terça-feira, 6 de maio de 2014

Cinema smart ass

Confessions of a Dangerous Mind teve largos elogios da crítica quando estreou há uns anos atrás, e após ler a intrigante (extraordinária, para dizer a verdade) premissa, fiquei durante muito tempo com o bichinho de ver o filme.

Ontem finalmente a ocasião proporcionou-se, e devo dizer que não entendo o porquê de tanto alarido. Só pode ser por ter sido o primeiro esforço de George Clooney atrás das câmaras, e a publicidade que ele deve ter feito para isso.

O filme tem uma personagem principal execrável (Sam Rockwell), egocêntrica e um pioneiro da reality tv (a ele pertence a génese de clássicos como The Dating Game ou The Gong Show). É dificílimo conseguirmos identificar-nos com tal personagem, principalmente ao acabar o filme quando já a conhecemos minimamente bem, acreditar que aquilo que aconteceu foi real e não um produto da sua imaginação fértil e ávida de publicidade.

Muito difícil é também acreditar em Julia Roberts como uma mestre espia com chapéus grandes à la Coco Chanel, ou mesmo em Clooney como uma espécie de Ed Harris em A Beautiful Mind numa postura cínica de "eu já vi tudo" e com um bigode postiço bem fraquinho.

O protótipo de cinema smart ass que tem vindo a ser moda nos últimos 15 anos e que se deve evitar.

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