domingo, 6 de janeiro de 2013

Quem me conhece, sabe porque eu já não quero ser crítico de cinema. Amo demasiado o Cinema para correr o risco de passar um juízo errado sobre algum filme e alguns anos depois vir a arrepender-me amargamente do que disse. Já me aconteceu algumas vezes, e desejei enfiar-me num buraco por isso.

Por acaso, o filme de que vou falar agora não mudei de ideias em relação à primeira vez que o vi - continuo a achá-lo tão bom como da primeira vez, mas simboliza precisamente o amor que eu tenho em relação à Sétima Arte, e a minha constante reverência em relação a quem cria essas obras de artes.

Trata-se de A Vila, que em boa hora aceitei rever. M. Night Shyamalan tem desapontado recentemente, mas este foi um grande grande filme que passou despercebido na altura, sendo que a crítica lá fora menosprezou-o com meia dúzia de adjectivos ofensivos, sendo o maior o de "defraudar" as expectactivas dos espectadores com o final surpresa, que não foi o que queriam.

Pois eu digo que o final é precisamente o que fecha de forma perfeita o filme. Por ser tão desafiante, tão provocador. Por nos colocar em dúvida em relação à sociedade em que vivemos. Aquela pequena vila não era perfeita, não era totalmente pura de crime, mas aquela decisão que aquela comunidade de anciãos tomou foi dos actos mais corajosos que alguém poderia tomar... mesmo sabendo as consequências que daí poderiam advir.

A Vila é um filme essencial para questionarmos como foi possível chegarmos até onde chegámos, para pensar se a crise é mesmo aquilo que dizem os noticiários. Muito mais do que uma reflexão sobre o terrorismo e os ataques do 11 de setembro, coisa que muita gente interpretou na altura, este é um ensaio sobre a humanidade, sobre aquilo que a impediu e continua a impedi-la de pensar para além da concha - o medo.

E é também um filme sobre o poder do amor.

2 comentários:

André disse...

Gostei da tua crítica sobre o filme. sobre esse filme acho que ouvi falar há alguns anos no curto-circuito da sic radical. Foi por causa do nome do realizador que me lembrei disto. Abraços

Joao Franco disse...

Gostei bastante do filme, e acho que o melhor é mesmo o final...

Os últimos dele têm sido um bocado decepcionantes!

Acho que ao mesmo tempo o mais interessante é a ideia que o mal vem de dentro de nos e como muitas vezes manipulamos a realidade para forçar a nossa verdade.