domingo, 20 de abril de 2014

Belle de Jour para o século XXI

Jeune et Jolie é talvez o filme mais discreto e interessante do realizador francês outrora proclamado como discípulo de Fassbinder François Ozon. Com a sua visão de não julgamento sobre a protagonista, e o tom seco sem rodeios, acaba por fazer mais pelo tema da prostituição do que duas dúzias de debates televisivos e reportagens na imprensa.

Incrível ainda como apesar da subtileza, o filme consegue atacar de frente alguns dos fantasmas e ansiedades da classe média. A não perder.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Tarzan, the Ape Man

Volvidos tantos filmes de Tarzan, com vários actores, de todas as formas e feitios (está aí mais um filme em cartaz), versões animadas da Disney tanto para tv como para cinema, nada como regressar à versão original produzida pela MGM com Johnny Weissmuller.

Ora o filme está bastante bem feito, e bastante menos datado do que possa parecer à primeira vista. Em termos de políticas sexuais, Jane é uma heroína bastante desenrascada, que consegue disparar com destreza, não é a típica rapariga aos gritos sempre que aparece um animal selvagem. Nesse aspecto, elogios sejam feitos a Maureen O'Sullivan, que desempenha de forma notável e definitiva a personagem, deixando a um canto muitas das personagens interpretadas pela filha Mia Farrow, anos mais tarde em filmes de Woody Allen por exemplo.

O aspecto desactualizado que mais incomoda trata-se de algo técnico - os actores a representarem e a reagirem em frente a uma stock footage muito fake e desproporcionada de indígenas africanos.

De resto, as cenas com os animais são excelentes, as lutas dos duplos com os leões e leoas são impressionantes, e a mensagem pró-ecológica é notoriamente bem anterior aos anos 60. A meu ver, este é um dos filmes essenciais dos anos 30 e do século XX.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Scenes from the Class Struggle in Portugal

Esqueçam pastelões televisivos como A Hora da Liberdade, ou filmes-lixo com actores italianos a serem dobrados de forma bastante manhosa como Capitães de Abril. O melhor filme que vi até hoje sobre a nossa revolução passou hoje na Cinemateca na sessão das 19. E foi realizado por um americano ainda por cima - Robert Kramer.

Feito sob a forma de documentário, com montes de entrevistas que nunca passam (porque será?) na televisão, o filme está construído de forma tão tensa que quase nos convence que é um thriller o que estamos a ver, e não a realidade.

Deveria ser de visualização obrigatória à nossa classe de governantes e àquela classe de pessoas que passeiam as suas roupinhas de marca pela Avenida da Liberdade e que franzem o sobrolho aos sem-abrigo.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Abril

O meu Abril vai ser principalmente pela Cinemateca a ver os filmes no ciclo da Festa do Cinema Italiano, e revendo os filmes do Elia Kazan que estão a ser transmitidos aos Sábados à noite no segundo canal.