quarta-feira, 1 de maio de 2013

L' Innocente

Luchino Visconti deve ter sido um dos realizadores mais fascinantes que pisaram a face da terra. Nascido numa família nobre de grandes posses na Itália, simpatizante comunista, homossexual, e com uma capacidade de criação artística de imenso bom gosto, dirigiu algumas das obras mais interessantes do cinema italiano.

Daí que cada revisão da sua filmografia seja sempre algo de deslumbrante, saltando à vista pormenores que à primeira nos haviam escapado por estarmos demasiado embrenhados na estória.

Em 1976, L' Innocente foi o canto do cisne do realizador, e que canto. Uma narrativa sobre um trio de personagens, no final do século XIX, que se vai enredar num processo inevitável de amor, luxúria, traição e morte. Aliás, a morte é um tema recorrente na obra de Visconti, e como disse e bem Alberto Seixas Santos na apresentação da sessão na Cinemateca, talvez nunca como aqui se tenha sentido a mesma tão colada à volúpia dos corpos.

Brilhantemente interpretado por três actores empenhadíssimos - Giancarlo Giannini, Laura Antonelli, e Jennifer O' Neill - sendo que Antonelli surpreende particularmente pela força inesperada que imprime à sua personagem inicialmente passiva, recomendo o filme a quem goste de bom cinema e queira qualquer coisa de diferente.


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