segunda-feira, 14 de outubro de 2013

The Valley of the Dolls

Andava há uma data de anos para ver The Valley of the Dolls, em grande parte pela presença de Sharon Tate, de quem sou fã, mas alguma circunstância me demovia sempre, talvez pelas péssimas críticas que o filme teve - Leonard Maltin dá-lhe 1 estrela, Ebert não mais que duas, e o filme é presença frequente em listas dos piores filmes de todos os tempos.

No entanto, ontem resolvi finalmente dar uma chance a este filme que tanta tinta fez correr nos anos 60, baseado no livro escandaloso semi-biográfico de Jacqueline Susann. E ainda bem que finalmente o fiz. O filme abre de uma forma muito literária com a protagonista Anne Welles (a atraente morena Barbara Parkins) em voz off falando num tom maduro acerca de sonhos desfeitos. Ela é acompanhada por uma bonita canção de Dionne Warwick. Eu pensei - caramba, nenhum filme que começa com a voz de Warwick pode ser assim tão mau!

Ela sai da terra natal para ir em busca de aventura e novas experiências em Nova Iorque antes de se compreter com um casamento. Emprega-se num escritório de advogados de vedetas de cinema e da Broadway, e rapidamente a sua vida começará a ficar agitada. Assistiremos também ao desenrolar da história das suas amigas Neely O' Hara (a intensa e acriançada Patty Duke)  e Jennifer North (a trágica Sharon Tate). Da sua ascensão e queda, dos meandros da fama, das aparências, das traições nos bastidores.

Fiquei agradavelmente surpreendido quando vi Susan Hayward como a estrela envelhecida Helen Lawson, e Lee Grant como a dura manager do irmão cantor.

Até posso entender porque o filme é tão detestado, pelo exagero e desiquilibrio de muitas cenas que têm falta de continuidade, mas não posso aceitá-lo como um dos piores de sempre. Aliás, apesar dos seus defeitos, creio que é um filme bastante definidor do zeitgeist dos anos 60. Basta olhar para as montagens coloridas da ascensão para a ribalta.

Se o devem ver? Depende do vosso interesse na época, no tema, ou nas actrizes. Pessoalmente, acho que faria falta ser mais visto nos dias de hoje.