domingo, 13 de julho de 2014

Juno and the Paycock

Realizado em 1929, este é um dos raros filmes de Hitchcock, ao lado de Jamaica Inn e Under Capricorn que poderão ostentar o adjectivo de secante. Mesmo o realizador em entrevistas posteriores nunca conseguiu arranjar razões para defender esta sua obra, atribuindo a sua feitura mais à pressão dos produtores e ao sucesso da peça de teatro de Sean O' Casey em que se baseia.

Aliás, as origens teatrais são o principal handicap do filme, pois o mesmo é composto de longos takes em planos distanciados como se estivessemos a assistir mesmo a uma peça. Os sotaques irlandeses cerrados também não ajudam, para além da qualidade de som ser bastante fraca.

É quase como se a produção estivesse ainda a testar os limites do som, na altura ainda uma novidade, mas que se compararmos com o anterior Blackmail, que havia sido uma experiência bem mais feliz, e parece anos luz à frente, este dá dois passos atrás.

A única salvação do filme é a representação de Sarah Allgood, em mais um papel de mãe coragem em que ela se especializou e cristalizaria com o passar dos anos. Mesmo a representação de John Laurie é desapontante, demasiado teatral e com olhos sempre escancarados pertencendo mais ao cinema mudo.

1 comentário:

Joao Franco disse...

Muito gostas tu de Paycock....

:D