império, sob a liderança do temível Darth Vader e do Imperador Palpatine.

Este é o tipo de jogo de PC que eu considero próximo da perfeição, pois possibilita-nos estar numa miríade de cenários e combater tanto no espaço como na superfície dos planetas. E as variantes são quase infinitas, pois temos muitos veículos que podemos controlar como os temíveis e massivos Star Destroyers imperiais ou os ágeis X-Wings, sob a liderança de Luke Skywalker.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Não entendo o ódio

Les Misérables pode não ser um filme que vá mudar canônes na História do Cinema, mas caramba não entendo porquê o desprezo da generalidade da crítica portuguesa em torno do mesmo.

A meu ver, tudo o que leve pessoas a irem ver musicais, um género praticamente extinto, é de louvar. Pode ser que depois as leve a ver mais e mais.

A única explicação que eu vejo para todo o ódio em torno do filme, é aquela coisa do "Ah, a versão musical no palco é que era..." Mas vocês pensam que toda a gente tem dinheiro para ir a Nova Iorque uma semana só ver os musicais?

domingo, 6 de janeiro de 2013

Quem me conhece, sabe porque eu já não quero ser crítico de cinema. Amo demasiado o Cinema para correr o risco de passar um juízo errado sobre algum filme e alguns anos depois vir a arrepender-me amargamente do que disse. Já me aconteceu algumas vezes, e desejei enfiar-me num buraco por isso.

Por acaso, o filme de que vou falar agora não mudei de ideias em relação à primeira vez que o vi - continuo a achá-lo tão bom como da primeira vez, mas simboliza precisamente o amor que eu tenho em relação à Sétima Arte, e a minha constante reverência em relação a quem cria essas obras de artes.

Trata-se de A Vila, que em boa hora aceitei rever. M. Night Shyamalan tem desapontado recentemente, mas este foi um grande grande filme que passou despercebido na altura, sendo que a crítica lá fora menosprezou-o com meia dúzia de adjectivos ofensivos, sendo o maior o de "defraudar" as expectactivas dos espectadores com o final surpresa, que não foi o que queriam.

Pois eu digo que o final é precisamente o que fecha de forma perfeita o filme. Por ser tão desafiante, tão provocador. Por nos colocar em dúvida em relação à sociedade em que vivemos. Aquela pequena vila não era perfeita, não era totalmente pura de crime, mas aquela decisão que aquela comunidade de anciãos tomou foi dos actos mais corajosos que alguém poderia tomar... mesmo sabendo as consequências que daí poderiam advir.

A Vila é um filme essencial para questionarmos como foi possível chegarmos até onde chegámos, para pensar se a crise é mesmo aquilo que dizem os noticiários. Muito mais do que uma reflexão sobre o terrorismo e os ataques do 11 de setembro, coisa que muita gente interpretou na altura, este é um ensaio sobre a humanidade, sobre aquilo que a impediu e continua a impedi-la de pensar para além da concha - o medo.

E é também um filme sobre o poder do amor.