quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Ultimamente ando a jogar um grande jogo lançado em 2005 para PC, intitulado Star Wars: Battlefront II, e tenho gostado mais do que esperava. Normalmente não ligo muito a shooters, mas como este é na linha dos filmes, dei uma chance, e não me arrependi, antes pelo contrário.

As atmosferas são realistas e detalhadas, tanto a nível da velha como da nova trilogia. Podemos controlar uma variedade de heróis e vilões da saga, tal como Obi-Wan, Anakin Skywalker, Darth Vader, Yoda, Boba Fett, ou algum dos stormtroopers (e são vários).

A banda sonora de John Williams estabelece a atmosfera ideal de mistério e de acção no decorrer da história, e encontramos todos os efeitos sonoros dos filmes, mesmo aqueles ruídos de dróides que já quase nos havíamos esquecido.

Recomendo a quem seja fã dos filmes ou de um bom jogo de acção.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

O passado e o presente

Há pessoas que não ligam muito a voltar a ver filmes, para elas uma vez chega. Outras apreciam o revisionamento dezenas de vezes (Bénard da Costa é um caso exemplar). Eu respeito o primeiro grupo para aqueles filmes que basta uma vez. Mas há filmes que é simplesmente impossível deixar de ver, uma e outra vez. Um deles é Casablanca, que já conheço há muito tempo, e que creio que será daqueles poucos filmes que me acompanharão ao longo da vida, uma vez que cada vez que volto a observá-lo descubro coisas novas que me tinham escapado.

Revisto hoje, é impossível deixar de olhar para coisas que não tinha apreciado devidamente, como a composição das personagens ser tão bem delineada para um filme tão curto. Desde os protagonistas até aos secundários, cada uma daquelas pessoas parece ter uma história imensa por trás, cada uma delas funciona harmoniosamente com o ambiente e com o enredo. Vemos alguns dos maiores actores de sempre do cinema em aparições breves - Peter Lorre, Marcel Dalio, Sidney Greenstreet. E constatamos que a mística de Casablanca tem também muito a ver com o que está por detrás do percurso de cada uma daquelas pessoas.

Houve um tempo em que foi assim, que as coisas não pareciam ser só para durar no imediato.

Constato também, para a fama de lamechas que o filme tem, entre muito boa gente que conheço, que o filme é surpreendentemente directo e convincente na sua política de sentimentos. Nada ali está a mais, todas as cenas existem por alguma razão. E isso deve-se muito a Humphrey Bogart e a Ingrid Bergman, que souberam aproximar-se das personagens com o tom certo, transcendendo a sua persona cinematográfica, fazendo algo que nem eles algum dia sonhariam - imprimir na mitologia dos tempos Rick e Ilsa.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Os loucos anos 20

Gostei bastante mais de Cotton Club agora, do que quando o vi há uns anos atrás. Talvez pelo facto da primeira vez ter esperado qualquer coisa mais pesada, na linha do Padrinho, e talvez tenha apreciado mais agora por me ter tornado enorme fã da música jazz.

É um filme de gangsters sim, mas é mais um musical a meu ver, pois a música tem um papel preponderante na acção, e vai comentando o que está a acontecer. As re-orquestrações primorosas de John Barry da música original de Duke Ellington ficam no ouvido e os números de danças são fantasticamente filmados por Coppola. Gosto especialmente do número do final de Gregory Hines, em que o palco e a realidade vão-se misturando aos nossos olhos.

Lá por o filme ser musical, o rigor histórico não deixa de ser irrepreensível. Nota-se o olhar de um realizador cuidadoso atrás da câmara. E o cast tem actores soberbos, como Bob Hoskins e Fred Gwynne, que fazem uma dupla memorável de gangsters simpáticos. Mas a meu ver, quem mais brilha aqui é Diane Lane, com um guarda-roupa de vamp estupendo, ela é absolutamente divina.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Lendo

Este livro, que pensei em comprar há uns tempos na fnac, mas não tinha dinheiro suficiente; e que a biblioteca de Sintra resolveu em boa hora adquirir.

Trata-se de uma visão que um inglês que vive há anos em Portugal tem do nosso país, as nossas qualidades e os nossos defeitos. Escrito de forma inteligente e com grande sentido de humor.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Moonrise Kingdom

Finalmente visto ontem, no templo onde costumo ir. E que dizer, depois de tanta coisa boa escrita sobre o filme?

Só digo isto - Vejam-no, pela vossa saúde, vejam-no. Há muito tempo que não via um filme tão belo sobre miúdos.

Deve ser visto por aquele pessoal que tem cérebro de um tamanho de um amendoim, mas que se julga mais inteligente do que qualquer criança.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Valentine's day

Em relação a este post, e como contra-argumento, se são assim tão más e cansativas porque estamos sempre a apanhá-las na rádio?

Como diz um individuo e bem na caixa de comentários do site da Rolling Stone, o facto é que as pessoas têm tido sexo graças a canções "más", e é por isso que elas continuam a passar bastante, e continuarão a passar no futuro.

Um pouco de cinismo faz bem, mas assim tanto também não.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Luís Filipe Borges é um conhecido humorista e apresentador do programa 5 para a Meia Noite. O que eu não sabia é que o gajo escrevia bem. Tenho estado a ler O Playboy que Chora nas Canções de Amor, que é uma espécie de compilação de crónicas que ele escreveu para a imprensa há uns anos atrás, e a escrita surpreende pela profundidade, pela sensibilidade que a meu ver como humorista não demonstra (raros também são aqueles que o conseguem fazer).

Deixo-vos um excerto do livro, que se encontra neste blog.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Se há uma coisa que Django não é, é politicamente correcto. Eurico de Barros deve ter flipado de vez, pois até chega ao ponto de dizer que os gajos eram do Ku Klux Klan, quando aquilo era apenas uma retaliação mascarada.

Quando vi o último de Tarantino, afirmei que talvez aquele fosse o melhor do realizador que tinha visto. Mas este novo filme apanhou-me de surpresa, mais uma vez, e quando nem o esperava pois receava demasiado spaghetti.

Django é uma quase uma reencenação do mito de Siegfried, que é contado no começo do filme, mas aqui com um negro como o herói. O seu mentor? Ironicamente ou não, um alemão, o actor Christoph Waltz.

O porquê da polémica? A incapacidade dos americanos se olharem ao espelho. Melhor personagem? DiCaprio, como Calvin Candie (que nome!), que merecia ter sido nomeado para a estatueta.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Violência no ecrã

O debate já não é novo, mas precisamente por ser falado periodicamente e de forma inevitável, é que deve ser mencionado.

Estava há uns dias a ver tv e constatei que um canal dos miúdos, o Panda salvo erro, estava a dar as Tartarugas Ninja - as originais, que passavam quando eu era miúdo. Ora fiquei a ver um bocado, para ver que reacções surtiam em mim volvidos tantos anos. O desenho era claro, sem efeitos demasiado rápidos que nos fizessem perder a noção da acção a acontecer no ecrã, o trabalho de vozes também era bastante bom, e a música não era intrusiva. Mas o que me saltou mais à vista foi que a tal violência de que tanto se debatia há 20 anos atrás, era bastante ligeira.

Os defensores das morais e dos bons costumes que volta e meia se unem para atacar o bode expiatório da moda, seja ele Dragon Ball seja as Tartarugas, acertaram completamente ao lado. Pois a pouca violência que havia neste desenho animado americano era justificada para tomar conta dos vilões que ameaçavam o destino do planeta. Aliás, essa violência é pedagógica, pois vem acompanhada de pensamentos ditos em voz alta da parte das personagens principais, do género de humor acerca da situação e dos intentos maléficos dos maus.

Resumindo então, o que conseguiram os conservadores volvidos estes anos todos? Diminuir a violência? Não me parece, pois o mundo continua tão ou mais violento do que há 20 anos. Apenas conseguiram (para não variar) criar medos disparatados nos pais acerca do teor dos desenhos animados da moda, e (o mais grave) tirarem o prazer do divertimento às crianças, com fantasmas de culpa e de maldade onde ela simplesmente não existia.

Quanto mais observo os adultos, mais respeito as crianças.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Há algo de terrivelmente perturbador em Alemanha - Ano Zero, de Roberto Rossellini. É a escassez de esperança no horizonte, um certo niilismo consequência da aridez moral que se vivia, e que abre as portas ao desespero.

Filmado em 1947 nas ruínas de uma Berlim quase totalmente devastada, e com um elenco de não-actores, é extraordinário a quantidade de coisas e de inspiração que se pode tirar daqui, comparando com muita coisa que se faz hoje.

Esta sim era a verdadeira crise.

(Inserido no ciclo Retratos da Infância, na Cinemateca)

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Finalmente consegui ver Em Busca da Esmeralda Perdida do início ao fim, e é bastante melhor do que imaginava. Se em miúdo todo o romance me fazia repudiar o filme, preferindo o mais violento e cartoonesco Salteadores da Arca Perdida, hoje em dia o filme até me parece uma espécie de Indiana Jones sob o ponto de vista feminino.

Desde o início acompanhamos a personagem de Kathleen Turner, como a escritora de romances best seller, com os seus handicaps, apesar do imenso sucesso. Ela é uma mulher solitária e socialmente trapalhona, apesar de atraente. Com o rapto da sua irmã na Colômbia, a sua vida vai ter a reviravolta que tanto necessitava, e a aventura vai começar.

Filmado numa altura em que Kathleen Turner ainda era uma mega sex symbol, e em que os videoclubes começavam a surgir como cinefilia alternativa credível (parece que foi há 1000 anos), Romancing the Stone é um filme que nos remete a uma altura em que as coisas nos pareciam bem mais simples, talvez por também ser um entretenimento agradável, quase familiar e sem grandes pretensões.

Leve, divertido, e imperdível.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Há uns dias atrás, foi notícia amplamente divulgada que os cinemas Castello Lopes iam fechar umas largas dezenas de salas pelo Portugal continental e insular, consequentemente mandando muita malta para o desemprego. 

Em relação ao desemprego é de facto lamentável, mas em relação ao fecho das salas o governo e alguns ilustres da praça escusam de vir chorar lágrimas de crocodilo, pois era uma coisa que já vinha a ser semeada desde há muito anos para trás, muito antes mesmo desta "crise" económica começar.

Quando se começaram a construir salas de cinema dentro de massivos centros comerciais, e quando para lá chegar tinha de se percorrer largos quilómetros de carro e/ou a pé, foi o começo do fim da relação que as pessoas tinham com o Cinema, por mais frágil que fosse essa mesma relação.  

Foi secundarizar o Cinema, foi a mesma coisa que dizer "Ok, cinema é muita giro, mas primeiro vêm as comprinhas e a publicidade". Foi reduzir o Cinema a uma espécie de curiosidade de feira, a que apenas alguma gente estranha dava atenção.

Claro que a pirataria também não ajudou, mas não sejamos hipócritas pelo amor da santa, o afastamento das pessoas em relação ao cinema começou há muito, mas mesmo há muito mais tempo que isso.