quinta-feira, 14 de março de 2013

O exemplo de Christopher

Ontem revisitei Into the Wild, que não via desde 2007, no grande ecrã. Resisti ao revisionamento, pelo facto de acreditar que o filme não justificava uma segunda ou uma terceira análise. Mas justifica e vou explicar.

A esta hora já toda a gente conhece a saga de Christopher McCandless a caminho do Alaska, mas apetece-me falar sobre o tema, pois li opiniões de muita gente na internet a falar mal dele, dizendo que era um irresponsável que fugiu às responsabilidades, quiçá doente mental, ou até um tolo ingénuo pelo facto de ir tão pouco preparado.

Eu choca-me um pouco as pessoas reagirem assim a alguém que concretizou algo de único e diferente - mais de 100 dias na floresta indomada, sem auxílio exterior de mantimentos. Está bem que Chris acabou por falecer, em consequência de qualquer planta que tinha ingerido e não devia, mas se ele tivesse sobrevivido, estou certo que nesta altura seria uma amável e excêntrica figura televisiva, dando entrevistas e escrevendo livros de viagens, como tantos outros fazem hoje em dia.

Tudo o que fuja às normas ao status quo, é olhado com desconfiança e até com menosprezo. Uma pessoa endividar-se para pagar casa e carro ao banco, e depois ficar falido, isso não há problema, é coisa de adulto. A culpa é da crise, dos bancos, é o contexto económico, os governos.

Christopher McCandless, que serviu de base ao filme espiritual (e objectivo) de Sean Penn, é a meu ver um verdadeiro herói pós-moderno, pois não se deixou subjugar pelo que as pessoas achavam que ele devia fazer; e se fosse vivo, nesta altura seria daquelas pessoas que iluminam a vida das pessoas, e que nunca deixaria a palavra crise entrar no meio de uma conversa.

2 comentários:

Joao Franco disse...

Nem mais .....
Brilhante post!

ajanelaencantada disse...

Não posso comentar as escolhas e motivações do verdadeiro Christopher McCandless, pois apenas me posso basear no filme, que é, acima de tudo uma obra de ficção.

Mas sob a mão de Sean Penn, é como dizes um heróis pós-moderno, um idealista com coragem de dizer não. Por isso, este é um dos filmes que mais me marcou nos últimos anos.

Cumprimentos!