quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O que faz um bom vilão

Já Hitchcock dizia que um filme será melhor quanto melhor for o vilão, uma lição que foi devidamente assimilada pelos actores que apareceram posteriormente nesse tipo de papéis em filmes de James Bond.

Muitas vezes, há actores que até exageram e chegam a sobrepor-se ao protagonista, não deixando a cena respirar - é o chamado overacting.

Quem me conhece, sabe bem demais porque não sigo novelas. Não tem necessariamente a ver com overacting, porque isso existe em todo o lado. Não gosto de novelas porque são simplesmente demasiado básicas na sua ética (e na sua estética), os bons são todos muitos bons, os maus são podres até ao tutano. Parece quase que não existem áreas cinzentas, parece que os bons nunca pecaram e parece que os maus nunca fizeram uma boa acção na vida.

Ora vem esta conversa a propósito de Wall Street, que aproveitei para rever hoje, e que para além de reconstatar a importância do filme na altura e hoje em dia (apesar dos computadores, dos telefones tijolo), reapreciei o fantástico desempenho de Michael Douglas como Gordon Gekko, o implacável homem de negócios que não olha a meios para atingir os fins. Gordon é um verdadeiro filho da puta, mas é um filho da puta com o qual não podemos deixar de simpatizar um bocadinho - parece gostar de arte, da boa vida, e após muitas traições da parte dele, no final vemos quase uma centelha de humanidade quando se apercebe que também ele provou do seu próprio veneno.

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