sexta-feira, 9 de maio de 2014

Uma estranha relíquia do passado

The Detective, filme realizado em 1968 de forma algo indistinta por Gordon Douglas, é mais conhecido por ser provavelmente o primeiro filme de Hollywood a não mostrar os homossexuais como degenerados a serem abatidos.

Protagonizado por Frank Sinatra, dando mais convicção ao papel do que o habitual, ele representa o detective durão à maneira de Bogart, com princípios em vias de extinção no mundo em que deambula, mas que não discrimina gays. Há uma cena imperdível no filme em que ele dá um soco valente a Robert Duvall por o mesmo estar a torturar um grupo de prostitutos nas docas.

Aliás, o filme não é muito mais do que isso. Frank a dar socos no estômago de quem o chateia. E sempre da mesma forma - ele chama-os de lado, e dá. Contei pelo menos três. O plot romântico com Lee Remick é também muito irrelevante para a acção e poderia ter sido facilmente descartado. O filme teria muito mais a ganhar se tivesse tido uma abordagem à la Chinatown, acerca da corrupção nos meandros da polícia em Nova Iorque.

Destaque para o elenco secundário excelente - uma jovem e talentosa Jacqueline Bisset como a viúva que vai lançar Frank no segundo caso, William Windom como o seu marido no armário, e Lloyd Bochner como o psiquiatra suspeito com intenções aparentemente nebulosas.

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