segunda-feira, 29 de julho de 2013

Um óasis no meio do deserto

Este blog tem estado um bocado parado pelo facto do resto das pessoas também andarem e pensarem de forma algo indolente, à velocidade das temperaturas de calor que se vivem, como tal abstenho-me de dizer coisas que pouca utilidade/interesse têm.

Por sinal, numa área que no Verão também costuma mostrar zero de novidade - a Televisão - tem andado a passar alguma coisa de diferente e que marca uma clara diferença do que passa e de tudo o que passou. Trata-se do documentário dividido em alguns episódios intitulado Portugal, Um Retrato Social, que tem passado diariamente na rtp 2 por volta da hora do jantar. É verdade que é uma repetição, e que já tinha passado em 2007, mas há algo no contexto actual que o torna mais importante ver agora ou até rever.

Em 2007 eu andava simplesmente demasiado ocupado ou desinteressado do meu papel enquanto português para dar olhos a este tipo de programa, mesmo há uns dias atrás quando me cruzei fortuitamente com o mesmo num zapping, não me apeteceu ver mais do que 2 minutos, não sei se foi a voz algo solene de António Barreto que me fez afastar ou se simplesmente fiquei com a ideia errada do programa.

É verdade que passam muitas imagens de arquivo, do Portugal do antigamente, mas ao contrário do que eu pensava, nem sempre são num tom nostálgico, muitas vezes são até para mostrar o quanto melhorámos em relação há 50 ou há 40 anos.

É verdade que por vezes é impossível deixar de causar uma certa emoção nostálgica em alguns espectadores com mais idade, ainda para mais sendo essas mesmas imagens acompanhadas pela música evocativa e melancólica de Rodrigo Leão, mas o que se pretende não tem nada a ver com o pensamento empoeirado dos velhotes de que "antigamente é que era" e que "já não há valores". Nada disso. Quem vir as coisas nesse prisma não está a apanhar de todo os objectivos do documentário.

Portugal, Um Retrato Social é sim uma visão muito objectiva (de um pragmatismo até invulgar) das mudanças no nosso país nas últimas décadas, é um pouco quase à maneira do que imaginamos ser António Barreto - consciente das diferenças em relação a antes da ditadura, do que melhorou e do que piorou, grato pelo que de alguma forma progredimos, mas alerta em relação a aspectos em que os portugueses ficaram mais alienados do que quer dizer qualidade de vida.

Curiosamente, o documentário torna-se imperativo ver hoje em dia, no ano de 2013, pelo que mudámos em relação a 2007, quando o mesmo estreou, pela forma como as pessoas encaram hoje a política e os políticos, pela maneira como as condições de vida mudaram e infelizmente não para melhor.

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